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Cúpula da PF divulga nota em apoio a Andrei Rodrigues e coloca cargos à disposição

Publicado 08/09/2026 • 14:39 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Nota assinada por 11 diretores afirma que Andrei Rodrigues e Leandro Almada têm atuação “técnica, isenta e responsável”.
  • Integrantes da cúpula colocaram os próprios cargos à disposição do diretor-geral substituto, movimento que não significa exoneração automática.
  • William Marcel Murad, até então diretor-executivo da PF, passou a responder interinamente pelo comando da corporação.
Andrei Rodrigues

Foto: AFP

Quem é Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal afastado por André Mendonça

Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nesta terça-feira (8) uma nota pública em apoio ao diretor-geral afastado, Andrei Rodrigues, e ao diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, também retirado preventivamente da função por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento, os integrantes da cúpula da PF classificam como “injustificados” os ataques sofridos pela instituição e defendem a atuação dos dois dirigentes. Ao final, os signatários anunciam que colocam seus cargos à disposição do diretor-geral substituto.

A manifestação ocorre poucas horas depois de Mendonça determinar o afastamento de Andrei e Almada no âmbito da crise envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela PF. A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter a decisão, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes. Andrei permanece afastado.

Leia também: Pela primeira vez na história: STF tira um diretor-geral da Polícia Federal no exercício do cargo

Diretores falam em interesses “político-eleitorais”

A nota faz uma defesa da trajetória de Andrei Rodrigues e rejeita acusações de atuação política da Polícia Federal. Segundo os diretores, Andrei construiu uma carreira dedicada à instituição, com atuação “técnica, isenta e responsável”.

O documento afirma ainda que narrativas “marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais” não seriam capazes de apagar a reputação e a trajetória profissional dos dirigentes.

Em outro trecho, os signatários dizem repudiar “toda e qualquer tentativa” de atribuir a Andrei, Almada ou à própria Polícia Federal uma atuação “não republicana”.

A nota também menciona o dever de proteger a instituição de “ataques e tentativas de usurpação de funções” e sustenta que a preservação das atribuições da PF está ligada ao interesse público e ao Estado Democrático de Direito.

Onze diretores colocam cargos à disposição

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Assinam a manifestação os responsáveis por áreas estratégicas da Polícia Federal, entre elas investigação de crime organizado e corrupção, crimes cibernéticos, cooperação internacional, gestão de pessoas, perícia técnico-científica, tecnologia da informação, administração e logística e proteção à pessoa.

São eles: Dennis Cali, Fabrício Schommer Kerber, Otavio Margonari Russo, Felipe Tavares Seixas, Helena de Rezende, Roberto Reis Monteiro Neto, André Luis Lima Carmo, Christiane Correa Machado, Alexsander Castro de Oliveira, Ademir Dias Cardoso Júnior e Humberto Freire de Barros.

William Murad assume PF interinamente

Com o afastamento de Andrei, o delegado William Marcel Murad, que ocupava a Diretoria-Executiva da PF, passou a responder interinamente pelo comando da corporação. Documentos oficiais da instituição já o registravam como diretor-geral substituto.

Murad está na PF desde 2002 e ocupa a Diretoria-Executiva desde janeiro de 2025. Ao longo da carreira, passou por áreas de inteligência, tecnologia e cooperação internacional. Entre 2021 e 2024, foi adido policial federal no Reino Unido.

Leia também: Mendonça afirma que PF produziu seis relatórios e investigou sua relação com o chefe da AGU, Jorge Messias

Afastamento está ligado a relatórios sobre autoridades

Mendonça afastou Andrei e Almada após questionar a produção de relatórios de inteligência da PF que tratavam da atuação de autoridades, entre elas o próprio ministro.

Segundo a decisão, ao menos seis relatórios teriam sido produzidos entre 3 e 31 de agosto. Mendonça apontou problemas relacionados à identificação, autoria e padronização dos documentos e determinou que a Corregedoria da PF investigue quem ordenou e produziu o material, além de verificar a existência de relatórios semelhantes.

Parte desses documentos havia sido usada pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes para levantar suspeitas sobre a atuação de Mendonça nas investigações relacionadas ao Banco Master e à Operação Sem Desconto.

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