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Vendas do Mounjaro disparam; especialista alerta para riscos e efeitos colaterais

Publicado 31/07/2026 • 14:30 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • A demanda pelo medicamento levou a empresa a ampliar o abastecimento no país após dificuldades iniciais para atender aos pedidos.
  • O Mounjaro não deve ser tratado como uma solução estética ou utilizado apenas por pessoas que desejam perder alguns quilos.
  • A tirzepatida também melhora a liberação de insulina e reduz a produção de glucagon quando os níveis de glicose estão elevados.

Foto: Unsplash

Vendas do Mounjaro disparam; especialista alerta para riscos e efeitos colaterais

Em seu primeiro ano de comercialização no Brasil, o Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida da farmacêutica Eli Lilly, alcançou cerca de 3 milhões de usuários e movimentou R$ 13,5 bilhões em vendas.

O resultado, registrado desde a chegada do produto ao mercado nacional em maio de 2025, superou as expectativas iniciais da empresa e colocou o Brasil entre as dez maiores operações da companhia no mundo.

O crescimento acelerado da procura, principalmente para tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, também aumentou o debate sobre indicação correta, acompanhamento médico e possíveis riscos associados ao uso.

Segundo dados divulgados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a demanda pelo medicamento levou a empresa a ampliar o abastecimento no país após dificuldades iniciais para atender aos pedidos.

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O avanço acompanha a expansão global da categoria dos chamados agonistas de GLP-1, medicamentos que atuam em mecanismos relacionados à saciedade, controle da glicose e redução do apetite.

Apesar da popularização das canetas para emagrecimento, especialistas reforçam que o Mounjaro não deve ser tratado como uma solução estética ou utilizado apenas por pessoas que desejam perder alguns quilos.

Indicação médica depende do perfil do paciente

O médico Dr. Gilson Hiroshi, especialista em Medicina Integrativa e Regenerativa, com atuação em obesidade e saúde metabólica em Dubai, explica que a indicação da tirzepatida deve seguir critérios clínicos e considerar o histórico de cada paciente.

De acordo com o Hiroshi, o medicamento pode ser indicado para pessoas com diabetes mellitus tipo 2, adultos com obesidade, definida pelo índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m², e adultos com sobrepeso, com IMC igual ou superior a 27 kg/m², quando existem doenças associadas ao excesso de peso, como hipertensão, alterações do colesterol, apneia do sono, doenças cardiovasculares, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

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“O tratamento precisa considerar contraindicações, tolerabilidade, risco de perda de massa muscular, histórico clínico, medicamentos utilizados e a necessidade de acompanhamento prolongado. O Mounjaro não deve ser apresentado como uma solução estética ou indicado apenas pelo número da balança”, afirma o médico.

caneta de mounjaro
Foto: MKPhoto / stock.adobe.com

Para o especialista, o acompanhamento profissional durante todo o tratamento é fundamental para ajustar doses, avaliar resultados e identificar possíveis complicações.

“Esse acompanhamento não é apenas uma formalidade. Ele permite selecionar corretamente o paciente, ajustar a dose, monitorar a resposta e reconhecer precocemente possíveis complicações”, explica.

Como o Mounjaro age no organismo?

O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma medicação aplicada uma vez por semana. Sua ação ocorre por meio da imitação de dois hormônios produzidos naturalmente pelo intestino, o GIP e o GLP-1, que participam do controle da glicose, da fome e da saciedade.

Segundo o especialista, a substância atua aumentando a sensação de saciedade, reduzindo a fome, diminuindo a quantidade de alimentos ingeridos e tornando o esvaziamento do estômago mais lento, principalmente no início do tratamento.

A tirzepatida também melhora a liberação de insulina e reduz a produção de glucagon quando os níveis de glicose estão elevados.

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“O medicamento não queima gordura diretamente. A perda de peso acontece porque ele modifica sinais relacionados ao apetite, à saciedade e ao metabolismo, facilitando uma redução da ingestão calórica”, explica Hiroshi.

A resposta ao tratamento varia entre os pacientes e tende a acontecer de forma progressiva. O especialista destaca que os melhores resultados aparecem quando o medicamento faz parte de uma estratégia que inclui alimentação adequada, atividade física, sono equilibrado e preservação da massa muscular.

Sintomas do uso de Mounjaro

Os efeitos adversos mais comuns do Mounjaro estão relacionados ao sistema gastrointestinal. Náuseas, sensação de estômago cheio, refluxo, constipação, diarreia e vômitos podem ocorrer principalmente no início do tratamento ou após aumentos de dose.

Segundo Hiroshi, a adaptação gradual costuma melhorar a tolerância ao medicamento.

“Uma titulação mais lenta, associada à adaptação do volume e da composição das refeições, costuma favorecer a tolerabilidade”, afirma.

