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Fabiano Rosa: PF eleva pressão sobre Vorcaro; celulares apreendidos ganham peso na investigação

Publicado 21/05/2026 • 22:48 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC diz que delação precisa trazer elementos novos à investigação.
  • Rosa afirma que provas digitais apreendidas podem reduzir o valor do depoimento do investigado.
  • Para o advogado, acordo só faria sentido se apontasse pessoas acima de Vorcaro e previsse devolução de valores.

A delação premiada de Daniel Vorcaro pode perder força caso os investigadores entendam que há omissão seletiva nas informações apresentadas pela defesa, avaliou Fabiano Rosa, advogado e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Rosa afirmou que uma colaboração precisa levar a investigação a um novo patamar. Segundo ele, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal só tendem a aceitar um acordo quando o delator apresenta informações novas, capazes de fortalecer a investigação ou a acusação.

“Quando há omissão, pode haver a conduta deliberada por parte do criminoso delator, Daniel Vorcaro, em omitir uma informação ou proteger alguma pessoa ou organização”, afirmou. “Aí nós entramos num campo em que a delação perde força.”

Leia também: PF rejeita delação de Daniel Vorcaro; defesa ainda mantém negociação com a PGR

Rosa disse que a Polícia Federal já teve acesso a celulares, computadores e documentos apreendidos. Na avaliação dele, esse material pode se tornar mais relevante do que a própria colaboração, caso o depoimento não acrescente fatos novos.

“São oito celulares. Até agora, só há informação de um dos oito celulares”, afirmou.

O advogado citou a existência de oito celulares apreendidos e afirmou que, até o momento, apenas parte do conteúdo teria sido analisada. Segundo ele, a ausência de determinados nomes, valores ou encontros nas tratativas pode indicar tentativa de preservar pessoas ou fatos.

“Isso indica que pode estar tendo uma omissão seletiva, e isso faz com que a delação não tenha sentido para a formação de prova para a Polícia Federal”, disse.

Rosa explicou que a delação premiada é um negócio jurídico previsto na Lei 12.850. O processo envolve negociação entre autoridade policial ou Ministério Público, acusado e defesa, com apresentação de informações, anexos e provas.

Segundo o Notável, contradições podem ocorrer em fatos antigos, e a falta de prova nem sempre inviabiliza uma colaboração. O problema, afirmou, surge quando investigadores identificam ausência de boa-fé.

“Quando você, no curso da negociação, começa a perceber que não tem boa-fé, que tem uma omissão, que tem uma contradição que daqui a pouco é dolosa, o investigador começa a se questionar até que ponto esse delator faz jus aos benefícios da delação”, afirmou.

Rosa também comentou a mudança de cela de Vorcaro. Segundo ele, o banqueiro deixou uma sala de Estado-Maior da Polícia Federal e foi transferido para uma carceragem de passagem. O advogado afirmou que a PF havia pedido o retorno ao presídio federal, mas o ministro André Mendonça adotou uma solução intermediária.

Para Rosa, o ponto central agora é saber o que Vorcaro poderia entregar para justificar um acordo, especialmente após a Polícia Federal demonstrar resistência à delação. Na avaliação dele, a colaboração só teria peso se apontasse pessoas acima do banqueiro no esquema investigado.

“Daniel Vorcaro já é o ápice do Banco Master. Ele é o dono, fundador, o presidente. O que o investigador quer saber? Quem está acima”, disse.

Segundo Rosa, isso pode envolver pessoas do meio político, empresarial, jurídico ou institucional, além do caminho do dinheiro. Ele também defendeu que eventual acordo inclua devolução de valores.

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“São dois pontos: que ele entregue mais pessoas que integraram esse sistema, essa organização criminosa, e, ao mesmo tempo, que haja devolução de valores”, afirmou.

O Notável disse que a reparação financeira é relevante diante do impacto do caso sobre o sistema financeiro. Ele citou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e fundos de pensão que tiveram recursos expostos ao Banco Master.

“Que haja, de um lado, devolução de dinheiro, que é uma dimensão de reparação, e que ele entregue outras pessoas que compõem esse núcleo criminoso”, afirmou.

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