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Selic deve ter novo corte em setembro e pausa no fim do ano, diz economista-chefe da Austin Rating Alex Agostini

Publicado 05/08/2026 • 21:52 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Alex Agostini avalia que o Copom acertou ao reduzir novamente a Selic, mas afirma que juros de 14% ainda são restritivos.
  • Cenário da Austin Rating prevê mais um corte em setembro e manutenção da taxa nas reuniões de novembro e dezembro.
  • Inflação, política fiscal, cenário eleitoral e eventual alta dos juros nos Estados Unidos seguem como fatores de cautela para o Banco Central.

O Banco Central ainda tem espaço para reduzir a Selic mais uma vez em setembro antes de interromper o ciclo de cortes nas duas últimas reuniões de 2026. É o que avalia Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), Agostini afirmou que a redução anunciada nesta quarta-feira estava no caminho esperado, mas destacou que a taxa básica, agora em 14% ao ano, continua em nível elevado.

“Era necessário haver esse corte, não só pela decisão em si de continuar reduzindo juros, mas para continuar com essa expectativa de que ainda temos condições de ter um juro menor”, afirmou.

Segundo o economista, o Copom não trouxe uma indicação explícita sobre a próxima decisão, mantendo uma estratégia de ajuste gradual diante das incertezas domésticas e externas.

“O Banco Central não poderia tomar outra decisão senão essa de continuar calibrando a taxa de juros. A calibração é porque o juro está caindo de forma muito moderada”, disse.

Leia também: Copom reduz taxa de juros para 14% ao ano; redução de 0,25 p.p. da Selic é a quarta seguida do BC

Austin Rating vê corte em setembro e pausa depois

O cenário-base da Austin Rating prevê mais uma redução da Selic na reunião de setembro. Depois disso, a expectativa é de manutenção da taxa nas reuniões de novembro e dezembro.

“Por enquanto, o nosso cenário aqui na Austin é de mais um corte da taxa de juros na reunião em setembro. Aí, depois, em novembro e dezembro, ele faria a chamada parada técnica”, afirmou Agostini.

Para o economista, o Banco Central deve ganhar algum espaço para continuar reduzindo os juros caso as próximas divulgações confirmem uma perda de força da inflação.

“A leitura é que, daqui até a reunião de setembro, nós teremos ainda novas informações de uma inércia inflacionária menor, por conta das taxas divulgadas recentemente de inflação, que estão ficando menores do que as expectativas”, disse.

Agostini também destacou os sinais de desaceleração da atividade econômica. Na avaliação dele, o movimento ainda se aproxima de um “pouso suave”, sem apontar para uma recessão.

Eleições entram no radar, mas não determinam decisão

O cenário eleitoral deve ampliar a cautela do Banco Central, segundo Agostini, embora não seja, isoladamente, determinante para a política monetária.

“O Banco Central não se pauta por um cenário eleitoral, mas, sem dúvida alguma, o que vem pela frente pós-eleições ainda é um fator de cautela para ele”, afirmou.

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Segundo o economista, decisões tomadas agora terão impacto principalmente sobre 2027 e 2028, o que aumenta a importância das expectativas para inflação e das perspectivas para a política fiscal do próximo governo.

Agostini demonstrou ceticismo sobre a possibilidade de um ajuste expressivo das despesas públicas no curto prazo. Segundo ele, o elevado peso das despesas obrigatórias e das emendas parlamentares limita a margem de manobra do governo.

“Hoje eu não acredito que nós teremos, qualquer que seja o candidato, uma condição política favorável a esse corte de despesas”, disse.

Juros dos EUA podem mudar direção do Copom

Uma eventual alta dos juros nos Estados Unidos também poderia alterar o cenário para a política monetária brasileira.

Segundo Agostini, juros americanos mais elevados poderiam atrair capital para os Estados Unidos, pressionar o real e, consequentemente, elevar preços domésticos de produtos e insumos ligados ao dólar.

“Vai mudar a direção das decisões do Banco Central no Brasil caso haja uma mudança no comportamento da taxa de juros americana”, afirmou.

O economista disse, porém, que esse risco ainda não é suficiente para mudar a projeção de novo corte em setembro.

Leia também: Indústria elogia corte da Selic, mas ainda vê juros altos travarem crédito e investimentos

Juros elevados pressionam empresas

Agostini também destacou os efeitos da Selic sobre o setor produtivo. Segundo ele, a taxa básica de 14% representa apenas o ponto de partida do custo do crédito enfrentado por empresas e consumidores.

“A taxa de juros para o setor produtivo e para o consumidor é muito mais alta”, afirmou.

Na avaliação do economista, os juros elevados já aparecem entre os principais obstáculos aos investimentos e ajudam a pressionar empresas com maior dependência de financiamento.

“O custo financeiro de continuar financiando a produção tem sido muito elevado e as empresas não estão conseguindo repassar isso para o preço final”, disse.

Agostini afirmou que uma queda mais consistente dos juros nos próximos anos dependerá também de uma política fiscal capaz de conter a expansão do endividamento público e reduzir pressões inflacionárias.

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