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Vorcaro prepara nova proposta de delação para apresentar em junho

Publicado 31/05/2026 • 07:49 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • A defesa de Daniel Vorcaro trabalha para apresentar uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal até a primeira quinzena de junho, após a rejeição da documentação inicialmente entregue aos investigadores.
  • Com autorização do ministro André Mendonça e concordância da PF e da PGR, os advogados terão acesso ampliado ao banqueiro para elaborar novos anexos e reforçar a colaboração.
  • Investigadores consideraram a primeira proposta sem relevância para as apurações, enquanto interlocutores afirmam que a nova versão deverá trazer informações mais consistentes, embora o celular de Vorcaro siga como entrave.

Negociações para um acordo de colaboração voltaram a ganhar ritmo e a expectativa é que Daniel Vorcaro apresente às autoridades, dentro de pouco mais de duas semanas, uma nova versão de sua proposta de delação premiada, desta vez com informações consideradas mais consistentes.

A defesa do banqueiro obteve autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para ampliar o tempo de acesso ao cliente na prisão. A medida contou com a concordância da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) e deverá vigorar até a primeira quinzena de junho. O objetivo é utilizar esse período para elaborar novos anexos e estruturar uma proposta mais robusta de colaboração. As informações são de O Globo.

O pedido dos advogados prevê um regime especial de visitas justamente para acelerar a construção do novo material. A estratégia é concluir a documentação e submetê-la às autoridades ainda na primeira metade de junho, em uma tentativa de avançar nas negociações em curso.

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Primeira proposta rejeitada

A movimentação ocorre após a recepção negativa da primeira documentação apresentada por Vorcaro. Entre investigadores, o material foi classificado como uma “brincadeira” e descrito como algo “sem pé nem cabeça”, por não trazer elementos considerados relevantes nem informações inéditas para as apurações.

Mesmo depois da avaliação desfavorável da PF, o banqueiro manteve conversas com a PGR em busca de um acordo. Segundo relatos de interlocutores, porém, ele ainda defendia uma espécie de “versão light” da colaboração, baseada em uma estratégia de contenção de danos, posição que gerava divergências entre grupos próximos ao próprio Vorcaro.

Obstáculo central

Com a retomada das tratativas diretamente com a PF, pessoas envolvidas nas negociações passaram a sustentar que o banqueiro estaria disposto a relatar efetivamente o que sabe. Ainda assim, participantes das conversas avaliam que o conteúdo armazenado em seu telefone celular continua sendo o principal entrave para a evolução de um acordo.

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Na avaliação desses interlocutores, o aparelho concentra um volume significativo de informações capazes de dar sustentação às investigações, fator considerado decisivo para o avanço das negociações.

Por que a primeira delação não foi aceita

Apesar de as conversas seguirem em andamento, a tentativa de Daniel Vorcaro de fechar um acordo de delação premiada ainda enfrenta resistência dentro da Polícia Federal (PF). Desde o início das negociações, investigadores têm demonstrado reservas em relação aos termos apresentados pelo ex-banqueiro, investigado em um caso cujo rombo estimado já ultrapassa R$ 57 bilhões. Desse montante, R$ 51,8 bilhões deverão ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcir clientes da instituição.

Entre os principais pontos de divergência está a proposta financeira apresentada por Vorcaro. O ex-controlador do banco se dispôs a devolver cerca de R$ 40 bilhões, mas integrantes da investigação avaliam que o prejuízo total pode alcançar R$ 60 bilhões, ampliando a distância entre os valores discutidos.

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Outro fator que pesa contra o avanço das negociações é o conteúdo dos anexos entregues às autoridades em 6 de maio. Segundo relatos, o material não trouxe elementos considerados novos em relação às linhas de investigação já conduzidas pelos órgãos responsáveis.

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A forma de pagamento proposta também gera questionamentos. O plano apresentado prevê a quitação dos valores ao longo de 10 anos, modelo que enfrenta resistência de investigadores e autoridades, especialmente diante de problemas observados em acordos firmados durante a Operação Lava Jato.

Além disso, há dúvidas sobre a capacidade financeira de Vorcaro para cumprir eventuais compromissos assumidos em um acordo, sobretudo após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025.

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O próprio ministro André Mendonça, relator do caso, também teria manifestado ressalvas à proposta apresentada. De acordo com relatos, o magistrado vê com melhores olhos um prazo mais curto para pagamento, ainda que isso resulte em um valor final menor no acordo.

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