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Anatomia da alta: Petrobras e setor de energia e saneamento subiram mais que Ibovespa e são maiores responsáveis pelo recorde histórico
Publicado 12/04/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 12/04/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Tania Rêgo/Agência Estado
Logo após se dissipar a sombra de um agravamento da guerra no Oriente Médio, com as ameaças de Donald Trump de aniquilar o Irã superadas, a bolsa do Brasil viveu dias iluminados até bater 197.323,87 pontos no fechamento da última sexta-feira (10).
Um estudo detalhado sobre o desempenho do Ibovespa mostra que os ganhos vão além da valorização das duas maiores empresas do índice, a Petrobras (PETR3/PETR4) e a Vale (VALE3), e transborda para outros setores, com destaque para o de utilities, que contempla as empresas de energia e saneamento básico e responde pela maior alta setorial de 2026.
Utilities (UTIL): +26,18% (20.881 pontos)
Mid-Large (MLCX): +24,32% (4.033 pontos)
IBOVESPA (IBOV): +22,91% (197.323,88 pontos)
Dividendos (IDIV): +21,02% (13.681 pontos)
Financeiro (IFNC): +20,72% (20.631 pontos)
Imobiliário (IMOB): +18,21% (1.536 pontos)
Energia elétrica (IEEX): +17,77% (142.448 pontos)
Small Caps (SMLL): +11,10% (2.543 pontos)
Consumo (ICON): +9,03% (3.369 pontos)
Indústria (INDX): +6,22% (31.412 pontos)
Agro (AGFS): +5,21% (1.566 pontos)
Materiais básicos (IMAT): +4,38% (6.470 pontos)
Os ganhos robustos da bolsa estão atrelados principalmente às blue chips, empresas que lideram o Mid-Large (MLCX), índice o que detém as principais empresas da bolsa em termos de volume financeiro, com a Vale respondendo por mais de 13% do índice, seguida pelo Itaú com quase 9% e as ações da Petrobras, que respondem por quase 8% (PETR4) e 7% (PETR3). Axia, Sabesp, e Bradesco vêm em seguida, com participações entre 3 e 4%. Dentre essas empresas, o grande destaque — com folga — é a Petrobras. As ações ordinárias da companhia saltaram de R$ 32 para R$ 54 em pouco mais de quatro meses, alta de 67%. As preferenciais subiram 60%, de R$ 31 para os atuais R$ 49. A Vale também avança, mas com alta mais moderada que a do Ibovespa. A mineradora saltou 18% desde o começo do ano.
Tanto Petrobras quanto Vale (VALE3) compõem também o índice de maiores pagadoras de dividendos (IDIV), que tem as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) respondendo por quase 7% do índice, e as ordinárias (PETR3) detendo 2,49%. A Vale participa com cerca de 5% desse índice, assim como Cemig (CMIG4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), e Itaú (ITUB4). Os bancos sobem entre 12% e 17% no ano, resultado importante, mas também abaixo do índice geral da bolsa. Já a Cemig subiu impressionantes 24%.
A Companhia Energética de Minas Gerais também compõe os índices de Energia Elétrica (IEEX) e de Utilities (UTIL). Este último, que contempla serviços públicos como fornecimento de energia e saneamento, foi o que mais subiu em 2026 até o fechamento da sexta, com alta de mais de 26% no período. A Sabesp (SBSP3), com 20% do UTIL, é o maior nome e uma das responsáveis pela disparada do índice.
Desde o início de 2026, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo valorizou mais de 28% na bolsa. A Axia (AXIA3) — antiga Eletrobras e que possui cerca 18% de participação no índice de utilities — subiu quase 31% no mesmo período, contribuindo para que o índice de utilities fosse o de melhor desempenho neste ano.
Por outro lado, índices como o de Consumo (ICON) e Indústria (INDX) avançaram em ritmo muito mais modesto, 9% e 6%, respectivamente, ainda assim, bem acima da inflação do período (1,92%). No setor de consumo, os grandes nomes são Ambev (ABEV3), Localiza (RENT3) e Rede D’or (RDOR3). A Localiza avança 12% e a Rede D’or tem desempenho bem mais modesto, ganho de 2%. A Ambev se destaca no ano, com alta de 18%. A empresa de bebidas também compõem os índices do agro (AGFS) e do setor industrial (INDX). Este último tem também como destaques a WEG (WEGE3), principal nome do índice, que avança 9% em 2026, e a Embraer (EMBJ3), uma das poucas empresas de peso em queda no ano, com recuo de 2%.
O índice do agronegócio tem um dos desempenhos mais modestos por conta das altas poucas expressivas de dois dos seus principais papéis: Klabin (KLBN11), que sobe 2%, e Cosan (CSAN3), que avança 6%.
No final da lista está o índice de materiais básicos, que contempla commodities não energéticas. Nem o avanço forte da Vale no ano foi capaz de colocar o índice em lugar melhor, isso porque outros nomes importantes, como Gerdau (GGBR4), Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) não foram bem, com destaque negativo para as papeleiras. Desde o início de 2026, a Klabin recuou 0,16%, enquanto a Suzano desvalorizou 9%.
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Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.
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