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Executivos de chips descartam freio na IA e veem demanda “quase ilimitada”

Publicado 12/07/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA) continua elevada, segundo executivos do setor.
  • Empresas passaram a avaliar com mais rigor os custos e o retorno financeiro dos investimentos em IA.
  • A volatilidade das ações de fabricantes de chips alimentou debates sobre o ritmo da expansão da tecnologia.

As ações de fabricantes de chips registraram uma forte alta ao longo do último ano, impulsionadas pela aposta dos investidores no papel central do setor de semicondutores na expansão global da infraestrutura de inteligência artificial (IA).

Mas a recente volatilidade desses papéis reacendeu o debate sobre se esse movimento representa um sinal de preocupação mais ampla com a demanda por IA.

Demanda segue elevada

Em entrevistas à CNBC nesta semana, diversos executivos do setor minimizaram a ideia de desaceleração da demanda, embora tenham reconhecido que as empresas estão mais cautelosas em relação ao custo do uso da IA.

“Eu considero que a demanda por IA é quase ilimitada”, disse Pat Gelsinger, ex-CEO da Intel e atualmente sócio-geral da Playground Global, à CNBC na quarta-feira (9), acrescentando que a disponibilidade de energia é “o único limitador real”.

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“Quanto valor econômico você obtém com o aumento da inteligência? É algo praticamente infinito em todos os setores imagináveis”, acrescentou Gelsinger.

Data centers ainda enfrentam limitações

Diversos fatores aumentaram a volatilidade das ações ligadas a chips e data centers para IA. Um dos principais foi o anúncio da Meta de que venderá sua capacidade excedente de computação para IA. Embora as ações da empresa tenham subido após a notícia, o movimento levantou dúvidas sobre uma possível sobrecapacidade de processamento no mercado. A xAI, de Elon Musk, também alugou sua capacidade excedente neste ano.

Também nesta semana, a Samsung, uma das maiores fabricantes de chips de memória do mundo, projetou um forte crescimento do lucro, mas viu suas ações caírem. Após acumularem alta superior a 360% nos últimos 12 meses, investidores passaram a questionar o potencial adicional de valorização.

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Nenhum desses movimentos, porém, parece ter reduzido a demanda por capacidade computacional e pela infraestrutura necessária para sustentá-la.

“O que estamos vivenciando em termos de demanda é extraordinário. Existe muito mais demanda do que conseguimos atender, e essa tem sido nossa realidade há algum tempo”, afirmou à CNBC, na quinta-feira (10), Marc Boroditsky, diretor de receitas da Nebius, empresa que constrói data centers utilizando GPUs da Nvidia.

Empresas buscam maximizar valor

Andrew Feldman, CEO da Cerebras Systems, afirmou que os casos da Meta e da xAI vendendo capacidade excedente são situações “únicas”.

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“Para o setor como um todo, a demanda por capacidade computacional supera em muito a capacidade disponível. Estamos com escassez de data centers e, como indústria, de vários insumos necessários para a computação”, disse Feldman à CNBC na quarta-feira (9).

A Cerebras, que abriu capital neste ano, faz parte de um grupo de startups de semicondutores que busca ganhar espaço no mercado de data centers e competir com a Nvidia.

A Rebellions, startup sul-coreana de chips apoiada pela Samsung e pela SK Hynix, relatou um cenário semelhante de forte demanda.

“O impulso da infraestrutura de IA continua enorme”, disse Sungyun Park, CEO da Rebellions, à CNBC na quarta-feira (9).

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“Eu, pessoalmente, não acredito que isso seja um sinal de que as hyperscalers estejam investindo em excesso em infraestrutura”, acrescentou Park, em referência às notícias envolvendo Meta e xAI.

A Lumentum, que vende produtos fotônicos e ópticos para conectividade em data centers, afirmou que toda sua produção já está vendida pelos próximos cinco anos.

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“Estamos tentando ampliar nossa capacidade o máximo possível para atender uma demanda que já conseguimos enxergar para os próximos cinco anos”, afirmou à CNBC na quarta-feira (9) Michael Hurlston, CEO da Lumentum.

As ações da Lumentum acumulam alta de cerca de 600% nos últimos 12 meses, impulsionadas pelo interesse dos investidores em empresas que ajudam a solucionar gargalos na expansão dos data centers voltados para IA.

Outro debate importante em torno da IA é quanto as empresas estão dispostas a gastar com essa tecnologia.

Houve um período conhecido como “tokenmaxxing“, em que companhias incentivavam seus funcionários a utilizar IA o máximo possível, independentemente do resultado. As ferramentas mais utilizadas eram de empresas como OpenAI e Anthropic.

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Agora, porém, as empresas passaram a concentrar maior atenção no retorno sobre o investimento, principalmente porque esses modelos de ponta continuam sendo mais caros do que alternativas de código aberto desenvolvidas por empresas como DeepSeek e Alibaba.

Segundo Marc Boroditsky, da Nebius, o “tokenmaxxing” só faz sentido se gerar retorno financeiro para a organização.

“O diretor financeiro reduzindo os gastos deveria, na verdade, estar buscando geração de valor, ou ‘valuemaxxing‘”, afirmou Boroditsky, acrescentando que a IA deve ser aplicada de forma a criar valor suficiente para justificar os investimentos.

“Estamos observando uma mudança para uma abordagem mais racional. Isso aconteceu em todos os ciclos tecnológicos, e essa racionalização certamente dará continuidade à demanda”, disse.

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Embora os modelos de IA de ponta sejam considerados os mais avançados, existem diversos modelos de código aberto com desempenho semelhante e outros voltados para aplicações específicas.

Feldman afirmou que, no futuro, diferentes modelos serão utilizados conforme a necessidade.

“Provavelmente você não precisa de um ônibus para ir ao supermercado”, disse.

“Determinadas cargas de trabalho migram para um tipo de capacidade computacional, enquanto tarefas mais simples utilizam outra. À medida que aprendermos e nos tornarmos mais sofisticados na implantação da IA, o mesmo acontecerá.”

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