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Risco Brasil sobe 18,25% em uma semana; disparada indica cautela do mercado à vitória de Lula

Publicado 31/10/2026 • 20:03 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • Risco Brasil dispara 18,25% em uma semana, passando de 119,26 para 141,02 pontos, segundo levantamento divulgado neste sábado (31).
  • Incertezas sobre as contas públicas e a política econômica aumentam a cautela dos investidores após a reeleição de Lula.
  • Alta do indicador encarece a proteção contra um eventual calote da dívida brasileira e sinaliza uma piora na percepção de risco do país.
Lula sorri enquanto segura uma bandeira do Brasil em frente a uma cabine de votação, em uma sala de paredes azuis, após votar no segundo turno das eleições de 2026.

Reprodução/Times Brasil | CNBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segura uma bandeira do Brasil após votar no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), em São Bernardo do Campo (SP).

O risco Brasil disparou 18,25% em apenas uma semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à desconfiança do mercado financeiro sobre os rumos da política econômica do governo. O avanço ocorre diante das preocupações dos investidores com o controle dos gastos públicos, a trajetória da dívida e a condução das contas do país no quarto mandato do petista.

O indicador conhecido como CDS (Credit Default Swap) de cinco anos, que mede o custo de proteção contra um eventual calote da dívida brasileira, saltou de 119,26 pontos em 23 de outubro para 141,02 pontos em 31 de outubro, segundo levantamento divulgado pelo Poder360.

A deterioração começou logo após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), o indicador já havia alcançado 137,43 pontos.

Risco Brasil dispara após eleição

A alta interrompeu a trajetória recente de queda do indicador. Em janeiro de 2026, o CDS brasileiro estava em 131 pontos e havia recuado para cerca de 119 pontos na semana anterior à eleição.

O movimento mostra uma mudança na percepção dos investidores sobre o risco de crédito brasileiro, em um momento de incertezas sobre a condução das contas públicas e as medidas econômicas do novo mandato.

Para efeito de comparação, o indicador chegou a 250 pontos em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Lula, e estava em 214 pontos no começo de 2025.

O que significa a disparada do risco Brasil?

O CDS funciona como uma espécie de seguro contra o calote de um país ou empresa. Investidores contratam essa proteção para reduzir possíveis perdas caso o emissor da dívida deixe de cumprir suas obrigações.

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Quanto maior a pontuação, mais caro fica contratar o seguro. Na prática, isso indica que o mercado está exigindo um prêmio maior para assumir o risco de crédito brasileiro.

A alta também pode ter reflexos na economia. Uma percepção maior de risco tende a pressionar os juros da dívida pública, influenciar o comportamento do dólar e reduzir o interesse de investidores estrangeiros por ativos brasileiros.

O indicador, porém, não representa uma probabilidade oficial de calote, mas o preço cobrado pelo mercado para oferecer essa proteção.

Contas públicas ampliam preocupação dos investidores

A disparada do risco Brasil ocorre em meio às dúvidas sobre a política fiscal do governo Lula.

Entre os principais pontos de atenção estão o crescimento das despesas, a trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de apresentar medidas que garantam maior previsibilidade para as contas do país.

O avanço do CDS também mostra que a reação negativa à eleição não ficou restrita às oscilações da Bolsa e do dólar. A percepção de risco sobre a dívida brasileira também piorou.

Com o indicador acima de 140 pontos, os investidores passaram a pagar mais caro pela proteção contra o risco de crédito do Brasil, em um cenário de maior cautela sobre os rumos da economia.

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