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Tarifaço: prorrogação do drawback reduz custo de insumos em até 12% para exportadores, diz presidente-executivo da Abimaq José Velloso

Publicado 27/08/2026 • 21:54 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Governo ampliou em um ano o prazo para empresas afetadas pelo tarifaço utilizarem insumos importados com benefício e reexportarem os produtos.
  • Setor de máquinas e equipamentos deve encerrar 2026 com recorde de cerca de US$ 14,5 bilhões em exportações, segundo Velloso.
  • Vendas do segmento caíram cerca de 11% para os Estados Unidos, mas avançaram 38% para a Argentina e 76% para Singapura.

A prorrogação do regime de drawback pode reduzir em cerca de 12% o custo dos insumos importados por empresas brasileiras atingidas pelas tarifas dos Estados Unidos, mas não é suficiente para compensar as sobretaxas cobradas no mercado americano. É o que avaliou José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Velloso explicou que o mecanismo suspende impostos sobre matérias-primas e componentes importados que serão incorporados a produtos posteriormente exportados.

“Quando eu importo uma matéria-prima no regime do drawback com esse benefício, sem o imposto, eu tenho um prazo para reexportar a mercadoria”, afirmou.

Com as tarifas americanas, porém, empresas brasileiras começaram a enfrentar adiamentos de pedidos e entregas, pressionando o prazo disponível para cumprir as condições do regime.

“O governo brasileiro deu mais um ano para as matérias-primas importadas serem manufaturadas e reexportadas para os Estados Unidos. Com isso, dá um alívio para os exportadores que foram pegos no tarifaço”, disse.

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Economia pode chegar a 12% no custo da matéria-prima

Segundo Velloso, a extensão do prazo ajuda as empresas a administrar os efeitos das barreiras comerciais, mas não elimina o impacto das tarifas americanas. “Ele não resolve todo o problema”, afirmou.

O executivo estima que o benefício pode deixar a matéria-prima aproximadamente 12% mais barata, considerando a retirada do imposto de importação.

“12% dos custos de matéria-prima não é pouco, mas isso não vem a resolver todos os nossos problemas porque a tarifa do nosso produto final é muito alta lá nos Estados Unidos”, disse.

Velloso afirmou que, em determinados produtos, as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos podem chegar a 37,5%, considerando diferentes sobretaxas. 

Máquinas e equipamentos estão entre os beneficiados

Entre os setores atingidos pelas tarifas, Velloso destacou a indústria de máquinas e equipamentos como uma das que mais podem se beneficiar da prorrogação.

“Máquinas e equipamentos é um bem de alto valor agregado, são produtos de alta e alta média tecnologia”, afirmou.

Segundo ele, esse tipo de indústria depende de componentes e matérias-primas importados que podem entrar no país pelo regime de drawback antes de serem incorporados ao produto final.

O desafio, porém, é que máquinas muitas vezes são produzidas para clientes específicos, o que dificulta redirecionar rapidamente as vendas quando um mercado impõe novas barreiras.

Exportações devem atingir recorde de US$ 14,5 bilhões

Mesmo com a queda das vendas para os Estados Unidos, Velloso afirmou que o setor de máquinas e equipamentos deve registrar um recorde de exportações em 2026.

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“Esse ano nós vamos bater um recorde de exportação. Nós devemos fechar o ano aproximadamente com US$ 14,5 bilhões de exportação”, disse.

Segundo ele, as vendas para os Estados Unidos recuaram cerca de 11%, enquanto outros destinos registraram crescimento.

A Argentina, por exemplo, comprou 38% mais máquinas e equipamentos brasileiros, movimento que Velloso atribuiu à retomada dos investimentos no país.

Já as exportações para Singapura avançaram 76%, impulsionadas por equipamentos destinados ao setor de óleo e gás.

Novos mercados não compensam todas as empresas afetadas

Velloso fez a ressalva de que o avanço das exportações para outros países não significa que as companhias que perderam vendas nos Estados Unidos tenham conseguido substituir esses pedidos.

“Não são exatamente os produtos que eu deixei de vender nos Estados Unidos, são outros produtos em outros mercados”, afirmou.

Segundo ele, o resultado mostra capacidade de diversificação do setor como um todo, mas não resolve a situação individual de fabricantes mais dependentes do mercado americano.

“A empresa que está sofrendo com o tarifaço dos Estados Unidos continua com problemas, porque não é exatamente esta empresa que está vendendo nos outros mercados”, disse.

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Máquinas agrícolas lideram produção do setor

Velloso afirmou que máquinas agrícolas representam perto de 30% da produção do setor.

Também têm peso relevante máquinas rodoviárias e para construção civil, equipamentos destinados à indústria de transformação e componentes de máquinas.

“O Brasil é um grande fabricante de componentes de máquina. Então é um pedaço da máquina que a gente exporta para alguém montar uma máquina lá fora”, afirmou.

Segundo ele, entre as exportações para os Estados Unidos, máquinas rodoviárias ocupam posição de destaque, seguidas por componentes.

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