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Sete em cada 10 alunos do ensino médio usam IA generativa em pesquisas, mas orientação escolar ainda é limitada
Publicado 16/09/2025 • 13:47 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 16/09/2025 • 13:47 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
Unsplash.
Sete em cada dez estudantes brasileiros do ensino médio que têm acesso à internet recorrem a ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, como ChatGPT e Gemini, para realizar pesquisas escolares. No entanto, apenas 32% receberam algum tipo de orientação nas escolas sobre o uso seguro e responsável dessa tecnologia.

Os dados constam da 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta terça-feira (16) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), responsável por implementar projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Entre os estudantes do ensino fundamental e médio, 37% afirmaram utilizar ferramentas de IA em suas pesquisas. A proporção sobe para 39% entre os anos finais do fundamental e chega a 70% entre os alunos do ensino médio. “O dado evidencia novas práticas de aprendizagem adotadas pelos adolescentes”, afirmou Daniela Costa, coordenadora do estudo, ressaltando que tais recursos exigem novas formas de lidar com a linguagem, curadoria de conteúdos e compreensão da informação.

As escolas estão começando a se adaptar a esse cenário, debatendo com pais e responsáveis o uso da IA pelos alunos. Segundo a pesquisa, 68% dos gestores realizaram reuniões com professores e funcionários, e 60% com pais e responsáveis sobre o uso de tecnologias digitais, incluindo regras sobre celulares e, em 40% dos casos, sobre ferramentas de IA.
Apesar do uso crescente da IA, poucos estudantes receberam orientação formal. “Essas práticas de busca de informações trazem novas demandas para as escolas, como orientar sobre integridade da informação, autoria e avaliação de fontes”, explicou Daniela. “Também é fundamental que os alunos aprendam a usar a IA para construir conhecimento e não apenas considerar respostas prontas como definitivas.”

Celulares e conectividade nas escolas
A pesquisa indica mudanças no uso de celulares dentro das escolas, impulsionadas pela Lei 15.100, de janeiro de 2024. Em 2024, 39% das instituições proibiam o uso do aparelho, contra 28% em 2023, e 56% permitiam apenas em espaços e horários específicos, ante 64% no ano anterior. A redução foi mais acentuada em escolas rurais, municipais e privadas.
O estudo também mostrou que 96% das escolas brasileiras têm acesso à internet, com aumento significativo em escolas municipais (71% em 2020 para 94% em 2024) e rurais (52% para 89%). No entanto, desigualdades persistem: apenas 27% dos alunos da rede municipal usam a internet para atividades escolares, contra 67% nas estaduais. A disponibilidade de computadores para os estudantes também é limitada, especialmente em áreas rurais e municipais pequenas, passando de 46% em 2022 para 33% em 2024.

Formação docente
A pesquisa aponta queda na participação de professores em cursos de formação sobre tecnologias digitais: de 65% em 2021 para 54% em 2024, sendo mais pronunciada na rede municipal (62% para 43%). Daniela Costa destacou que essa formação é essencial para orientar os alunos sobre o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais, incluindo IA. Entre os docentes que participaram de desenvolvimento profissional, 67% afirmaram que as atividades contribuíram para melhorar a orientação aos alunos sobre essas ferramentas.
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