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Brasil está preparado para transformar ganhos do petróleo em crescimento de longo prazo?
Publicado 07/06/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 07/06/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 meses
Foto: Magnific
A alta do petróleo voltou a colocar o Brasil em uma posição favorável no cenário internacional. Como exportador da commodity, o país pode ampliar receitas e fortalecer parte das contas públicas em um momento marcado por incertezas econômicas globais.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o verdadeiro desafio não está apenas em arrecadar mais. A questão central passa por transformar ganhos temporários em investimentos capazes de gerar crescimento sustentável, produtividade e maior estabilidade econômica ao longo dos próximos anos.
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Apesar de ser um país com relação à exportação do material, a dependência da renda pode não ser um fator positivo. Entretanto, ainda assim, o país pode utilizar os momentos geopolíticos atuais para aumentar sua influência no mercado.
Para entender melhor sobre o assunto, Haroldo da Silva, presidente do Corecon-SP, explicou mais sobre as oportunidades de renda a longo prazo.
De acordo com ele, “o Brasil possui uma oportunidade importante de transformar a renda do petróleo em vetor de desenvolvimento de longo prazo, mas isso exige planejamento estratégico e visão de Estado; algo além de um plano único de um ou outro governo.”
Haroldo ainda destacou que o principal risco é a chamada “maldição dos recursos naturais”, observada em países que passaram a depender excessivamente das receitas do petróleo, reduzindo incentivos à diversificação produtiva, à industrialização e à inovação tecnológica.
“Há também riscos fiscais e cambiais relevantes, já que a volatilidade dos preços internacionais do petróleo pode afetar arrecadação, investimentos e estabilidade macroeconômica. A valorização excessiva do real, por exemplo, poderia ser fatal para o futuro da indústria”, destacou o especialista.
Mesmo sendo uma referência positiva no mercado de petróleo, o Brasil ainda caminha para aumentar a renda no setor. Entretanto, outros exemplos internacionais podem servir de base para que o país siga os mesmos passos.
Segundo Haroldo, o Brasil pode usar como referências países que estiveram em posições semelhantes. “A Noruega é um dos melhores exemplos internacionais. O país utilizou as receitas do petróleo para construir um robusto fundo soberano, transformando riqueza finita em patrimônio intergeracional. Mais do que apenas acumular recursos, a Noruega estruturou governança, previsibilidade e investimento de longo prazo”, disse.
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Siga o Times | CNBCAlém da Noruega, o especialista destaca que “o Alasca também tratou a descoberta de petróleo de forma adequada e pode nos trazer lições. O Brasil pode aprender com essas experiências, sobretudo na necessidade de fortalecer mecanismos de poupança pública, investimento em infraestrutura, educação, inovação e aumento da produtividade.”
A transição energética também aparece como uma das principais oportunidades para o Brasil transformar ganhos do petróleo em crescimento de longo prazo. Enquanto utiliza as receitas geradas pela commodity, o país pode ampliar investimentos em outras fontes.
Na visão de Haroldo da Silva, “a transição energética global, evidentemente, cria desafios adicionais. No entanto, certamente não comprometerá as transformações já em curso. A tendência é que, ao longo das próximas décadas, o petróleo perca parte relativa de sua centralidade na matriz energética mundial.”
O especialista ainda enfatiza que “isso tende a pressionar os preços da commodity para patamares estruturalmente mais baixos do que os atuais, embora dificilmente em níveis irrisórios, já que o petróleo continuará sendo estratégico para setores como petroquímica, logística, aviação e indústria pesada. O próprio histórico das crises do petróleo ensinou ao Brasil a importância da diversificação energética.”
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Dessa forma, apesar das alterações recentes no mercado global, o petróleo ainda segue mantendo sua importância e valor elevado.
Segundo Haroldo, “o petróleo pode, sim, ser um motor importante de crescimento econômico para o Brasil, mas dificilmente será suficiente sozinho. O desafio brasileiro é usar essa riqueza como instrumento de transformação estrutural da economia, ampliando complexidade produtiva, capacidade tecnológica e segurança energética, sem perder de vista a inevitável transição para uma economia mais sustentável.”
Com isso, as oportunidades envolvendo ganhos maiores e uma melhor estrutura em volta do petróleo podem colocar o Brasil em outro patamar econômico e social, desde que o processo seja feito de forma segura.
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