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Mercado já precificou tarifaço, mas dólar deve seguir pressionado
Publicado 21/07/2026 • 22:13 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/07/2026 • 22:13 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A entrada em vigor das novas tarifas dos Estados Unidos já foi, em grande parte, precificada pelo mercado financeiro, afirmou Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o gestor disse que os investidores se acostumaram ao padrão de anúncios e negociações do governo Donald Trump e já incorporaram o tarifaço às expectativas.
“O mercado aprendeu com esses dois anos de Donald Trump. Quando ele anunciou a data-limite, basicamente já estava precificado que esse tarifaço viria”, afirmou.
Segundo Moura, isso não significa que os ativos brasileiros ficarão livres de volatilidade. O mercado deverá reagir à combinação entre as tensões no Oriente Médio, os desdobramentos comerciais e o início da disputa eleitoral no Brasil.
Moura afirmou que a diplomacia empresarial ganhou peso nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
Para ele, a Casa Branca tem privilegiado conversas diretas com setores e companhias, em vez de concentrar as tratativas apenas no nível diplomático entre governos.
“Cada setor está se organizando para ter um diálogo com as empresas americanas e um diálogo direto com a Casa Branca”, disse.
Na avaliação do sócio, as empresas brasileiras terão de ampliar a atuação em Washington e acompanhar as negociações de forma segmentada.
“Vamos ter que acompanhar setor por setor, empresa por empresa. Virou praticamente um jogo de varejo”, afirmou.
Moura disse que o governo brasileiro passa a desempenhar um papel mais secundário nesse modelo, embora continue participando das articulações institucionais.
O gestor afirmou que o comportamento da bolsa nas próximas semanas será influenciado por três fatores principais: a guerra no Irã, o tarifaço dos Estados Unidos e as eleições brasileiras.
“A tarifa está meio precificada. Mas teremos uma combinação bastante interessante nas próximas semanas para separar o efeito tarifaço, o efeito Irã e o efeito eleição”, disse.
Segundo Moura, o cenário internacional deverá continuar sendo determinante para o fluxo de recursos direcionado aos mercados emergentes.
O Brasil vinha atraindo capital estrangeiro por oferecer remuneração elevada e apresentar, na comparação com outros emergentes, uma percepção de maior estabilidade institucional.
Esse movimento, porém, perdeu força com o aumento das incertezas externas.
“Vejo muito mais incerteza para o investidor internacional agora do que tivemos no primeiro trimestre”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCApesar da queda registrada nesta terça-feira, Moura afirmou que há mais fatores favoráveis à valorização do dólar do que à apreciação do real nas próximas semanas.
“O dólar vai ficar bastante pressionado. Vejo vários elementos de pressão e de eventual desvalorização cambial”, disse.
Segundo o gestor, a entrada de investidores estrangeiros na bolsa tende a favorecer a moeda brasileira, mas esse fluxo dependerá principalmente do cenário internacional.
Moura destacou que o Brasil disputa recursos com países como Índia, China, Turquia, Rússia e África do Sul. A decisão de alocação leva em conta risco, retorno e estabilidade de cada mercado.
Moura afirmou que investidores estrangeiros parecem mais tranquilos com as eleições brasileiras do que os participantes locais do mercado.
Segundo ele, o investidor doméstico demonstra maior apreensão com as diferenças entre os projetos políticos em disputa, enquanto os estrangeiros enxergam maior continuidade institucional.
“Existe uma apreensão maior no investidor local em relação ao resultado da eleição”, afirmou.
Na avaliação do empresário, parte dessa percepção ocorre porque investidores internacionais consideram que o Congresso continuará exercendo papel relevante na definição da agenda econômica.
“Lá fora, a eleição brasileira não está gerando o pânico que gerou, por exemplo, em 2002”, disse.
Leia também: Empresas recorrem à renegociação para reduzir impacto das tarifas dos EUA
Moura evitou apontar uma taxa específica para o fim do ano, mas afirmou que o nível dos juros continuará alto no médio e no longo prazo.
Segundo ele, eventuais alterações de 0,25 ponto percentual teriam efeito limitado diante do patamar atual.
“O nível de juros no Brasil é extremamente elevado. Isso não vai mudar”, afirmou.
O gestor disse que o próximo governo, independentemente do resultado eleitoral, deverá enfrentar maior pressão para avançar em uma agenda fiscal capaz de abrir espaço para a redução dos juros.
“Essa será uma agenda central, mas também será uma agenda difícil”, concluiu.
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