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Vorcaro tinha grupo no WhatsApp com “espiões” do BC para monitorar fiscalização
Publicado 18/08/2026 • 22:47 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/08/2026 • 22:47 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Master
Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro mantinha contato direto com dois servidores do Banco Central responsáveis pela supervisão bancária e recebia deles orientações, documentos e informações sobre discussões internas da autarquia enquanto tentava evitar o colapso do Banco Master, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal.
As conversas envolvem Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto da mesma área. Os três participavam de um grupo de WhatsApp chamado “Master”, criado em outubro de 2025, poucas semanas antes da liquidação do banco. As mensagens foram reveladas pelo UOL, que teve acesso a elementos da investigação da Polícia Federal.
Segundo o material, os dois servidores revisavam documentos que seriam enviados pelo próprio Master ao BC e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ajudavam a organizar reuniões e comentavam posições de outros integrantes da autoridade monetária.
Para a PF, Santana e Neves de Souza teriam ultrapassado os limites de suas funções e atuado de forma recorrente na defesa de interesses privados de Vorcaro. Os dois foram afastados de suas funções em janeiro e são investigados por suspeita de terem recebido vantagens financeiras.
A defesa de Neves de Souza afirma que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a retirada do sigilo de seu depoimento, que, segundo os advogados, esclarece as acusações feitas pela investigação. As defesas de Santana e Vorcaro não haviam se manifestado sobre as mensagens.
Leia também: DENÚNCIA: Forbes Brasil montou nova operação em meio à suspeita de ligação com Daniel Vorcaro
Um dos diálogos citados pela investigação ocorreu em fevereiro de 2025.
Neves de Souza alertou Vorcaro sobre uma movimentação financeira de centenas de milhões de reais que havia sido detectada pela área de monitoramento do Banco Central.
“Meu caro, teve uma saída de recursos de 488,8 mm do Fundo Reag Growth 95 e uma entrada de 545,5 mm da Master Holding Financeira. Favor verificar e me ligar quando puder pois essa movimentação caiu no filtro da área de monitoramento”, escreveu o servidor.
A PF também encontrou conversas em que os funcionários orientavam Vorcaro sobre a forma de apresentar demandas ao próprio Banco Central.
Em novembro, por exemplo, o banqueiro enviou ao grupo uma minuta relacionada à cessão de carteiras de crédito para o Banco de Brasília (BRB) e perguntou aos servidores se poderiam opinar sobre o pedido.
Naquele período, o Master enfrentava uma crise de liquidez após a interrupção de novas compras de carteiras pelo BRB, que até então representavam uma fonte relevante de recursos para a instituição.
As mensagens também mostram Vorcaro recorrendo aos servidores para tentar solucionar entraves enfrentados pelo banco.
Em outubro de 2025, o banqueiro perguntou se o BC poderia enviar uma carta ao BTG para facilitar a venda de um ativo.
“Estou consultando o Ailton aqui”, respondeu Neves de Souza, em referência a Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central.
Pouco depois, o servidor informou que Aquino aceitava enviar o documento em determinados termos. Vorcaro então pediu uma cópia de um modelo anterior e recebeu no grupo um ofício já utilizado pelo Banco Central.
Aquino não é investigado no caso. Ele prestou depoimento à PF como testemunha e relatou a existência de vazamentos de informações relacionados à supervisão do Master.
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Siga o Times | CNBCAs conversas se intensificaram em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação do Banco Master e horas antes da prisão de Vorcaro.
Naquela manhã, Neves de Souza escreveu: “Bom dia Daniel! Semana decisiva”.
Vorcaro perguntou se deveria ligar para Ailton de Aquino.
“Sim. Liga e insiste”, respondeu Neves de Souza.
Santana acrescentou: “Considero fundamental, nesse momento”.
Depois de informar que não havia conseguido falar com o diretor, Vorcaro pediu uma videoconferência para apresentar o que chamou de “roteiro”. A reunião foi marcada para o início da tarde e consta da agenda pública do Banco Central como “Solução de mercado – Banco Master”.
No encontro, Vorcaro apresentou uma proposta para a venda do banco a investidores estrangeiros.
A investigação identificou uma situação incomum: ao mesmo tempo em que mantinham contato próximo com Vorcaro, Santana e Neves de Souza participavam internamente da tramitação de informações que acabariam encaminhadas à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
Em 10 de novembro de 2025, o Banco Central produziu um documento relatando indícios de crimes envolvendo operações entre o Banco Master e a Reag Investimentos.
Segundo o documento, havia sinais de operações estruturadas para desviar recursos do conglomerado Master por meio de sucessivas movimentações entre fundos e ativos.
Santana e Neves de Souza deram aval interno ao encaminhamento dessas informações às autoridades. A Procuradoria-Geral do Banco Central autorizou o envio em 17 de novembro.
Horas depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.
Leia também: Polícia Federal encontra aeronave de R$ 120 milhões de Daniel Vorcaro no Paraguai; veja imagens
A PF também investiga se os dois servidores receberam benefícios em troca da atuação favorável ao banqueiro.
No caso de Belline Santana, os investigadores apontam pagamentos associados a um contrato que seria de fachada para a produção de um estudo sobre a inserção de jovens no mercado financeiro.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram referências a pagamentos destinados a “Belline” ou “Bellini”. Segundo a investigação, os valores passavam por Leonardo Palhares, sócio da Varajo Consultores, antes de chegar ao servidor.
Em relação a Paulo Sérgio Neves de Souza, a PF cita a venda de um sítio por R$ 4,8 milhões para uma empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, além do custeio de uma viagem à Disney.
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