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Primeiro lançamento comercial de foguete no Brasil põe o país no mapa aeroespacial global
Publicado 13/12/2025 • 12:42 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 13/12/2025 • 12:42 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Foto: INNOSPACE
Foguete HANBIT-Nano
O Brasil se prepara para o primeiro voo comercial de foguete realizado a partir do território nacional. A missão está programada para 17 de dezembro na Base de Alcântara, no Maranhão, com o lançamento do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da start-up Innospace. A operação levará cinco satélites e três dispositivos experimentais para pesquisas desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia, representando uma oportunidade inédita de inserção do país no mercado global de lançamentos espaciais.
O foguete HANBIT-Nano
Com 21,9 metros de altura, peso de 20 toneladas e 1,4 metro de diâmetro, o HANBIT-Nano pode atingir 30 mil km/h em cerca de três minutos, velocidade necessária para entrar em órbita da Terra. O lançamento ocorre em dois estágios: o primeiro fornece o impulso inicial com motores híbridos, que combinam combustível líquido e sólido, e o segundo transporta os satélites até a órbita, protegidos por uma coifa. A tecnologia híbrida permite ajustes de potência em tempo real, tornando o processo mais seguro e econômico.
Entre os dispositivos que serão levados ao espaço estão os satélites Jussara-K, FloripaSat-2A e 2B e PION-BR2, responsáveis pela coleta de dados ambientais, validação de comunicação em órbita e transporte de mensagens de estudantes da rede pública de Alcântara. Outros equipamentos incluem o satélite SNI-GNSS, monitor de fenômenos solares Solaras-S2 e sistema de navegação inercial (INS), voltados ao desenvolvimento de novas tecnologias espaciais.
Base de Alcântara: localização estratégica
Inaugurada em 1983, a Base de Alcântara está próxima à linha do Equador, o que permite lançamentos com menor consumo de combustível e maior eficiência orbital. A baixa densidade de tráfego aéreo e a variedade de inclinações orbitais possíveis tornam o local competitivo para lançamentos comerciais. Apesar disso, a base esteve subutilizada por décadas, devido ao acidente com o foguete VLS-1 em 2003, que matou 21 pessoas, e a disputas fundiárias com comunidades quilombolas. Em 2024, o governo federal definiu a delimitação das áreas e reconheceu 78,1 mil hectares como território quilombola, enquanto 12,6 mil hectares permanecem destinados à Base de Alcântara.
Impacto comercial e futuro do setor
O lançamento do HANBIT-Nano marca o início de uma nova fase para o Programa Espacial Brasileiro. Com a criação da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada), será possível negociar contratos com empresas privadas e cobrar taxas de lançamento, posicionando o Brasil como concorrente internacional no mercado de foguetes comerciais. O sucesso da missão deve gerar oportunidades de investimento, emprego e inovação tecnológica, fortalecendo a presença do país na indústria espacial global.
Cerca de 500 profissionais civis e militares estão mobilizados para a operação, que poderá ser acompanhada a olho nu em Alcântara e em partes de São Luís, representando uma oportunidade única de observar de perto a inserção do Brasil no mercado de lançamentos espaciais.
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