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Preços de petróleo e derivados devem seguir altos mesmo com fim da guerra no Irã, diz diretora do FMI

Publicado 12/04/2026 • 18:37 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Choque de oferta reduz disponibilidade de petróleo e gás enquanto a demanda se mantém, sustentando a pressão sobre os preços.
  • Países importadores e economias de baixa renda são os mais afetados, com impacto desigual e efeito equivalente a perda de renda.
  • Alta da energia se espalha por cadeias produtivas e pode pressionar alimentos, enquanto danos à infraestrutura prolongam a recuperação do setor energético.

REUTERS/Denis Balibouse

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, participa da 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, na Suíça, em 20 de janeiro de 2026.

Os preços globais de energia devem permanecer elevados por um período prolongado, mesmo em caso de cessar-fogo na guerra envolvendo o Irã, segundo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva.

A avaliação ocorre no contexto das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Washington (EUA), onde a situação geopolítica tem papel central nas discussões. De acordo com Georgieva, a normalização do mercado energético deve ser gradual, devido a danos à infraestrutura e interrupções nas cadeias de suprimento.

O conflito provocou uma redução relevante na oferta global de petróleo e gás, caracterizando um choque negativo de oferta. Com a demanda mantida, a tendência é de pressão persistente sobre os preços. Parte da alta já foi incorporada, mas os efeitos persistem, diz Georgieva. 

“13% do petróleo e 20% do gás que circulariam no mundo agora estão parados há cinco semanas – e contando”, afirma. 

Os impactos são mais intensos em países importadores de energia e em economias com menor capacidade de absorver choques externos. Nações de baixa renda tendem a ser mais afetadas pelo aumento de custos. “Você tem menos energia, mas a demanda continua a mesma. O que acontece? Os preços sobem”, disse. “Todo mundo sente o aperto com a alta dos preços, ainda que de forma desigual entre países”, afirma.

A elevação dos preços de energia também gera efeitos indiretos sobre outros setores, como fertilizantes, transporte e logística, o que pode pressionar os preços de alimentos.

Nos Estados Unidos, o impacto tende a ser mais limitado, em razão da posição do país como exportador de energia. Ainda assim, o choque pode atrasar o processo de convergência da inflação à meta, inicialmente projetado para o início de 2027. Segundo ela, a alta de preços funciona como “um imposto sobre a renda”, com maior impacto sobre a população de baixa renda.

Além disso, os danos a instalações energéticas indicam consequências mais duradouras para a oferta. A recuperação da capacidade produtiva pode levar anos em alguns casos, especialmente em projetos de gás e em refinarias que dependem de operação contínua.

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