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Bolha das Ponto Com: os piores erros de investimento podem estar chegando a sua carteira; saiba como evitá-los

Publicado 22/07/2026 • 07:30 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • As chamadas “Magnificent 7” e as ações de tecnologia lideraram o mercado a ganhos recordes, mas crescem as preocupações de que as condições se assemelham ao período anterior ao estouro da bolha das empresas ponto com.
  • Investidores podem aprender com os erros que prejudicaram carteiras no início dos anos 2000, quando muitos participantes do mercado ficaram excessivamente concentrados no setor de tecnologia.
  • E é possível manter a estratégia simples: não corra atrás de altas, limite a exposição a fundos temáticos ou setoriais a no máximo 20% da parcela de renda variável da carteira e tenha um plano para realizar lucros e minimizar impostos.

Muitos investidores continuam encantados com as chamadas “Magnificent 7” e com o mercado acionário dos Estados Unidos liderado pelas empresas de tecnologia. Uma lição de história pode ser necessária para que eles não sejam prejudicados pelos mesmos erros que afundaram carteiras no início dos anos 2000.

Embora existam diferenças em relação ao mercado atual, a fase que vivemos se assemelha, em aspectos importantes, ao período anterior ao estouro da bolha das empresas ponto com. Durante o auge das empresas de internet, muitos participantes do mercado concentraram excessivamente seus investimentos no setor de tecnologia e, no fim, sofreram grandes perdas.

“As pessoas acabam sendo levadas pelo entusiasmo”, disse Seth Hickle, diretor de investimentos da Mindset Wealth Management, em Indianápolis, no estado de Indiana. Muitos investidores compraram ações de tecnologia depois que os grandes ganhos já haviam ocorrido, ignorando as avaliações das empresas e superestimando sua tolerância ao risco até que a volatilidade aparecesse em suas carteiras, afirmou Hickle.

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Os alertas têm sido feitos diariamente. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, disse ao colaborador da CNBC Wilfred Frost, na segunda-feira (20), que não compraria ações nesses níveis de avaliação. (Dimon afirmou que também não compraria títulos do Tesouro americano de longo prazo.) Warren Buffett disse recentemente à Becky Quick, da CNBC, que “é difícil encontrar ativos baratos quando todo mundo prefere apostar”.

Consultores financeiros afirmam que o primeiro passo é ter uma estratégia — e reconhecer que correr atrás de ganhos não é uma. Muitos investidores, durante a bolha das empresas ponto com, se contentaram com essa segunda opção. Uma estratégia de investimento precisa ser definida antes de investir e deve incluir um plano para realizar parte dos lucros. Para reduzir decisões equivocadas motivadas pela emoção, é preciso saber o que está comprando, por quê e quando faz sentido sair do investimento, disse Dan Sudit, sócio da Crewe Advisors, em Salt Lake City.

Consultores financeiros alertam que há uma tendência entre investidores de repetir os erros do passado. A tecnologia é um setor central do mercado acionário e continuará desempenhando papel importante no crescimento de longo prazo, mas existem maneiras de ganhar exposição às empresas de tecnologia de maior desempenho sem repetir os erros da era das empresas ponto com.

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Fundos do S&P 500 já representam uma aposta relevante em tecnologia

Um dos problemas durante a bolha das empresas ponto com foi que as carteiras dos investidores ficaram excessivamente expostas à tecnologia. O mesmo pode acontecer agora se as pessoas não tomarem cuidado. A inteligência artificial está transformando rapidamente a sociedade, e muitos investidores querem comprar ações ou fundos para aproveitar o crescimento esperado do setor. No entanto, muitos já possuem ações de destaque em suas carteiras principais — e alguns sequer percebem isso. Aaron Ulrich, proprietário da Integra Financial Planning, em Prospect, no Kentucky, afirma que clientes frequentemente perguntam sobre ações de bom desempenho, como Nvidia, Tesla e Apple, sem saber que elas já fazem parte de suas carteiras diversificadas.

Em vez de tentar escolher o próximo grande vencedor ou investir em um ETF de um único setor, os investidores devem diversificar. Para muitos, possuir um ETF principal que acompanhe o índice S&P 500 é um bom ponto de partida, porque oferece uma “exposição relevante à tecnologia” e, ao mesmo tempo, proporciona diversificação, disse Shannon Saccocia, diretora de investimentos da área de gestão de patrimônio da Neuberger Berman, em Nova York. Além das ações americanas de grande capitalização, os investidores devem destinar parte da carteira a empresas de pequena capitalização, companhias internacionais, mercados emergentes e empresas de energia, afirmou Saccocia.

Uma estratégia diversificada é melhor do que tentar escolher o próximo grande fenômeno, disse Ulrich. “Nós não sabemos qual será a próxima Nvidia. A ideia de que conseguimos identificar hoje a única ação que vai subir duas, cinco ou dez vezes nos próximos dois a cinco anos é impossível. Essas mesmas ações também podem cair de forma significativa”, afirmou Ulrich.

