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Toffoli reduz prazo para Polícia Federal colher depoimentos do caso Master
Publicado 16/01/2026 • 16:39 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 16/01/2026 • 16:39 | Atualizado há 3 meses
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PF/Divulgação
Imagem de um policial federal.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou a temperatura da crise institucional com a Polícia Federal ao determinar a redução drástica do cronograma de depoimentos no inquérito que apura fraudes no Banco Master. Em decisão proferida nesta sexta-feira (16), o relator encurtou de cinco para apenas dois dias o período para que a corporação ouça os investigados, fixando a janela entre 26 e 28 de janeiro.
A medida altera o planejamento anterior, que previa as oitivas de 23 a 28 de janeiro. Entre os convocados que terão seus depoimentos reagendados estão o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima e os ex-diretores Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull. A mudança repentina causou forte surpresa e mal-estar na cúpula da PF, que já enfrentava restrições impostas pelo magistrado em etapas anteriores da operação.
Além do controle sobre o calendário, Toffoli adotou medidas atípicas ao intervir diretamente na parte técnica da investigação. O ministro indicou, por conta própria, quatro peritos específicos da Polícia Federal para analisar o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero. A escolha dos nomes (Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti) foi feita pelo STF sem consulta prévia à direção da corporação.
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Outro ponto de atrito envolve a guarda do acervo probatório. Toffoli retirou da PF a responsabilidade sobre o manuseio e extração dos dados apreendidos (como celulares e computadores), transferindo a custódia e o acompanhamento técnico para a Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão gerou uma nota de preocupação da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), que alertou para o risco de “perda de vestígios relevantes” devido à quebra do protocolo padrão de custódia policial.
O cerco ao trabalho da PF foi acompanhado de duras críticas públicas feitas pelo ministro. Toffoli acusou a corporação de “inércia exclusiva” e “inobservância deliberada” de suas ordens, alegando que a operação Compliance Zero deveria ter sido deflagrada na terça-feira (13), mas só foi às ruas na quarta-feira (14).
“Eventual frustração do cumprimento das medidas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal”, escreveu o ministro em seu despacho.
Em resposta enviada nos autos, a PF justificou que o adiamento de 24 horas foi necessário para o planejamento logístico e operacional, visando garantir a eficácia das buscas e prisões, que resultaram no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e na apreensão de carros de luxo, joias e armas.
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