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Recorde de liquidações do BC não indica crise sistêmica, diz economista

Publicado 08/09/2026 • 14:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O recorde de liquidações extrajudiciais decretadas pelo BC em 2026 ainda não representa uma crise sistêmica no sistema financeiro brasileiro, mas aumenta o risco de contágio por perda de confiança e exige maior rigor regulatório.
  • A avaliação é de Tatiana Goes, economista-chefe da Silo Multi Family Office, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
  • O Banco Central já decretou 17 liquidações extrajudiciais neste ano, o maior número anual desde 2002.

O recorde de liquidações extrajudiciais decretadas pelo Banco Central em 2026 ainda não representa uma crise sistêmica no sistema financeiro brasileiro, mas aumenta o risco de contágio por perda de confiança e exige maior rigor regulatório. A avaliação é de Tatiana Goes, economista-chefe da Silo Multi Family Office, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O Banco Central já decretou 17 liquidações extrajudiciais neste ano, o maior número anual desde 2002. Segundo as informações apresentadas durante a entrevista, 11 dessas instituições têm algum tipo de ligação com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Para Tatiana, o principal risco neste momento não está necessariamente na capacidade financeira das instituições, mas na confiança dos investidores. A sucessão de casos envolvendo antigos sócios, fundos, administradores e operações relacionadas pode levar o mercado a questionar se existem outros vínculos ainda não identificados.

Leia também: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Conglomerado Entrepay

Segundo a economista, o Banco Central busca construir uma espécie de “cordão sanitário” em torno de instituições e estruturas conectadas ao problema para evitar que uma crise de governança evolua para uma crise de confiança no sistema financeiro.

Liquidez e solvência

A avaliação de risco mudaria caso problemas de liquidez ou solvência passassem a atingir instituições maiores e bancos sem relação direta com o mesmo ecossistema.

Tatiana também aponta outros sinais que poderiam indicar uma deterioração mais ampla do sistema, como uma retirada generalizada de depósitos, fechamento do mercado interbancário ou aumento expressivo do custo de captação.

No caso das instituições Trusty e Banvox, citadas durante a entrevista, a economista destaca a baixa representatividade no sistema financeiro. Segundo os dados mencionados, as duas juntas correspondem a menos de 0,01% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional, o que limita, isoladamente, a capacidade de provocar um efeito dominó.

Leia também: Banco Central decreta liquidação extrajudicial de Trustee e Banvox, de ex-sócio de Vorcaro, em São Paulo

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Regulação e confiança

Na avaliação de Tatiana, a atuação do Banco Central tem sido direcionada não apenas a impedir a transmissão dos problemas entre instituições, mas também a reforçar os padrões de governança e compliance do setor.

A economista citou o uso da Lei 6.024, que estabelece regras para intervenções e liquidações extrajudiciais de instituições financeiras, em situações como comprometimento econômico-financeiro grave, violação de normas ou risco anormal aos credores.

Para ela, o movimento pode levar as instituições reguladas a adotar controles mais rigorosos, com o objetivo de reduzir o risco de novos problemas contaminarem o sistema financeiro.

Tatiana também chamou atenção para o comportamento dos investidores diante de ofertas de rentabilidade muito acima da média. Na avaliação dela, o desconhecimento sobre o funcionamento do mercado financeiro pode contribuir para decisões de investimento baseadas mais na promessa de retorno do que na análise dos riscos.

Leia também: Por que o Banco Central diz que a liquidação do Master não gerou risco sistêmico?

“O que fica de lição para nós, leigos, que consumimos no mercado financeiro, é que a gente tem que sempre lembrar daquele conselho que com certeza ouvimos na família no passado: esmola demais, o santo desconfia”, afirmou, ao defender maior cautela diante de produtos que prometem ganhos muito superiores aos praticados pelo mercado.

A economista também destacou a importância de compreender os limites da proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo ela, o mecanismo oferece proteção dentro de regras específicas, mas não significa uma cobertura irrestrita de todo o patrimônio investido em uma instituição.

Para Tatiana, o episódio envolvendo o Banco Master reforça a necessidade de ampliar o conhecimento financeiro dos investidores e de avaliar com maior cautela a relação entre risco e retorno antes de escolher produtos financeiros.

Estagiária sob supervisão

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