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Não compre o que você não pode pagar

Embora a perspectiva de ganhar muito dinheiro investindo em um determinado setor possa ser empolgante, Ulrich conversa com seus clientes sobre horizonte de investimento e apetite ao risco, ajudando-os a entender quanto podem investir além de suas necessidades diárias. Os objetivos de longo prazo também influenciam essas decisões.

Quando a bolha das empresas ponto com estourou, muitas pessoas perderam economias que não podiam se dar ao luxo de perder. Na época, Sudit morava perto de um casal aposentado que perdeu uma parcela significativa de suas economias ao investir em ações de empresas ponto com. O marido colocou cerca de metade dos ativos investíveis do casal no setor de tecnologia e, quando as perdas começaram a aumentar, eles tiveram que se mudar para uma casa menor e apertar o orçamento, deixando de fazer viagens com que sonhavam, comprar carros novos ou ajudar os netos com a educação. As pessoas precisam tomar cuidado para que o entusiasmo com um determinado setor não se sobreponha à razão, afirmou Sudit. “Talvez seja preciso deixar oportunidades passarem porque você não pode arcar com um risco tão grande.”

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Limite investimentos temáticos e setoriais a 20% da carteira de renda variável

Alguns investidores se sentem atraídos por temas de investimento. Se esse for o caso, eles podem investir de forma temática, mas somente depois de montar uma carteira principal de renda variável. Cerca de 80% da exposição em ações de um investidor — percentual que depende da idade, horizonte de investimento, tolerância ao risco e outros fatores — deve estar bem diversificada, disse Hickle.

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Para obter ampla exposição ao mercado, a parcela principal da carteira pode incluir ETFs que acompanhem o S&P 500 e o Russell 2000, índice focado em ações de empresas de pequena capitalização. O Nasdaq 100 também é uma opção popular como posição principal — ele exclui o setor financeiro e é focado em tecnologia (cerca de 70% da carteira do fundo estava concentrada no setor de tecnologia em 30 de junho). No entanto, ele também possui grande sobreposição de ações com o S&P 500, algo que deve ser observado para fins de diversificação.

Com os 20% restantes da exposição em ações, o investidor pode escolher aplicações que expressem os temas pelos quais tem maior interesse. Alguns clientes fazem isso escolhendo ações individuais. Outra opção é investir em ETFs focados em temas ou setores específicos, como os State Street Select Sector SPDRs, que dividem o S&P 500 por setores como financeiro, saúde e energia. Ao comprar ETFs temáticos — que atualmente incluem diversos fundos voltados para inteligência artificial e outras inovações tecnológicas (ações do setor espacial são um exemplo recente) — os investidores devem procurar garantir que não exista sobreposição excessiva com a carteira principal, afirmou Hickle.

“Eu nunca teria apenas um ETF de um único setor porque você pode estar errado”, disse Neale Ellis, sócio-fundador e codiretor de investimentos da Fidelis Capital, em Dallas.

Quem deseja uma exposição adicional às ações de maior valorização também pode considerar opções que ofereçam potencial de alta, mas limitem a exposição ao risco de queda. Entre elas estão ETFs com estratégias de proteção, como o JPMorgan Hedged Equity Laddered Overlay ETF (HELO), o T. Rowe Price Hedged Equity ETF (THEQ) e o Parametric Hedged Equity ETF (PHEQ).

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Considere o impacto tributário

Investidores que buscam exposição às ações de maior valorização frequentemente esquecem que se trata de investimentos voltados ao crescimento, e não à geração de renda, o que significa que podem produzir ganhos de capital relevantes, segundo Sudit. Ganhos de capital de curto prazo são tributados de acordo com as faixas normais do imposto de renda. Após manter o investimento por um ano, a tributação passa a seguir as alíquotas de ganhos de capital de longo prazo.

É importante considerar os impostos porque vender uma ação ou fundo de tecnologia muito valorizado pode resultar em uma conta elevada de tributos, embora ainda possa ser uma decisão prudente se o investidor estiver excessivamente exposto ao risco.

Sudit contou que teve um cliente que, durante a bolha das empresas ponto com, investiu US$ 5.000 (R$ 25.400) em uma ação de uma empresa ponto com de forte valorização, sem consultar um assessor. Ele esperava que o crescimento lhe proporcionasse recursos para comprar um carro esportivo no ano seguinte. O investimento chegou a render dez vezes o valor aplicado, mas a ação se valorizou tanto que vendê-la significaria pagar um imposto elevado sobre ganhos de capital. Ele não realizou parte dos lucros e a empresa acabou falindo. Nesse caso, o cliente podia arcar com a perda do investimento inicial e dos ganhos no papel, mas isso não vale para todos, por isso os investidores precisam agir com cautela.

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Pode haver opções para realizar perdas com finalidade tributária (tax-loss harvesting). Essa estratégia consiste em vender ativos com prejuízo para compensar ganhos de capital ou reduzir a renda tributável, diminuindo assim a carga de impostos. Mesmo que haja incidência de tributos, ainda pode valer a pena vender um investimento excessivamente arriscado, afirmou Ulrich. “Você não deve manter um investimento que sabe que não está funcionando. Independentemente de estar em alta ou em baixa, se você está preocupado com o nível de risco da sua carteira, não faz sentido continuar com ele e, assim, assumir ainda mais risco.”

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