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Tarifaço: ações de empresas brasileiras podem disparar após decisão da Suprema Corte dos EUA
Publicado 21/02/2026 • 19:52 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 21/02/2026 • 19:52 | Atualizado há 3 semanas
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Bolsa de valores
Pixabay
A derrubada de parte central do tarifaço de Donald Trump pela Suprema Corte dos Estados Unidos reacende o debate sobre quais empresas brasileiras listadas na B3 podem ganhar com a redução de barreiras no comércio com os EUA, e como isso pode aparecer em receita, margens, geração de caixa e dividendos.
O alívio, porém, veio com uma nova camada de incerteza. Após o revés judicial, Trump anunciou uma tarifa global provisória com base na Seção 122 e, neste sábado (21), elevou a alíquota para 15% “com efeito imediato”, segundo publicação nas redes sociais.
Analistas consultados pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC citam a WEG (WEGE3) como uma das empresas mais afetadas, especialmente por sua exposição à América do Norte e pela venda de bens de maior valor agregado.
Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o efeito tende a ser gradual nos resultados da companhia. “Em WEG, o impacto tende a aparecer primeiro em receita, volume e projetos, e depois em margem”, afirmou. Ele destaca que, no segundo trimestre do ano passado, a América do Norte respondeu por 48% da receita externa da companhia.
A Embraer (EMBR3) também aparece de forma recorrente por atuar em uma cadeia sensível a tarifas e por ter contratos e serviços nos EUA. Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, diz que a previsibilidade é parte central da tese. “Cadeia aeronáutica é extremamente sensível a tarifas. Previsibilidade ajuda carteira de pedidos e margens”. Matos complementa, apontando o canal de caixa e execução. “A empresa prevê capex de US$ 70 milhões, de 2025 a 2026, para ampliar em mais de 50% a capacidade de MRO no Texas”.
Outro papel citado é a Tupy (TUPY3). A tese, segundo Matos, passa por volume e composição das vendas, além de ganhos de escala que podem melhorar a rentabilidade. O racional é que mudanças pequenas de volume podem ter efeito relevante em um negócio intensivo em capacidade. No segundo trimestre do ano passado, a América do Norte respondeu por 36% das receitas, com margem EBITDA ajustada de 8%.
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No bloco de exportadoras, entram Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), com o argumento de que cadeias globais podem se beneficiar de menor incerteza e melhor alocação de volumes. Matos cita que a Klabin reportou 35% da receita líquida no mercado externo no quarto trimestre e mencionou redirecionamento de volume ao mercado interno quando o ambiente tarifário apertou. Isso indica que o impacto pode aparecer mais na destinação dos volumes e nos preços médios do que em repasses diretos ao cliente.
Já Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, enfatiza que, no pacote de commodities, o ganho nem sempre vem por margem. No caso da Suzano, ele aponta mais potencial via volume e geração de caixa do que via expansão de margem, por competição.
Para Gerdau (GGBR4), Jayme Simão avalia que o canal pode ser rápido, mas com nuances. “O efeito deve ser mais forte em receita e EBITDA, via preço internacional da commodity. Pequenas variações de preço já têm impacto relevante no indicador”. Ao mesmo tempo, ele ressalta que o aço costuma operar com spreads mais voláteis, o que pode limitar o benefício dependendo do desenho final das medidas.
Entre os frigoríficos, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, cita JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) como potenciais beneficiadas por custos de ingresso menores em um mercado relevante. Ao listar os papéis que tendem a ganhar, ele afirma que “empresas brasileiras com exposição significativa à exportação de bens industrializados ou manufaturados de maior valor agregado tendem a ser beneficiadas”, e inclui também exportadoras integradas a cadeias globais, como a Suzano.
No agro, Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, destaca especialmente a Minerva (BEEF3) e descreve o benefício como mais completo, passando por resultado e caixa. “Minerva aparece em receita, margem e volume”. Ele acrescenta que, nesse cenário, o efeito pode chegar ao acionista. “Isso vai beneficiar muito a companhia e ela provavelmente deve distribuir algum dividendo adicional”, afirmou, ao comentar um eventual ganho de mercado e de geração de caixa.
Queiroz também menciona São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3), com a leitura de que maior competitividade pode favorecer decisões de mix e ter impacto em caixa, com efeitos potencialmente mais visíveis em guidance e revisão de margens.
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Para Petrobras (PETR4), a leitura de Queiroz é de benefício mais associado a volume e geração de caixa do que a margem, dado o contexto de exportação de óleo e dinâmica do refino e do mercado doméstico.
Um ponto comum entre as análises é a forma como o mercado tende a precificar primeiro a mudança de cenário. Na avaliação de Jayme Simão, a reação inicial costuma vir no preço. “O mercado tende a precificar primeiro como re-rating, ou seja, redução de prêmio de risco global e melhora de múltiplo. Dividendos melhoram depois, via lucro maior e geração de caixa”.
Mas o cenário ficou mais complexo com a resposta de Trump. Como a Seção 122 é um instrumento temporário, de até 150 dias, e a alíquota provisória foi elevada para 15%, parte do alívio competitivo pode ser reduzida ou adiada, especialmente para cadeias mais sensíveis a preço e ciclo.
Matos ressalta que, se uma tarifa ampla voltar por outro enquadramento legal, “o benefício reduz e tende a ser adiado”, porque a vantagem volta a ser absorvida no preço final e na negociação de volumes.
Segundo os analistas, os gatilhos para acompanhar agora passam por guidance e comentários sobre América do Norte, revisões de EBITDA e fluxo de caixa, dados oficiais de embarques (Secex/Comex Stat) e a evolução do ruído jurídico e regulatório sobre a próxima arquitetura tarifária dos EUA.
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