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O médico alerta que sintomas intensos podem provocar consequências mais graves. Quando vômitos ou diarreia são intensos, podem ocorrer desidratação, alterações nos eletrólitos e comprometimento da função renal.

“O risco merece atenção especial em idosos, pacientes com doença renal, pessoas que utilizam diuréticos ou que têm dificuldade para manter uma ingestão adequada de líquidos”, explica.

Outro ponto de atenção é a vesícula biliar. A perda rápida de peso pode estar associada ao surgimento de cálculos ou inflamações nessa região. “Dor forte no lado superior direito do abdome, febre, vômitos ou pele amarelada exigem avaliação médica”, alerta.

A pancreatite aguda é considerada uma complicação incomum, mas que pode ser grave.

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“Dor abdominal intensa e persistente, principalmente quando se espalha para as costas e vem acompanhada de náuseas ou vômitos, requer atendimento imediato”, afirma o especialista.

Perda de massa muscular exige atenção

Um dos pontos destacados pelo médico durante tratamentos para obesidade é a preservação da massa muscular. A redução de peso pode envolver perda de gordura, mas também de tecido muscular quando não existe uma estratégia adequada. Para lidar com esse efeito, o especialista recomenda a ingestão correta de proteínas e exercícios físicos durante o tratamento.

Dr Hiroshi ressalta que o acompanhamento não deve avaliar apenas a balança. É necessário observar alimentação, força muscular, atividade física, sono, hidratação, função intestinal, exames metabólicos e composição corporal. O treinamento de força e uma dieta individualizada ajudam a manter a capacidade funcional durante o processo de emagrecimento.

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Também existem relatos de queda de cabelo durante o uso do medicamento. Segundo o médico, nem sempre esse efeito está diretamente relacionado à medicação.

“O paciente com obesidade já apresenta diversas alterações metabólicas e funcionais que podem se manifestar ao longo da vida e coincidir com o período de uso do medicamento. Em alguns casos, podem ser consequências da própria obesidade e não necessariamente efeitos causados pelo tratamento”, afirma.

Uso prolongado pode ocorrer quando existe necessidade médica

Com o aumento da procura, uma das principais dúvidas é se o Mounjaro pode ser utilizado por longos períodos. Segundo Hiroshi, a resposta depende da avaliação médica.

“Sim, o medicamento pode ser considerado de longo prazo quando o paciente possui uma necessidade médica. A obesidade é uma das doenças mais importantes deste século, mas a decisão de manter ou interromper o tratamento deve sempre ser feita pelo médico”, afirma.

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O especialista destaca que nenhum tratamento possui risco zero. Mas, utilizando a avaliação clínica e o bom senso médico, o profissional pode indicar o uso prolongado de uma medicação quando os benefícios superam os riscos.

Quem não deve utilizar Mounjaro?

O medicamento não é indicado para todas as pessoas. Segundo o especialista, pacientes com alergia grave à tirzepatida ou aos componentes da fórmula não devem utilizar a medicação.

Também existem restrições para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Mulheres grávidas, pessoas tentando engravidar e pacientes que utilizam anticoncepcionais orais precisam de avaliação específica antes do início do tratamento.

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Foto: Unsplash

O médico também destaca que alguns grupos precisam de acompanhamento mais cuidadoso, como pacientes com histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais graves, gastroparesia, problemas na vesícula, doença renal, uso de insulina ou medicamentos que aumentam risco de hipoglicemia.

Pessoas com retinopatia diabética, transtornos alimentares, fragilidade, perda importante de massa muscular ou que passarão por cirurgias também precisam de análise individualizada.

“O Mounjaro não substitui a insulina e não é indicado para diabetes tipo 1 ou cetoacidose diabética. A decisão deve ser baseada na relação entre benefícios e riscos de cada paciente”, afirma Hiroshi.

Obesidade é uma doença e não apenas uma questão estética

O crescimento dos medicamentos para controle do peso também trouxe discussões sobre a forma como a obesidade é encarada pela sociedade.

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Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, o excesso de peso esteve relacionado a milhões de mortes no mundo em 2021, principalmente por doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras complicações associadas.

Para encerrar, o Dr. Gilson Hiroshi afirma que reconhecer a obesidade como uma doença é fundamental para ampliar o acesso ao tratamento adequado.

“A obesidade é uma doença que exige cuidado médico. Tratar o problema apenas como uma questão estética pode atrasar o diagnóstico e aumentar os riscos para a saúde pública”, afirma.

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Com a expansão do Mounjaro no Brasil, o médico reforça que o medicamento representa uma nova ferramenta no tratamento da obesidade e do diabetes, mas seus resultados dependem de indicação correta, acompanhamento profissional e mudanças sustentáveis no estilo de vida.

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