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Judiciário

Diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça tem histórico ligado ao caso Marielle Franco

Publicado 08/09/2026 • 12:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Almada liderou investigação que apontou obstrução no caso Marielle Franco.
  • Delegado recusou pedido de apoio a bloqueios nas eleições de 2022 na Bahia.
  • Carreira de Almada passa por Minas Gerais, Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro.
Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal

Reprodução TV Senado

Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal afastado pelo ministro André Mendonça, construiu carreira marcada pela atuação nas investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e pela recusa em apoiar ações de bloqueio nas eleições de 2022.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Almada, um dos dois atingidos pela decisão, construiu carreira marcada pela atuação nas investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e pela recusa em apoiar ações de bloqueio nas eleições de 2022.

A decisão aponta a produção de relatórios sigilosos sobre magistrados e sobre a advocacia pública, além de suposto monitoramento ilegal sobre o próprio Mendonça, conforme apurou o Metrópoles. O ministro também determinou à Corregedoria da PF a abertura de procedimentos penais e administrativo-disciplinares sobre o caso.

Leia também: AGU prepara recurso contra afastamento de Andrei Rodrigues e aponta invasão de competência de Lula

Formado em Direito pela UERJ, Almada foi militar antes de se tornar delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, cargo que ocupou entre 1997 e 2007. Ele entrou na Polícia Federal em 2008 e, mais tarde, assumiu a diretoria de Operações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre julho e setembro de 2020, período em que Mendonça ocupava a pasta da Justiça.

Ainda no governo Bolsonaro, Almada foi supervisor do Grupo de Investigações Ambientais Sensíveis entre 2020 e 2021. Na sequência, tornou-se superintendente regional da PF no Amazonas, no lugar do delegado Alexandre Saraiva, que havia enviado ao Supremo Tribunal Federal um pedido de investigação contra o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

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Almada negou apoio a bloqueios eleitorais em 2022

Em 2022, Almada foi designado superintendente da PF na Bahia. Antes do segundo turno das eleições daquele ano, recebeu o então ministro da Justiça, Anderson Torres, em uma reunião na qual, segundo relatos, Torres pediu apoio da corporação para operações de fiscalização e bloqueios que seriam feitos pela Polícia Rodoviária Federal, com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores até as urnas. A informação apurada pela reportagem de O Globo é que Almada recusou o pedido.

Investigação sobre caso Marielle leva Almada ao Rio

Com a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governo, Almada foi nomeado superintendente da PF no Rio de Janeiro e passou a liderar a investigação sobre a atuação de agentes da Polícia Civil fluminense no caso Marielle Franco. O inquérito concluiu que houve obstrução das investigações sobre o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, segundo a apuração. O então governador Cláudio Castro era contra a nomeação de Almada para o cargo.

Em dezembro de 2024, Almada foi nomeado diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal, posição que ocupava até o afastamento determinado por Mendonça.

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