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Antes de sanção dos EUA, PF já monitorava e tinha pedido a prisão de líder financeiro do PCC
Publicado 03/07/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/07/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação/ PF
A Polícia Federal (PF) já havia representado à Justiça pela decretação da prisão de Victor Henrique de Oliveira Shimada e dos outros investigados antes da sanção americana aos supostos aliados do PCC. Todos os alvos já estavam sob monitoramento e os investigadores avaliam que a divulgação dos EUA sobre a sanção prejudicou o trabalho de campo e precipitou a operação.
Shimada é o principal alvo da Operação Exchange, que foi às ruas nesta sexta-feira, 3, para prender 11 suspeitos e cumprir 13 mandados de busca e apreensão contra um núcleo financeiro do PCC.
Na quarta-feira, 1º, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Shimada, sua secretária, Stella Stefanie Nunes, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas.
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A reportagem busca contato com a defesa de Shimada. O espaço está aberto para manifestação.
Líder de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões do Primeiro Comando da Capital (PCC), coordenador logístico e responsável pelo controle financeiro da trama, Shimada foi o primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por vínculo com a facção. De acordo com a PF, ele estruturou um vasto arcabouço com 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar cifras bilionárias do tráfico de drogas, especialmente de haxixe, segundo a Polícia Federal.
As empresas utilizadas por Shimada foram bloqueadas por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A medida também determinou o bloqueio e sequestro de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527.419,19 de forma solidária, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas na investigação.
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Durante as apurações, a PF constatou que Victor Shimada utilizava as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar, ocultar e dissimular recursos do PCC.
A investigação da Polícia Federal reúne análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis que apontam movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada.
Segundo os investigadores, a empresa Hi Quality, que não possui empregados registrados, foi citada em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Já Victor Shimada aparece em dezenas de registros envolvendo valores expressivos.
Os documentos também indicam o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos, incluindo uma planilha de controle atribuída a um usuário identificado como Harry Thompson também referido como Bryan Willians, apontado como vulgo de Shimada, em grupo de WhatsApp, com registros de operações descritas sob o campo “TOKEN”, reunindo dados sobre valores, câmbio, cidades e saldos, além de movimentações estimadas em US$ 7,5 milhões em cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.
Os operadores do esquema também tinham forte atuação no ramo de criptomoedas. A diversificação dos recursos por meio de criptoativos é evidenciada, segundo a PF, em conversa na qual Ygor Fokin, apontado como um dos líderes do esquema de lavagem e tráfico de drogas ao lado de Shimada, discute com ele a utilização do token “ERC” e diferentes formas de alocação de valores.
No diálogo, são usadas referências cifradas como “branca”, “verde” e “azul” para indicar modalidades de investimento, além de expressões que indicam preocupação com rastreamento, como na mensagem: “Por isso bom sempre passar a gnt vai trocando moeda papel wire e cripto”.
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