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Quem é o irmão de Ciro Nogueira alvo da PF em investigação sobre Banco Master

Publicado 07/05/2026 • 17:57 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Raimundo Nogueira foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, que apura crimes ligados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
  • A PF afirma que ele atuava no núcleo operacional de uma empresa usada para dissimular repasses financeiros a Ciro Nogueira.
  • O STF impôs medidas cautelares contra Raimundo, mas não decretou sua prisão neste momento.

Reprodução

Raimundo Nogueira é irmão de Ciro Nogueira

O empresário Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi alvo nesta quinta-feira (7) da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos dois irmãos. Raimundo é casado, pai de dois filhos e administrador da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa que, segundo os investigadores, teria sido usada como “mecanismo dissimulado” para repassar vantagens financeiras a Ciro Nogueira.

De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a operação, Raimundo integra o núcleo operacional da CNLF. O ministro André Mendonça, relator do caso, afirmou que a atuação dele, em análise preliminar, “não é acidental ou superveniente”, mas voltada a dar “forma jurídica e cobertura documental” à operação investigada.

Leia também: Compliance Zero: Master redigiu emenda, levou à casa de Ciro Nogueira e Vorcaro celebrou: ‘saiu exatamente como mandei’

PF mira compra de participação em empresa

As investigações apontam que a CNLF comprou 30% da Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão. A PF, porém, sustenta que essa fatia teria valor de mercado próximo de R$ 13 milhões e que a operação teria sido viabilizada por Vorcaro.

Para os investigadores, a diferença entre o preço pago e o valor estimado das ações indica uma possível operação para transferir vantagem econômica a Ciro Nogueira.

A decisão afirma que Raimundo passou oficialmente a administrar a CNLF em dezembro de 2024, mas que seu nome já aparecia em contrato firmado meses antes, em abril daquele ano.

A PF também diz que Raimundo tinha controle sobre documentos societários, registros contábeis e fluxos financeiros da empresa. Segundo a investigação, essa posição poderia permitir ocultação ou alteração de provas e atuação coordenada com outros investigados, incluindo Vorcaro.

“Em juízo de cognição não exauriente, sua posição funcional não é acidental ou superveniente, mas voltada a conferir forma jurídica e cobertura documental à operação apontada como mecanismo dissimulado de transferência de vantagem econômica ao núcleo político investigado”, escreveu Mendonça.

STF impõe cautelares a Raimundo

O STF determinou medidas cautelares contra Raimundo, como proibição de contato com outros alvos da operação, impedimento de deixar o Brasil e uso de tornozeleira eletrônica.

Na decisão, Mendonça afirmou que as medidas são necessárias para “neutralizar riscos concretos à instrução” da investigação e evitar eventual continuidade das práticas apuradas.

Apesar disso, o Supremo entendeu que, neste momento, não havia necessidade de decretar prisão cautelar contra Raimundo. A defesa dele ainda não se manifestou.

Investigação aponta suposta ‘mesada’ a Ciro Nogueira

Segundo a investigação, Ciro Nogueira teria “instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar” em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

A decisão de Mendonça afirma que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. De acordo com a apuração, “há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil”.

Os investigadores também apontam que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.

Entre os gastos citados estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação também menciona a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.

“A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, diz a PF.

A PF encontrou no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.

Leia também: Quem é Felipe Vorcaro, preso na nova fase da Operação Compliance Zero

Defesa de Ciro nega irregularidades

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira repudiou “qualquer ilação de ilicitude” sobre as condutas do senador, especialmente em sua atuação parlamentar.

A defesa afirmou ainda que o senador está comprometido em contribuir com a Justiça para esclarecer que não teve participação em atividades ilícitas nem nos fatos investigados.

Os advogados também disseram que medidas investigativas graves e invasivas baseadas em “mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”, podem se mostrar precipitadas e devem passar por controle de legalidade nas Cortes Superiores.

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