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Vinicius Torres Freire: reajuste do Bolsa Família vai aumentar a volatilidade eleitoral
Publicado 17/09/2026 • 22:46 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/09/2026 • 22:46 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo deve aumentar a volatilidade eleitoral, mas o impacto efetivo sobre a decisão dos eleitores ainda é incerto, avaliou Vinicius Torres Freire, analista do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
O governo anunciou nesta quinta-feira (17) a correção dos benefícios do programa, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691. O custo adicional estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.
Ao comentar a reação inicial dos mercados ao anúncio, Freire afirmou que o movimento de Bolsa e dólar perdeu força rapidamente e que fatores mais estruturais voltaram a determinar o comportamento dos ativos.
“A reação do mercado, às vezes, tem aquela coisa de manada. Tanto que não foi um movimento tão relevante. A coisa virou rapidamente e os fatores mais de fundo determinaram o andamento da Bolsa”, disse.
No campo político, o analista afirmou que ainda é difícil estimar se a medida produzirá ganho eleitoral relevante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Freire, parte significativa do público beneficiado já integra o eleitorado do presidente, o que poderia limitar um eventual efeito adicional.
“Pode ter um ganho marginal? Talvez. Pode ser que as pessoas fiquem irritadas? Talvez, porque demorou muito”, afirmou.
Freire também apontou a possibilidade de o anúncio gerar reação negativa em parte dos eleitores que não se identificam diretamente com os principais campos políticos.
“O balanço disso vai ser incerto, vai ser pequeno, vai ser até difícil de ser medido por pesquisa. Porque, como ele tende a ser marginal, pode ser que ele acabe na margem de erro”, disse.
Leia também: Durigan compara reajuste do Bolsa Família à ampliação de benefícios por Bolsonaro antes das eleições de 2022
Para o analista, outros acontecimentos da reta final da campanha também podem ter peso maior sobre o comportamento do eleitorado, dificultando a identificação de um efeito isolado do reajuste.
Na economia, Freire avaliou que a principal consequência da decisão é fiscal. Segundo ele, o aumento permanente das despesas torna mais difícil o cumprimento do resultado prometido para o próximo ano.
“Com o governo gastando mais R$ 22 bilhões no ano que vem, que é a conta do aumento do Bolsa Família, esse resultado fica ainda mais improvável e o governo vai ter que fazer apertos inacreditáveis, qualquer que seja o governo, para chegar ainda perto daquele resultado improvável de superávit”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCA estimativa divulgada nesta quinta-feira aponta para um impacto de R$ 22,7 bilhões em 2027. O gasto adicional não estava previsto no projeto de Orçamento enviado ao Congresso e terá de ser acomodado por meio de ajustes.
Na avaliação de Freire, a nova despesa adiciona um elemento de desconfiança a um cenário fiscal que já era questionado por analistas.
“Já tinha muita gente fazendo conta, dizendo que esse superávit, além de pequenininho, era muito improvável por um monte de problemas”, disse.
O analista também relacionou a reação inicial dos ativos ao aumento da sensibilidade do mercado às decisões tomadas durante a campanha.
“Teve esse faniquito no dólar, na bolsa, de meia hora, mas mostra que a eleição vai ser decidida em alguns golpes, talvez, de sorte”, afirmou.
Freire criticou ainda o peso assumido por episódios conjunturais na reta final da eleição, em detrimento, na avaliação dele, de debates sobre propostas econômicas e políticas públicas.
“A gente desistiu completamente de discutir qualquer assunto relativo ao país, ou até a qualidade das candidaturas em si”, disse.
Segundo o analista, o reajuste do Bolsa Família entra nesse ambiente como mais um fator capaz de provocar movimentos políticos e de mercado no período eleitoral.
“Essa é a consequência maior. Essa é a contribuição maior desse reajuste em cima da hora do Bolsa Família. Vai aumentar a volatilidade”, afirmou.
Freire lembrou ainda que alterações em programas de transferência de renda próximas a períodos eleitorais não são exclusividade do atual governo e citou medidas adotadas em administrações anteriores. Em 2022, por exemplo, o então governo Jair Bolsonaro elevou temporariamente de R$ 400 para R$ 600 o valor mínimo do Auxílio Brasil.
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