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Questões políticas e de imagem podem prolongar restrição à carne brasileira, avalia Guilherme França

Publicado 11/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora

A restrição à carne brasileira na Europa pode durar mais do que o período necessário para adaptar os produtos às novas exigências, porque a discussão envolve também fatores políticos e de imagem. A avaliação é de Guilherme França, sócio da Intrust Associates, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

A Noruega anunciou que suspenderá, a partir de 3 de setembro, a entrada de produtos de origem animal provenientes do Brasil, acompanhando uma decisão adotada pela União Europeia.

França explica que, embora não faça parte da União Europeia, a Noruega integra o Espaço Econômico Europeu, onde as regras para a importação de produtos agrícolas são uniformizadas.

“Eu diria que a Noruega não teve muita alternativa a não ser seguir o que a União Europeia está fazendo”, afirmou França.

Leia também: Noruega suspenderá importações de carne do Brasil em setembro após decisão da União Europeia

Restrição pode durar mais

Segundo o executivo, o estoque brasileiro destinado à exportação e afetado pelas restrições iria até outubro. A partir daí, teoricamente, já haveria lotes adequados às novas exigências.

Ele pondera, porém, que a retomada não depende apenas da adaptação técnica dos produtos e do processo de produção. Fatores políticos e de imagem também podem influenciar o processo.

“Esse ciclo pode ser muito mais longo do que a gente espera”, disse.

Medida não é vista como perseguição

França observa que a União Europeia e o Espaço Econômico Europeu adotam exigências rigorosas quanto à qualidade e aos insumos utilizados na produção agrícola e alimentar.

Na avaliação dele, a medida não representa uma retaliação específica ao Brasil. A discussão, segundo o sócio da Intrust Associates, deriva de uma norma europeia aprovada em 2019 e com entrada em vigor prevista para 2027.

Ele acrescenta que a indústria teve um período para se adaptar, embora questões políticas ainda possam influenciar a condução do processo.

“Eu não vejo uma perseguição em relação à carne, mas vejo, sim, tendências de mercado”, afirmou.

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Efeito cascata é improvável

O sócio da Intrust Associates não espera que a decisão da Noruega leve automaticamente outros mercados a adotar restrições semelhantes.

Segundo ele, países fora do Espaço Econômico Europeu, como a Arábia Saudita, seguem regras próprias e não necessariamente adotarão a medida europeia como referência.

França também considera que as exigências observadas na Europa refletem tendências mais amplas de consumo e regulação, envolvendo não apenas a carne, mas também insumos agrícolas, fertilizantes e produtos transgênicos.

Negociações seguem em curso

O executivo afirma que há negociações entre o Brasil e a União Europeia, embora boa parte das conversas ocorra nos bastidores diplomáticos, econômicos e governamentais.

Há, segundo ele, uma divergência quanto ao envio de informações entre as partes.

“O grande desencontro de conversas é que a União Europeia disse que o Brasil deve informações e o Brasil diz que entregou as informações supostamente em atraso”, afirmou.

Ele diz esperar que a situação seja resolvida e que as exportações sejam liberadas novamente.

China tem dinâmica diferente

Ao comentar as restrições adotadas pela China, França diferencia a situação daquela enfrentada no mercado europeu.

Segundo ele, o mercado chinês combina forte demanda por alimentos com mecanismos de cotas e tarifas de importação.

O executivo avalia que pode haver espaço para uma renegociação do volume dessas cotas em prazo mais curto, já que uma alteração desse tipo tende a exigir menos tempo do que a negociação de um acordo comercial mais amplo.

Para França, as questões envolvendo a China e a Europa têm naturezas diferentes e exigem leituras distintas.

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