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São Martinho chega ao balanço com guerra no Oriente Médio mexendo no açúcar e etanol

Publicado 24/05/2026 • 19:51 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Guerra no Oriente Médio impulsionou petróleo, etanol e açúcar
  • Estratégia da São Martinho com etanol entra no foco do mercado
  • Alta do diesel também pressiona custos da operação agrícola

A divulgação do balanço do último trimestre (4T26) da safra 2025/26 da São Martinho, prevista para esta segunda-feira (25), acontece em meio a um cenário que mistura geopolítica, energia e agronegócio. O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos passou a influenciar diretamente os preços do petróleo, do etanol e do açúcar, e isso mudou a dinâmica operacional de uma das maiores produtoras de açúcar e biocombustíveis do Brasil.

O mercado acompanha principalmente se a estratégia adotada pela companhia no trimestre anterior deu resultado. No 3T26, a empresa decidiu segurar parte das vendas de etanol apostando em preços mais altos no período seguinte. Agora, o resultado do 4T26 deve mostrar se a valorização do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, realmente favoreceu essa decisão.

O mecanismo é relativamente direto. Quando o petróleo sobe, o etanol se torna mais competitivo em relação à gasolina. Isso leva as usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional e pressionando os preços para cima.

Esse movimento ficou evidente em março de 2026, quando a escalada do conflito no Oriente Médio levou os contratos futuros do açúcar bruto, negociados em Nova York, a subir 2,5% em um único pregão. O açúcar branco também avançou mais de 3% no mercado internacional.

Etanol ganhou força com petróleo mais caro

A estratégia da São Martinho em priorizar o etanol acabou encontrando um cenário favorável. Com o petróleo em alta, o biocombustível ganhou protagonismo no mercado brasileiro. O governo federal já elevou a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 27% para 30% e avalia ampliar esse percentual para 32%.

Segundo dados citados no material, mais de dois terços da cana processada no início da safra 2026/27 já foram direcionados para a produção de etanol.

Analistas da XP Investimentos avaliam que os preços mais fortes do etanol durante a entressafra devem impulsionar os números do trimestre. A projeção é de receita líquida de R$ 2,4 bilhões e EBITDA ajustado — indicador usado pelo mercado para medir geração operacional de caixa — de R$ 1 bilhão.

Açúcar sobe, mas excesso global limita ganhos

Apesar da valorização causada pela guerra, o açúcar ainda enfrenta um fator estrutural importante: a oferta elevada. Brasil, Índia e Tailândia tiveram safras robustas em 2025/26, o que mantém os preços internacionais nos menores níveis dos últimos cinco anos.

Outro ponto que chama atenção do mercado é o fato de a São Martinho ter iniciado a safra praticamente sem hedge para açúcar em 2026/27. O hedge é uma operação financeira usada por empresas para travar preços futuros e reduzir riscos de volatilidade. A companhia apostou em uma recuperação dos preços, mas o movimento provocado pela guerra ainda não foi suficiente para alterar a tendência global de baixa.

Diesel mais caro pressiona custos da operação

O impacto da guerra não ficou apenas do lado das receitas. O aumento do petróleo também elevou os custos operacionais da companhia, especialmente no diesel utilizado na colheita, transporte e processamento da cana.

Segundo estimativas citadas no material, o preço do diesel acumulou alta relevante desde o fim de fevereiro, elevando o custo de produção do açúcar no Centro-Sul do país. Isso cria um cenário de equilíbrio delicado: enquanto etanol e açúcar ganharam suporte nos preços, os custos também avançaram.

O resultado do 4T26 da safra 2025/26 deve ajudar o mercado a entender qual desses vetores teve mais peso nas margens da companhia.

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