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“O que estava ruim, ficou pior”, diz Abicalçados sobre taxação dupla dos EUA que eleva tarifa a 37,5%
Publicado 23/07/2026 • 22:34 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 23/07/2026 • 22:34 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Indústria de calçados prevê investir 7% a mais em 2025 e crescer até 2%.
Pixabay.
A nova tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos elevou para 37,5% a sobretaxa a algumas categorias de produtos brasileiros vendidos para o mercado americano e agravou um cenário que já pressionava as exportações do setor.
“O que já estava ruim piorou”, afirmou o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, ao comentar a medida anunciada nesta quinta-feira (23) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.
A cobrança foi imposta a produtos de 60 economias após uma investigação sobre as regras adotadas pelos países para impedir a importação de bens supostamente produzidos com trabalho forçado.
No caso dos calçados brasileiros, os novos 12,5% serão somados à tarifa de 25% já imposta pelos Estados Unidos em uma investigação separada contra o Brasil. Com isso, a cobrança adicional chega a 37,5%, além da tarifa regular de importação do produto.
Na comparação com o cenário atual, porém, o aumento efetivo será de 2,5 pontos percentuais. Isso porque a sobretaxa global temporária de 10%, em vigor desde fevereiro, deixa de valer nesta sexta-feira (24), quando começa a nova cobrança de 12,5%.
“É um problema a mais, mas não surpreendeu o setor”, afirmou Ferreira.
Os calçados não são os únicos produtos brasileiros sujeitos à nova cobrança. A tarifa de 12,5% tem alcance amplo e se aplica, em regra, aos bens exportados pelo Brasil, com exceção dos itens retirados pelo governo americano da medida.
Entre os segmentos com produtos sujeitos também à tarifa anterior de 25% estão madeira processada, máquinas e equipamentos, plásticos, etanol, tabaco, pneus e outros bens manufaturados.
A incidência não é uniforme sobre setores inteiros. As duas medidas possuem listas próprias de exceções, e o percentual final depende da classificação tarifária de cada mercadoria. Os Estados Unidos excluíram, por exemplo, matérias-primas consideradas essenciais, produtos com risco de desabastecimento e itens já submetidos a determinadas tarifas setoriais.
Segundo a Abicalçados, a nova cobrança aumentará a diferença tarifária entre os produtos brasileiros e os calçados exportados por concorrentes asiáticos, especialmente Vietnã, Indonésia e Camboja.
“Perderemos ainda mais mercado para esses concorrentes”, projetou o presidente da entidade.
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Siga o Times | CNBCIndonésia e Camboja ficaram sujeitos a uma tarifa menor, de 10%, porque foram incluídos pelo governo americano no grupo de países que adotaram ou assumiram compromissos relacionados à proibição de importações produzidas com trabalho forçado.
O setor brasileiro já havia reduzido suas expectativas para 2026 após o anúncio da tarifa anterior de 25%. A projeção de queda das exportações totais de calçados passou de 3,6% para 7,1%.
Com a nova cobrança, a indústria avalia que a perda de competitividade nos Estados Unidos poderá se intensificar, principalmente entre empresas mais dependentes do mercado americano.
Além das medidas previstas no novo Plano Brasil Soberano, que ainda depende de regulamentações complementares, a Abicalçados defendeu a ampliação do Reintegra, programa que devolve às empresas parte dos tributos acumulados na cadeia de produção dos bens exportados.
Atualmente, o programa retorna o equivalente a 0,1% das receitas obtidas com as exportações. Segundo Ferreira, a legislação permite que essa alíquota seja ampliada para até 5%.
“Há previsão legal para ampliação da alíquota até 5%, o que contribuiria para a atenuação dos impactos sobre as empresas exportadoras neste momento de dificuldades no mercado internacional”, afirmou.
A Abicalçados também cobrou a adoção de salvaguardas e outros instrumentos de defesa comercial para proteger a indústria nacional diante do aumento das importações.
Segundo a entidade, a queda esperada das exportações pode ampliar a pressão sobre o mercado brasileiro justamente em um momento de estagnação do consumo interno e retração da produção nacional.
No primeiro semestre, mais de 25 milhões de pares de calçados importados entraram no Brasil, alta de 15,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para Ferreira, a combinação entre perda de espaço no exterior e avanço dos produtos importados torna ainda mais urgente a adoção de medidas de proteção ao mercado doméstico.
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