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Impulsionado pelo tarifaço, Brasil pode passar os EUA e se tornar o maior exportador agrícola do mundo
Publicado 22/07/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 22/07/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik.
O tarifaço imposto pelo governo Donald Trump e a promessa da taxação de novos países de fazer os Estados Unidos perder o papel de maior exportador agrícola global para o Brasil.
De acordo com o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram no ano passado US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, somente US$ 2 bilhões a mais que o Brasil. A diferença do número em 2021 foi de US$ 56 bilhões.
Segundo uma reportagem publicada nesta terça-feira (21) no Financial Times, as vendas do agronegócio brasileiro para o exterior registraram uma alta de 6% na primeira metade de 2026, alcançando o patamar inédito de US$ 87 bilhões.
Esse resultado vai além da liderança do país no comércio global de soja e das carnes de frango e boi, se baseando também do avanço de safras como a do algodão, segmento anteriormente liderado pelos Estados Unidos, e já ultrapassado pelo Brasil.
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Especialistas consultados pela reportagem em Iowa, EUA, e no Mato Grosso, apontam que o principal fator para essa guinada foram as “perturbações comerciais desencadeadas pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump“.
O movimento ocorreu porque o mercado chinês, um dos maiores importadores globais, reduziu expressivamente a aquisição de produtos norte-americanos a partir de 2018, quando o líder republicano aplicou taxas contra o país asiático ainda em sua primeira gestão na Casa Branca.
Um gráfico da reportagem revela que, no ano de 2016, Pequim adquiria volumes parecidos de soja vindos do Brasil e dos EUA. Embora o fluxo brasileiro já estivesse em expansão, o ritmo era mais moderado.
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Siga o Times | CNBCContudo, a retaliação chinesa às restrições impostas por Washington em 2018 acelerou o crescimento. Em 2025, o Brasil embarcou acima de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto as remessas americanas sequer atingiram a faixa dos dez milhões. As informações têm como fonte o UN Comtrade, o mais amplo e expressivo banco público de dados sobre comércio internacional.
As projeções da American Farm Bureau Federation (a maior entidade de representação e pressão política de produtores rurais nos EUA) preveem perdas para o ciclo vindouro da ordem de:
O Financial Times ressalta que o vigor da agricultura brasileira não é “a força do setor agrícola do Brasil não é apenas consequência da política comercial americana”, mas uma construção de décadas.
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Esse avanço se baseia parcialmente no acesso a terras mais baratas e abundantes nas áreas de expansão agrícola, além do aproveitamento de solos antes tidos como impróprios, regenerados graças à correção nutricional da terra e ao aprimoramento genético de sementes para o clima local.
Ainda assim, analistas ouvidos pelo jornal alertam que o setor no Brasil se articula para algumas dificuldades. Entre os desafios estão as elevadas taxas de juros no país, a desvalorização das commodities no mercado internacional e o encarecimento dos adubos e fertilizantes, amplamente importados, em decorrência do conflito entre Irã e Israel.
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