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Para FMI, Brasil deveria poupar receita extra vinda de alta nos preços do petróleo
Publicado 01/06/2026 • 12:35 | Atualizado há 1 uma semana
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Publicado 01/06/2026 • 12:35 | Atualizado há 1 uma semana
KEY POINTS
Olivier DOULIERY/AFP
Uma vista externa do prédio do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o logotipo do FMI, em 27 de março de 2020, em Washington, D.C. A pandemia do coronavírus levou a economia global a uma recessão que exigirá um financiamento maciço para ajudar os países em desenvolvimento, disse a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, em 27 de março de 2020.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que o Brasil avançou no esforço de melhora do quadro fiscal, mas cobrou continuidade e maior ambição para estabilizar a dívida pública, inclusive recomendando ao governo que poupe parte da arrecadação extra decorrente da alta nos preços do petróleo.
A avaliação faz parte da declaração de fim de missão da equipe do FMI que realizou, entre 18 e 29 de maio, as discussões da Consulta do Artigo IV com autoridades brasileiras.
“As autoridades tomaram medidas para melhorar a posição fiscal”, afirmou o chefe da missão do FMI, Daniel Leigh, defendendo que “reformas fiscais significativas são necessárias” para colocar a dívida pública “em uma trajetória firmemente descendente”.
Leia também: FMI, Banco Mundial e OMC alertam para esvaziamento recorde das reservas de petróleo
Entre as recomendações, o FMI citou a necessidade de poupar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo, ao mesmo tempo em que se ofereça apoio temporário e focalizado, além de mobilizar receitas e enfrentar a rigidez do gasto. Segundo o organismo, esse conjunto de medidas “aumentaria a credibilidade fiscal, reduziria custos de financiamento e criaria espaço para investimentos prioritários”.
O cenário externo entrou no radar do Fundo como fonte adicional de risco. Embora ressalte que o Brasil é “relativamente amortecido” contra a alta do petróleo por ser exportador líquido e pela forte participação de renováveis na matriz elétrica, o FMI apontou que os riscos para o crescimento “estão inclinados para baixo”, citando possível piora das tensões geopolíticas e condições financeiras mais apertadas. Ainda assim, destacou que “arcabouços de política fortes, sistema financeiro sólido, reservas adequadas e câmbio flexível continuam sustentando a resiliência.”
Leia também: Uso indevido de I.A. pode ameaçar estabilidade financeira mundial? Veja alerta do FMI
Em relação ao sistema financeiro, o FMI mencionou conclusões do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP), conduzido em paralelo, indicando que o setor segue “resiliente”, com bancos bem capitalizados e líquidos. A equipe recomendou “vigilância contínua”, especialmente para riscos no crédito às famílias, além de reforço na supervisão – incluindo medidas para enfrentar “escassez de pessoal” no BCB e fortalecer proteções legais.
Por fim, o Fundo avaliou que reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica avançam e podem elevar o potencial de crescimento. “Reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica estão apoiando as perspectivas de crescimento de médio prazo”, disse Leigh, defendendo continuidade nos esforços para melhorar o ambiente de negócios, fomentar a competição, aumentar a participação na força de trabalho e avançar na descarbonização com impactos sobre produtividade, investimento e crescimento inclusivo.
Leia mais: FMI: expectativas de inflação bem ancoradas devem ajudar América Latina no choque de petróleo
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