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Vinho, queijo e muito mais: acordo Mercosul-UE pode tornar 5 mil produtos mais baratos no Brasil

Publicado 01/05/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Vinhos de maior valor, queijos, chocolates, cervejas, azeites e bebidas estão entre os itens com potencial de queda de preço.
  • Redução será gradual e não garante repasse imediato ao consumidor, já que preço final depende de câmbio, frete, impostos e margens do varejo.

Freepik.

França e Espanha ficam atrás; preços podem sofrer pressão diante de estoques acumulados.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (1º) e pode reduzir, ao longo dos próximos anos, o preço de mais de 5 mil produtos europeus vendidos no Brasil, como vinhos, queijos, chocolates, cervejas, azeites e algumas bebidas.

A queda, porém, não será automática nem igual para todos os itens. O acordo reduz tarifas de importação de forma gradual, com prazos diferentes para cada produto. Em alguns casos, o corte começa imediatamente. Em outros, a eliminação total da tarifa pode levar mais de uma década.

O tratado reúne dois dos maiores blocos econômicos do mundo. Segundo o governo brasileiro, Mercosul e União Europeia somam cerca de 718 milhões de pessoas e PIB de aproximadamente US$ 22,4 trilhões. Pelo volume de comércio, é o maior acordo comercial já firmado pelo Mercosul e um dos maiores da União Europeia.

Do lado europeu, a União Europeia eliminará tarifas de importação sobre aproximadamente 95% dos bens, que representam 92% do valor das importações europeias de produtos brasileiros. Já no Mercosul, a abertura será mais gradual e cobre cerca de 91% dos bens e 85% do valor das importações brasileiras de produtos da União Europeia, com prazos que podem chegar a 15 anos.

O efeito final para o consumidor vai depender de outros fatores, como câmbio, frete, impostos internos, margem dos importadores, margem do varejo e decisão das empresas de repassar ou não a queda de custo.

Leia também: Acordo Mercosul-UE pode aumentar exportações brasileiras em US$ 1 bilhão

Vinho

O vinho é um dos produtos com maior potencial de impacto para o consumidor brasileiro, mas a regra varia conforme o tipo e o valor do rótulo.

Para vinhos com valor aduaneiro igual ou superior a US$ 8 por litro, a tarifa de importação será eliminada imediatamente. Esse valor é o preço declarado na importação antes de impostos internos e custos de distribuição no Brasil.

Já os vinhos abaixo desse patamar continuam pagando a tarifa atual por 12 anos e só depois terão o imposto eliminado.

Queijos

Os queijos europeus também entram no acordo, mas com limite de volume.

No começo, até 3 mil toneladas por ano poderão entrar no Brasil com desconto na tarifa. Esse volume aumenta aos poucos até chegar a 30 mil toneladas anuais em 10 anos.

A redução também será gradual. No primeiro ano, o desconto será de 10% sobre a tarifa de importação. Depois, aumenta ano a ano, até chegar à eliminação total da tarifa dentro da cota ao fim do período. Fora desse limite, os produtos continuam pagando a tarifa normal.

Queijos finos, queijos azuis e variedades europeias maturadas, como parmesão, gouda, grana padano e pecorino, podem ficar mais competitivos no Brasil, a depender do enquadramento tarifário. O impacto, porém, será limitado nos primeiros anos.

Chocolates

Chocolates e produtos com cacau também entram no acordo, mas com regras diferentes conforme o tipo de produto. Hoje, parte desses itens chega ao Brasil com tarifa em torno de 20%.

Para tabletes e barras, a tarifa dentro da cota cai gradualmente, chega à metade em 2030, fica próxima de zero em 2034 e é eliminada em 2035, quando a cota também deixa de existir. Para outros produtos de chocolate e confeitaria com cacau, o prazo é mais longo, com eliminação total somente após cerca de 14 anos.

Cerveja

A cerveja europeia feita com malte também está entre os produtos que podem ficar mais baratos no Brasil.

Hoje, a tarifa de importação é de 20%. Pelo acordo, ela será reduzida gradualmente até chegar a zero em 10 anos.

Leia também: MERCOSUL-UE: regras para cotas são definidas para viabilizar início prático do acordo

Azeite

O azeite de oliva europeu terá abertura mais lenta.

A tarifa de importação do azeite de oliva virgem é de 10%. Pelo acordo, ela será reduzida aos poucos até ser eliminada em 15 anos.

A mudança pode beneficiar principalmente azeites produzidos em países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, mas o efeito nas prateleiras também dependerá da cotação do euro e dos custos de transporte.

