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Caso Digimais explicado: 5 pontos para entender a investigação
Publicado 24/06/2026 • 16:29 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 24/06/2026 • 16:29 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Digimais ganhou novos desdobramentos nesta semana ao apontar que a instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo teria adotado práticas semelhantes às atribuídas ao extinto Banco Master para esconder problemas em sua carteira de crédito.
As conclusões constam de um inquérito obtido pela imprensa e surgem em meio às discussões sobre uma possível venda do banco ao BTG Pactual.
Segundo os investigadores, as operações teriam sido usadas para mascarar a situação financeira da instituição e ampliar a exposição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a eventuais prejuízos.
Leia também: Fitch rebaixa rating do banco Digimais; PF investiga gestão e bloqueia R$ 670 milhões
A principal suspeita é de que o Digimais tenha utilizado mecanismos contábeis para elevar artificialmente o valor de ativos registrados em seus balanços.
Na avaliação da PF, a prática teria dificultado a identificação da deterioração da carteira de crédito e transmitido ao mercado uma imagem financeira mais favorável do que a realidade.
Os investigadores afirmam que a estratégia teria permitido ao banco manter a captação de recursos mesmo diante do aumento dos riscos internos.
Leia também: Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating
De acordo com a investigação, o modelo utilizado pelo Digimais teria seguido uma lógica semelhante àquela atribuída ao Banco Master, que também foi alvo de questionamentos sobre a qualidade de ativos registrados em seus balanços.
A PF entende que, nos dois casos, houve uso de estruturas financeiras que dificultariam a percepção dos problemas existentes nas carteiras de crédito. A comparação aparece como um dos principais pontos do inquérito.
Os investigadores afirmam que o banco teria se beneficiado da confiança dos investidores e depositantes na proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Na avaliação da PF, a existência dessa garantia teria ajudado a manter a entrada de recursos na instituição, mesmo em um cenário de fragilidade financeira.
O receio das autoridades é que eventuais prejuízos acabem sendo absorvidos pelo sistema de proteção aos depositantes.
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Siga o Times | CNBCSegundo o inquérito, a negociação para transferência do controle do Digimais ao BTG Pactual estaria condicionada a uma injeção bilionária de recursos para cobrir déficits identificados no banco.
A estimativa citada pelos investigadores aponta para uma necessidade de aproximadamente R$ 7 bilhões.
Leia também: PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC
Na interpretação da PF, a operação poderia resultar na transferência de parte relevante das perdas para o FGC, reduzindo o impacto financeiro direto sobre os atuais controladores e administradores.
Caso a venda não seja concluída, a possibilidade de liquidação da instituição é considerada pelos investigadores.
A PF argumenta que mecanismos de assistência financeira não devem servir para proteger gestores responsáveis por decisões que levaram ao agravamento da situação patrimonial do banco.
Leia também: Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating
Outro ponto analisado envolve a exposição do Digimais a ativos ligados ao Banco Master. Segundo a investigação, a instituição chegou a manter cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito associadas ao banco de Daniel Vorcaro, ativos que passaram a ser questionados quanto à qualidade e à documentação de suporte.
A investigação segue em andamento e poderá definir os próximos capítulos de um caso que envolve a estabilidade da instituição financeira, a proteção aos depositantes e o papel do FGC em operações de socorro ao sistema bancário.
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Até o momento, o Digimais não havia se pronunciado sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal. O BTG Pactual também não comentou o assunto.
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