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Política Brasileira

PF aponta interferência política de Cláudio Castro em aportes bilionários no Banco Master

Publicado 26/05/2026 • 15:24 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A investigação aponta “sincronismo” entre encontros do ex-governador do Rio, Claudio Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro e os aportes financeiros feitos pelo fundo previdenciário fluminense.
  • Segundo a PF, houve mudanças estratégicas na diretoria do Rioprevidência para viabilizar investimentos supostamente feitos “em desconformidade” com normas regulatórias e alinhados aos interesses do Banco Master.
  • Castro foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça. É a segunda operação da PF contra o ex-governador em 11 dias.
Cláudio Castro

RODOLFO BUHRER/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro

As transferências de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master dependiam da atuação política do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, segundo a Polícia Federal. Ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero.

A PF suspeita de “vínculo próximo” e “alinhamento político” entre o ex-governador e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os termos foram usados no pedido enviado ao Supremo Tribunal Federal para autorizar a operação.

O Time Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, tentou contato com a defesa do ex-governador, mas não obteve resposta até a ppublicação desta reportagem.

Na decisão que autorizou aoperação, o ministro André Mendonça afirmou que Cláudio Castro “exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”.

A PF destacou o “sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do Regime Próprio de Previdência Social”. Também citou conversas encontradas no celular de Vorcaro. Segundo os investigadores, as mensagens indicam que a liberação de investimentos dependia de alinhamento político com o ex-governador.

Além de Castro, também foram alvo da operação o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues, o ex-gerente de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal e a ex-gerente de Controle Interno e Auditoria Fernanda Pereira da Silva Machado.

Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A reportagem busca contato com as defesas.

O Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar créditos de alto risco. Esses títulos são papéis de dívida emitidos pelo banco, sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e funcionam como empréstimos feitos por investidores à instituição.

A PF também apura aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos ligados ao Banco Master a partir de julho de 2024. Nesse modelo, os recursos são administrados por gestoras e aplicados em diferentes ativos, incluindo papéis do próprio banco. Somadas, as duas modalidades chegam a cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência.

Segundo a PF, “a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master”. Os investigadores apontam encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro. A PF também cita “elevada coincidência temporal” entre esses encontros e os aportes bilionários do fundo.

De acordo com a investigação, esse relacionamento “teria viabilizado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos”. A PF afirma ainda que houve “nomeação estratégica de dirigentes do RioPrevidência em cargos-chave”, incluindo presidência, diretoria e gerência de investimentos. Segundo os investigadores, isso garantiu que as decisões fossem conduzidas “em desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master”.

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É a segunda vez em 11 dias que o ex-governador é alvo de buscas da Polícia Federal. No dia 15, durante a Operação Sem Refino, que investiga ligações da gestão Castro com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do País, agentes apreenderam o celular e o tablet do ex-governador.

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