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Vorcaro pagou juízes e políticos por “amizade” e resiste a aprofundar delação premiada
Publicado 03/06/2026 • 08:05 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 03/06/2026 • 08:05 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Foto: Master
Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tem dito aos seus advogados que os pagamentos feitos a políticos e autoridades públicas foram motivados por relações de “amizade”, sem exigência de contrapartidas. A postura ameaça travar o avanço de sua delação premiada, que, após ser rejeitada pela Polícia Federal, segue em negociação com a Procuradoria-Geral da República.
A lista de destinatários dos repasses do banqueiro inclui figuras de peso no cenário político e jurídico brasileiro. Entre eles estão dois ministros do Supremo Tribunal Federal.
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Uma empresa da família do ministro Dias Toffoli vendeu cotas de um resort de luxo no interior do Paraná para um fundo ligado ao Master. Já o nome do ministro Alexandre de Moraes aparece por meio de um contrato de prestação de serviços assinado entre o banco de Vorcaro e Viviane Barci, advogada e mulher do ministro.
Os dois vínculos financeiros com integrantes da mais alta corte do país estão no escopo das investigações conduzidas pela Polícia Federal sob relatoria do ministro André Mendonça no STF.
Vorcaro também destinou recursos para financiar o filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. As negociações financeiras dessa operação tiveram como intermediário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à disputa presidencial.
Além disso, o banqueiro contratou os serviços do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que ajudou a articular um encontro entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a entrega da primeira proposta de delação, a PF deflagrou novas fases da Operação Compliance Zero. Uma delas resultou em busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por suspeita de receber propina mensal de R$ 300 mil por meio de uma empresa da família. O senador negou as acusações e afirmou nunca ter recebido pagamentos de Vorcaro.
As informações sobre Nogueira, assim como outros fatos levantados nas fases posteriores da operação, não constavam na primeira proposta de delação entregue pela defesa do banqueiro.
A primeira proposta foi considerada insuficiente tanto pela PF quanto pela Procuradoria-Geral da República. A PF encerrou as negociações. A PGR, por sua vez, devolveu o documento e pediu complementações à defesa de Vorcaro.
Com a saída do advogado José Luís de Oliveira Lima, que conduzia as tratativas, o banqueiro passou a trabalhar em uma nova versão da proposta ao lado do criminalista Sérgio Leonardo, integrante de sua defesa desde o início das investigações.
Os agentes da PF avaliam que a investigação já avançou de forma independente, com base no celular de Vorcaro e em provas obtidas nas diversas fases da operação. Para os investigadores, uma proposta de delação só teria valor se trouxesse informações novas e outros caminhos de prova, o que, até o momento, não ocorreu.
Em paralelo, a defesa de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, tenta reverter sua prisão preventiva no STF. O caso está na Segunda Turma, na qual já votaram pela manutenção da prisão o relator André Mendonça e o ministro Luiz Fux. O ministro Gilmar Mendes pediu vista para analisar melhor o processo, o que a família interpreta como sinal de um possível voto divergente.
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Seguir no GoogleO desfecho depende ainda do voto de Nunes Marques. Em caso de empate, prevalece a decisão mais favorável ao investigado.
A prisão do pai gerou descontentamento interno e aumentou a pressão sobre Vorcaro para que aprofundasse as informações entregues aos investigadores. Foi esse clima que precipitou a saída do advogado anterior. Nos bastidores da defesa, a detenção de Henrique foi interpretada como sinal do fracasso da primeira tentativa de acordo.
Uma eventual soltura do pai, no entanto, reduziria a pressão sobre o banqueiro, o que, na avaliação de fontes próximas às negociações, pode enfraquecer ainda mais as perspectivas de um acordo robusto.
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