CNBC
SpaceX

CNBCSpaceX pode tornar a empresa mais valiosa do mundo? Confira as chances

Operações da PF

Entenda como documento liga Forbes Brasil a fundo do Banco Master 

Publicado 19/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 9 minutos

KEY POINTS

  • Fundo ligado ao caso Master declarou controle da Forbes Brasil
  • Mútuo de R$ 100 milhões ampliaria capacidade financeira da Forbes
  • Conflito entre CVM e Junta pode indicar falha de transparência societária
Vorcaro, Antonio e Camilla Camarotti, da Forbes Brasil

Arte - Times Brasil

Vorcaro, Antonio e Camilla Camarotti, da Forbes Brasil

A FRBS Participações, dona da marca Forbes no Brasil, aparece em registros na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) como ativo principal do fundo Eagle Eye Investments. O veículo integra a chamada estrutura Astralo 95, apontada pela Polícia Federal como núcleo do esquema de fundos investigados no caso Master.

O Eagle Eye declarou à autarquia deter R$ 113,7 milhões em ações da FRBS, equivalentes a 225.349 papéis, todos que compunham o capital social da FRBS. Este valor correspondia a mais de 90% do patrimônio líquido do fundo até o ano passado.

Um documento adicional obtido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, com data de recebimento em 23 de abril de 2025, confirma a mesma posição: patrimônio líquido de R$ 123,3 milhões, dos quais 92,87% estavam concentrados nessas ações da FRBS, avaliadas em R$ 113.790.322,58. O registro repete essencialmente a mesma posição, com pequenas variações de valor de mercado.

Leia também: DENÚNCIA: Forbes Brasil tem fundo do Banco Master como sócio oculto

Movimentações que chamam a atenção

Além da participação acionária, os registros do fundo mostram outras movimentações que chamam atenção. Há um mútuo conversível de R$ 100 milhões, instrumento pelo qual o fundo teria emprestado recursos à Forbes Brasil com previsão de quitação por meio da emissão de novas ações da companhia. Esse valor aparece, no documento de abril de 2025, como 81,1% do patrimônio líquido do Eagle Eye. Esta manobra permitiria a empresa a possibilidade de fortalecer o caixa com um aporte significativo sem a necessidade de desembolso financeiro para amortizar o empréstimo.

Os registros encaminhados à CVM atribuem a esse mútuo um peso expressivo: o crédito corresponderia a 81,1% de todo o patrimônio líquido do Eagle Eye em abril de 2025. Isso significa que o empréstimo figurava como o principal ativo do fundo, indicando que a operação teria importância central tanto para a estrutura patrimonial do Eagle Eye quanto para a relação entre o fundo e a FRBS Participações, empresa responsável pela operação da Forbes Brasil.

Leia também: QI Tech perde na Justiça em processo de responsabilidade por pirâmide financeira

Divergência com a Junta Comercial

Os registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo mostram Antonio e Katarina Camarotti como titulares de 100% das ações da FRBS Participações S.A. Não há qualquer menção ao fundo Eagle Eye nesses documentos, o que abre uma divergência com o que está declarado pelo fundo na CVM. Ainda conforme a apuração, desde 2024 a FRBS realizou três assembleias de acionistas, todas convocadas e assinadas apenas por Antonio e Katarina, incluindo uma distribuição de dividendos de R$ 16 milhões aprovada no final de 2025.

A questão é que essa ausência de registro na Junta Comercial não anula, por si só, o que consta nos documentos enviados pelo próprio fundo à CVM. São duas bases documentais oficiais, de órgãos diferentes, dizendo coisas distintas sobre a mesma estrutura societária. Uma reportando o fundo como detentor de 100% das ações da FRBS, com valores e datas específicas. A outra simplesmente não mencionando o fundo.

Caso o Eagle Eye seja realmente o principal acionista da FRBS, esta manutenção apenas de Antonio e Katarina como sócios na junta comercial ajudaria a manter uma imagem de independência perante clientes, anunciantes e parceiros de mercado, o que pode ser importante especialmente quando o investidor é envolvido com grupos e operações que podem gerar desconfiança. 

O Eagle Eye era administrado pela Reag Investimentos, gestora investigada na operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado e liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano. Esse histórico não comprova irregularidade na relação com a Forbes, mas ajuda a explicar por que os números do fundo, incluindo a participação na FRBS, vinham sendo questionados.

O patrimônio declarado do Eagle Eye também oscilou de forma acentuada ao longo de 2025, segundo a apuração: saiu de R$ 143,9 milhões no início do ano, foi a R$ 891 milhões em março, disparou para R$ 5,5 bilhões entre setembro e novembro, e recuou para R$ 892 milhões em dezembro, após a primeira prisão de Daniel Vorcaro.

Mensagens indicam canal direto entre Vorcaro e Camarotti

Mensagens trocadas entre Vorcaro e sua ex-noiva, Martha Graeff, indicam contato direto entre o banqueiro e Antonio Camarotti. Em outubro de 2024, Vorcaro teria encaminhado a Martha uma mensagem de cumprimentos e identificado o autor como ligado à Forbes.

O que diz a Forbes

Em nota enviada no dia 16 ao Times Brasil | CNBC, Katarina Camarotti, diretora executiva da empresa e filha do CEO Antonio Camarotti, afirmou que os únicos sócios da companhia são ela e o pai, e que o Banco Master ou qualquer estrutura ligada ao grupo nunca deteve participação na FRBS. “Não há, nem nunca houve, qualquer outro sócio além de Antonio e Katarina, na estrutura da Forbes Brasil/FRBS, seja diretamente ou por meio de qualquer veículo de investimento”, disse a empresária.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Seguir no Google

A reportagem enviou novas perguntas à Forbes Brasil nesta sexta-feira (19), não respondidas até a publicação desta matéria.

O que a nota da Forbes não responde

A negativa da empresa resolve a pergunta sobre quem está na Junta Comercial, mas não explica por que um fundo ligado ao ecossistema do Banco Master declarou, em mais de um corte temporal e perante a CVM, deter a totalidade das ações da FRBS.

Também não esclarece a origem do mútuo conversível de R$ 100 milhões registrado pelo fundo, nem a previsão de compra de ações de Antonio Camarotti que constava do mesmo acordo.

Enquanto a CVM não se manifesta sobre o caso concreto, a contradição entre os documentos protocolados pelo Eagle Eye e a negativa pública da Forbes Brasil permanece sem explicação oficial de nenhuma das partes envolvidas.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Operações da PF