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Gianetti: tarifas e conflitos tornam risco geopolítico decisivo para o comércio global
Publicado 24/08/2026 • 22:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 22:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A escalada de tarifas, sanções e conflitos transformou o risco geopolítico em um fator central para decisões de investimento e comércio, segundo Roberto Giannetti da Fonseca, economista, empresário e ex-secretário de Comércio Exterior. Em entrevista nesta segunda-feira (24) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o Brasil precisa responder às barreiras no mercado americano com maior diversificação dos destinos de suas exportações e uma atuação comercial mais intensa.
“A análise de risco geopolítico hoje virou um tema que todas as grandes empresas, as grandes decisões, têm que levar em conta”, afirmou Giannetti.
Para o economista, o comércio internacional permanece dinâmico e pode mudar conforme governos e políticas se alternam. O atual cenário, porém, ganhou uma dimensão diferente diante da estratégia tarifária adotada pelo governo de Donald Trump.
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Giannetti avaliou que a política comercial americana tem provocado mudanças bruscas nos fluxos internacionais de mercadorias, afetando diferentes setores da economia.
“O governo Trump está tendo uma insistência muito grande nessa questão tarifária e tem tido uma forma muito gravosa de adotar isso, de uma forma até um pouco hostil”, afirmou.
Entre os segmentos afetados, ele citou os setores automobilístico, siderúrgico, de alumínio e alimentos. Segundo Giannetti, a consequência ultrapassa o comércio e começa a atingir diretamente as decisões empresariais.
“Isso está causando uma perturbação muito grande nos investimentos. A segurança de investir, a confiança de investir está muito reduzida hoje no mundo”, disse.
O problema, segundo ele, é a dificuldade das empresas para prever as condições comerciais que enfrentarão. “As pessoas já não sabem direito se amanhã vai ter uma mudança brusca de tarifa que pode inviabilizar o negócio”, acrescentou.
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Com o aumento das barreiras no mercado americano, Giannetti defende que o Brasil procure alternativas de forma setorial, já que nenhum país ou região seria capaz de absorver sozinho os produtos afetados.
“Não existe um país ou uma região que resolva integralmente os problemas de todos os setores afetados no Brasil”, explicou.
Para alimentos, porém, o economista vê um leque maior de possibilidades. “Nós temos muitos países em desenvolvimento que são importadores líquidos de alimentos e precisam do fornecimento brasileiro”, afirmou.
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Giannetti citou oportunidades na África, América Latina e Ásia. Entre os mercados mencionados estão a Indonésia, com mais de 200 milhões de habitantes, e a Nigéria, com 240 milhões.
“Recentemente, uma empresa brasileira firmou um grande acordo na Indonésia. É um mercado ainda pouco frequentado pelos produtos brasileiros”, disse. Na África, destacou também Angola, Egito, Argélia e Marrocos como potenciais destinos.
A Índia aparece como outra possibilidade. Segundo Giannetti, a participação dos dois países no Brics pode ajudar na negociação de condições para ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado indiano.
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Siga o Times | CNBCO economista também destacou as oportunidades criadas pela União Europeia, especialmente para alimentos e frutas brasileiras. “Vi na semana passada, por exemplo, que começamos a exportar uva com tarifa zero para a Europa. Então não precisa mais exportar para os Estados Unidos”, afirmou.
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Diante de tarifas americanas que, segundo Giannetti, podem chegar a 25%, 30% ou 35% em determinados produtos, a estratégia deveria ser redirecionar parte das vendas. “Vamos mudar o destino, vamos procurar outros mercados”, defendeu.
Esse esforço, porém, não pode ficar restrito ao governo. “É preciso também que o exportador brasileiro levante da cadeira e vá para a rua. Tem que sair para vender”, afirmou.
Giannetti resumiu a estratégia em uma máxima que considera fundamental no comércio exterior: “Não basta produzir barato, é preciso vender melhor”.
Apesar das tensões comerciais e políticas entre Brasília e Washington, Giannetti acredita que ainda existe possibilidade de negociação com os Estados Unidos.
“Eu acho que sim. Eu acho que o governo está aberto ao diálogo, pelo que estou sentindo”, afirmou. O economista disse ter conversado com integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e citou a disposição do vice-presidente Geraldo Alckmin para negociar.
Também mencionou o diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. “O presidente Lula falou por telefone com o presidente Trump, sentiu alguma boa vontade dele em retomar o diálogo”, disse.
O problema, segundo Giannetti, é a imprevisibilidade das negociações. “Às vezes o diálogo procede, a negociação vai para a mesa, mas, na hora H, surgem assuntos que são espinhosos”, afirmou, citando aço e etanol.
Giannetti avalia que o Brasil pode negociar mudanças em algumas tarifas e regras comerciais, mas considera que o país não deve fazer concessões contrárias aos próprios interesses.
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“As negociações tarifárias podem acontecer. A gente pode, sim, em algumas tarifas flexibilizar, mudar algumas regras, facilitar o comércio dos Estados Unidos”, afirmou.
O economista chamou atenção ainda para o peso do setor de serviços nas exportações americanas para o Brasil, uma dimensão que, segundo ele, recebe menos atenção do que o comércio de mercadorias.
Para conduzir as conversas com Washington, Giannetti defende cautela. “O Brasil tem que usar de muita inteligência, muita estratégia e tática para fazer essa negociação, porque não é fácil”, afirmou.
Na avaliação do ex-secretário, uma mudança mais significativa no cenário comercial não deve ocorrer imediatamente. “É um processo longo, demorado. Eu acho que é coisa para depois das eleições, tanto aqui quanto lá. Talvez janeiro, fevereiro, talvez a gente consiga mudar um pouco esse cenário”, concluiu.
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