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Petróleo deixa para trás expectativas de US$ 140 e impacto em petroleiras deve vir no curto prazo, dizem analistas
Publicado 07/04/2026 • 22:34 | Atualizado há 1 uma semana
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Publicado 07/04/2026 • 22:34 | Atualizado há 1 uma semana
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Foto: Freepik
Petroleira
O anúncio de trégua entre Estados Unidos e Irã teve impacto imediato no mercado de energia e derrubou os preços dos contratos futuros de petróleo. Menos de uma hora depois do post do presidente dos EUA, Donald Trump, na Truth Social que confirmou o cessar-fogo, o preço do petróleo brent despencou 12,29%, a US$ 92,21, junto do WTI, que cedeu 16,28% US$ 94,56.
Segundo os especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC -, a percepção do mercado é que agora, de fato, as negociações de paz devem ir adiante à medida em que a fala do mandatário americano foi corroborada por autoridades do país persa.
Com a distensão do conflito, analistas esperam que os preços se mantenham em níveis mais controlados. “Depois de quase oito ameaças, a ideia é que não vai ter ataque sobre a infraestrutura iraniana nem um contra-ataque à Arábia Saudita e ao Catar. Não é como se a situação voltasse ao pré-guerra, mas evita um colapso que comprometeria as produção pelos próximos anos”, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Segundo o especialista, o gesto representa que evitou-se o pior, o que implica em uma alívio para os mercados financeiros: bolsas para cima, dólar para baixo e curvas de juros descomprimidas.
A tendência de acomodação deve persistir, mas com ressalvas importantes, segundo Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor. Ele lembra que o cessar-fogo é de apenas duas semanas, o que quer dizer que a tensão não foi resolvida, apenas pausada.
“Há também uma leitura política relevante: o acordo representa, na prática, uma concessão de Trump, que encontrou dificuldades em superar a capacidade defensiva iraniana. Isso enfraquece a posição americana e mantém a incerteza na mesa, o que deve evitar uma queda mais pronunciada e sustentada do barril”, afirma.
Ainda assim, a commodity não deve retornar aos patamares anteriores à guerra, na casa dos US$ 60, à medida que o terreno permanece arenoso, o fluxo ainda está prejudicado e a cadeia de suprimentos deve seguir tensionada. “Além disso, a demanda global por energia permanece robusta, especialmente da China e da Índia. A OPEP também tende a calibrar a produção para evitar quedas mais acentuadas, o que cria um piso natural para o barril”, continua Simão.
Conforme as tensões de guerra se acomodam, o petróleo tende a operar em patamares mais racionais. Para Simão, o momento pode ser um ponto de entrada para quem quer se aventurar no mercado da principal commodity.
“Empresas como Petrobras e PetroRecôncavo seguem com geração de caixa livre sólida e capacidade de remunerar bem o acionista. O investidor que busca renda e tem horizonte de médio prazo ainda encontra valor nessas teses, desde que monitore de perto a evolução das negociações com o Irã e o comportamento da OPEP”.
Ainda faz sentido investir em petróleo, mas não é mais aquele momento fácil de ganhar dinheiro rápido com a alta dos preços, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. “A valorização impulsionada por tensões geopolíticas já aconteceu em parte, então o ‘timing perfeito’ passou. Agora, o cenário é mais seletivo”, diz.
A distribuição de dividendos das petroleiras deve ser impactada marginalmente no curto prazo, via compressão de preço realizado, afirma o especialista, mas ainda em patamar elevado historicamente. “O impacto mais relevante é o aumento da volatilidade de receita e capex (investimentos nas empresas), que tende a tornar a política de proventos mais conservadora se o cenário de instabilidade persistir”, destaca.
Para ele, companhias deste setor operam confortavelmente com petróleo na faixa de US$ 60 a US$ 80, onde há equilíbrio entre geração de caixa, disciplina de capital e estabilidade de demanda. Acima disso, diz Sidney, o ganho marginal aumenta, mas com maior risco de destruição de demanda e intervenção política.
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