Bebidas não alcoólicas

Bebidas não alcoólicas europeias também entram no cronograma de redução tarifária.

O prazo varia conforme o tipo de bebida. Algumas terão eliminação da tarifa em oito anos. Outras levarão 10 anos.

Pêssego em calda

O pêssego em calda é outro produto que pode ser beneficiado, mas a redução será gradual.

A tarifa de importação para algumas categorias do produto chega a 55%. Pelo cronograma do acordo, a eliminação tende a ocorrer em 10 anos.

Leite em pó e fórmulas infantis

O acordo também prevê cotas para leite em pó e fórmulas infantis.

No caso do leite em pó, a cota começa em 1 mil toneladas e chega a 10 mil toneladas em 10 anos. Para fórmulas infantis, começa em 500 toneladas e sobe até 5 mil toneladas no mesmo período.

Dentro dessas cotas, o desconto na tarifa aumenta gradualmente até chegar à eliminação total. Fora delas, os produtos continuam sujeitos à tarifa normal.

Veja alguns outros produtos que devem ficar mais baratos

Produto Categoria Tarifa atual (Brasil) Prazo para isenção
Água mineral e gaseificada (sem açúcar) Bebidas 20% 4 anos
Whisky Bebidas 20% 4 anos
Gin e genebra Bebidas 20% 4 anos
Vodca Bebidas 20% 4 anos
Rum Bebidas 20% 4 anos
Licores Bebidas 20% 4 anos
Conhaque e aguardente de vinho Bebidas 20% 4 anos
Champanhe e espumantes Bebidas 20% 8 anos
Vermute Bebidas 20% 10 anos
Sidra Bebidas 20% 10 anos
Vinagre Bebidas 20% 10 anos
Café solúvel / instantâneo Alimentos 16% 8 anos
Molho de soja Alimentos 18% 8 anos
Ketchup e molhos de tomate Alimentos 18% 10 anos
Mostarda preparada Alimentos 18% 10 anos
Maionese Alimentos 18% 10 anos
Sopas e caldos preparados Alimentos 18% 10 anos
Sorvetes Alimentos 18% 10 anos
Complementos alimentares Alimentos 16% 10 anos
Sardinha em conserva Conservas 32% 15 anos
Cogumelos Agaricus em conserva Conservas 35% 10 anos
Outros cogumelos em conserva Conservas 14% 8 anos
Aspargos em conserva Conservas 14% 10 anos
Pepinos em conserva Conservas 14% 10 anos
Cerejas em calda Conservas 14% 10 anos
Peras em calda Conservas 14% 10 anos
Damascos em calda Conservas 14% 10 anos
Morangos em conserva Conservas 14% 10 anos
Geleias e marmeladas Conservas 14% 10 anos
Biscoitos e bolachas Confeitaria 18% 10 anos
Waffles e wafers Confeitaria 18% 10 anos
Pão de centeio (knäckebröt) Confeitaria 18% 10 anos
Pastilhas elásticas (chiclete) Confeitaria 20% 15 anos
Caramelos e balas sem cacau Confeitaria 20% 15 anos
Medicamentos com antibióticos Saúde 8–14% 8–10 anos
Medicamentos hormonais Saúde 8–14% 8–10 anos
Pensos e curativos cirúrgicos Saúde 12% 10 anos
Vacinas (humanas e veterinárias) Saúde 2–4% 4 anos

Fonte: Apêndice 10-A-2 do Acordo de Parceria Mercosul–União Europeia (cronograma de desgravação tarifária do Mercosul). Dados referentes às alíquotas de importação do Brasil (coluna “Alíquota-base do Brasil”) e às categorias de desgravação previstas no acordo que entrou em vigor em 1º de maio de 2026.

Redução será gradual

A principal mudança para o consumidor brasileiro será a ampliação gradual da concorrência de produtos europeus no mercado nacional.

Mesmo assim, tarifa menor não significa, necessariamente, preço menor de forma imediata. A queda pode ser absorvida por importadores e varejistas, compensada por variação cambial ou diluída em custos logísticos e tributários.

No curto prazo, os efeitos mais visíveis tendem a aparecer em produtos de maior valor agregado ou em nichos de consumo, como vinhos premium, queijos especiais, chocolates importados e azeites. Para produtos mais sensíveis ou com cotas, o impacto deve ser mais lento.

O governo estima que o acordo comercial Mercosul-UE terá efeito positivo de 0,34% sobre o PIB brasileiro até 2044, aumento de 0,76% no investimento e redução de 0,56% no nível de preços ao consumidor.

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