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Protagonistas: Cuidado é diferencial competitivo na liderança, diz Ilana Trombka, diretora-geral do Senado
Publicado 06/11/2026 • 21:10 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 06/11/2026 • 21:10 | Atualizado há 1 hora
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Confiança, competência e cuidado são os três pilares de uma liderança capaz de produzir resultados sem perder de vista as pessoas, segundo Ilana Trombka, diretora-geral do Senado Federal. Em entrevista ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a gestora defendeu que o cuidado, frequentemente tratado como uma obrigação feminina, pode se transformar em uma qualidade decisiva no exercício do poder.
Servidora pública de carreira, doutora em administração de empresas e há quase 12 anos à frente da Diretoria-Geral do Senado, Ilana lançou o livro “Mulher, a liderança em 10 lições”. Na conversa, abordou desigualdades estruturais, os desafios de administrar uma instituição com quase 10 mil servidores e colaboradores, a resposta a situações de crise e o impacto da maternidade em sua trajetória.
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“Os dois primeiros, confiança e competência, qualquer líder tem que ter. Homens e mulheres competem absolutamente iguais em confiança e competência. O terceiro C é a tal do diferencial competitivo feminino, que é o cuidado”, explicou. Para ela, o diferencial surge quando a autoridade também oferece acolhimento: “Entre escolher um líder que é de confiança e competente e um líder que é de confiança, competente, que cuida, o que cuida sai lá na frente”, avaliou.
A diretora-geral descreveu o trabalho de bastidores que sustenta a atividade parlamentar. Sua área responde por serviços como polícia legislativa, tecnologia, treinamento, capacitação e atendimento médico, além da ordenação de despesas. “Uma cidade que eu não ia dizer pequena, mas uma cidade relevante”, comparou, ao explicar a dimensão da estrutura administrativa do Senado.
A chegada de novos parlamentares exige reorganizar gabinetes, equipes e serviços. Ilana afirmou que a administração prepara a ambientação dos eleitos, apresenta as opções de espaço e organiza o suporte necessário ao exercício dos mandatos. Segundo ela, a nova composição contará com 19 senadoras, marca que descreveu como recorde. “É um momento de reorganização da Casa. Vai passar, vai todo mundo ficar atendido”, assegurou.
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Ao comentar a relação entre gestão pública e iniciativa privada, Ilana argumentou que a quantidade de regras impõe ao setor público uma capacidade particular de planejamento e execução. “Eu consigo fazer tudo que uma empresa privada faz, eu consigo fazer melhor, porque de mim é exigido mais”, sustentou. Mas ressaltou que a relação não deve ser de superioridade: “Mais do que ensinar, a gente pode trocar”.
A aproximação entre Estado e empresas, afirmou, depende de respeito mútuo. “Tem o Estado, tem o setor produtivo e eles dependem um do outro. E quando eles aprendem a aprender um com o outro — e você só aprende com quem você respeita — a gente começa a fazer caminhos”, observou. A entrevistadora também mencionou uma economia de quase R$ 300 milhões na administração do Senado; Ilana associou a eficiência à capacidade de sua equipe de atuar dentro das exigências legais.
Embora tenha enfrentado resistência de pessoas pouco habituadas a responder a uma mulher, Ilana afirmou que os momentos mais difíceis da gestão não foram necessariamente ligados ao gênero. Em um episódio, contou ter dito a um subordinado que não aceitava sua autoridade: “Amigo, se você não é capaz, então entregue o seu cargo, porque eu não vou entregar o meu”. Para ela, a presença de mais mulheres em cargos de chefia contribui para naturalizar essas relações.
As experiências mais duras, porém, foram aquelas em que vidas estavam em risco. Ilana recordou um acidente com profissionais da TV Senado, no qual três colegas ficaram gravemente feridos. Um deles tornou-se tetraplégico e morreu seis anos depois. Ela relatou o esforço para manter uma pista de aeroporto em funcionamento além do horário habitual, permitindo a transferência de um dos feridos em UTI aérea. “Quem não ajuda atrapalha agora. Agora eu tenho que me concentrar e resolver as coisas. Depois eu choro, depois eu sinto”, relembrou.
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Siga o Times | CNBCA invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro foi outra experiência decisiva. Ilana contou que assumiu responsabilidades imediatas enquanto o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, estava fora do Brasil. “Eu só fui chorar depois que eu passei a situação para ele”, relatou. Naquele momento, disse, pôde finalmente sentir a dor de ver a instituição em que trabalha invadida e depredada.
Uma visita a um abrigo para mulheres marcou a criação de uma das políticas de inclusão da administração. Ilana contou ter conhecido a situação de uma mãe cuja filha havia sido vítima de estupro pelo empregador da família. A experiência a levou a refletir sobre a importância de oferecer meios de independência financeira às vítimas de violência. “É mais fácil você sair do ciclo da violência quando você tem autonomia. E o que eu podia fazer ali era oferecer autonomia”, argumentou.
Em 2016, o Senado adotou uma cota de contratação para mulheres vítimas de violência, iniciativa que, segundo Ilana, ajudou a inspirar previsão na nova Lei de Licitações, em 2021. “Eu criei porque primeiro porque eu podia, segundo porque eu percebi um terreno fértil, terceiro porque me parecia ser o correto”, explicou. A gestora afirmou que a política começou atendendo dezenas de mulheres e ganhou escala com a disseminação do modelo.
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O compromisso com a inclusão também aparece em seu livro, escrito em apenas três semanas, após uma década de experiências acumuladas. “Eu vivi 10 anos para escrever em três semanas”, resumiu. A obra reúne uma parte conceitual, dez lições baseadas em episódios pessoais e uma seção dirigida também às mulheres que não desejam ocupar posições de comando.
Ilana disse que fez questão de explicar as barreiras estruturais porque muitas profissionais interpretam dificuldades de progressão na carreira como fracasso individual. “A minha carreira estagnou no nível gerencial. Sou eu que estou fazendo uma coisa errada. Não, não é”, exemplificou. Para ela, conhecer os estudos sobre desigualdade ajuda a compreender que os obstáculos não se resumem ao desempenho de cada mulher.
Mãe de dois filhos, Ilana rejeitou a ideia de que a mulher deva escolher entre a carreira e a maternidade. Ela comparou o cuidado com um recém-nascido à capacidade de um gestor de lidar com o imprevisível. “O bom gestor é o que sabe lidar bem com os fatores controláveis, mas o excelente gestor é o que sabe lidar com os fatores incontroláveis”, afirmou. Na sua avaliação, a maternidade desenvolve habilidades que o mercado de trabalho nem sempre reconhece.
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A diretora-geral não minimizou as renúncias envolvidas em uma carreira de liderança. Lembrou que, quando assumiu o cargo, frequentemente chegava em casa depois que a filha caçula já estava dormindo. Anos depois, ouviu da adolescente que sentia orgulho de sua trajetória. “Parece que meu coração rasgava de dizer: ‘Será que vale a pena tudo isso?’”, recordou. Ao receber o reconhecimento da filha, concluiu: “Sim, valeu a pena, porque hoje ela tem orgulho”.
Na avaliação de Ilana, a disposição para cuidar não deve ser vista apenas como um peso. “Cuidar significa afeto, significa dedicação. E as pessoas gostam de ser cuidadas em casa, no mercado de trabalho”, destacou. Ela atribuiu parte de sua permanência na Diretoria-Geral à atenção que dedica às pessoas, de colaboradores terceirizados a senadores.
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Ao definir o que significa protagonizar a própria história, Ilana relacionou liderança à autonomia sobre as escolhas. “Ser protagonista é poder construir o meu caminho. É saber que os passos que eu dou vêm dos meus propósitos e não dos propósitos que os outros fizeram por mim”, refletiu. E encerrou com uma ideia que sintetiza o livro e sua trajetória: “Minha filha tem orgulho de mim, é o máximo, mas melhor ainda é eu ter orgulho de mim”.
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