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Web Summit Rio 2026 traz a pergunta que vale bilhões para o Brasil e a IA

Publicado 04/06/2026 • 13:27 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Web Summit Rio 2026 reúne OpenAI, Microsoft, Google, Nvidia e Meta para debater IA generativa e agentes autônomos
  • Brasil é segunda maior reserva de terras raras do mundo e um dos maiores públicos usuários de IA do planeta
  • Especialista questiona se Brasil vai emergir como criador de tecnologia global ou ficar só como mercado consumidor

O Rio de Janeiro vira epicentro global da inovação esta semana com o Web Summit Rio 2026. OpenAI, Microsoft, Google, Nvidia e Meta estão na lista de participantes do evento, que coloca em debate os rumos da inteligência artificial generativa, dos agentes autônomos e da infraestrutura de dados. O desafio central da edição é um só: como transformar o hype tecnológico em faturamento real.

Para Marcel Nobre, especialista em inteligência artificial, a pergunta mais importante que investidores e empresas vão tentar responder ao longo do evento vai além das tendências do setor. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (4), ele resumiu o dilema: “Se o Brasil vai participar da nova economia digital apenas como mercado consumidor ou também como criador de tecnologia, de modelos de negócio e de soluções globais.”

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Brasil entra no mapa global da IA com credenciais próprias

O país chega ao Web Summit com ativos que poucos imaginavam ter peso geopolítico. O Brasil é a segunda maior reserva de terras raras do mundo, recurso indispensável para o desenvolvimento de hardware de IA, ficando atrás apenas da China. Esse dado coloca o país numa posição de interesse simultâneo para Washington e Pequim.

Além do subsolo, há o comportamento digital da população. O Brasil figura entre os maiores públicos usuários de inteligência artificial do planeta em volume diário de uso, o que o torna um laboratório natural para experimentação em escala.

“A gente serve como um palco global para a experimentação, com um ecossistema de startups bem criativo e um grande potencial energético para a criação de data centers”, afirmou Nobre, acrescentando que o Rio de Janeiro já é visto como polo para instalação desse tipo de infraestrutura.

Ecossistema promissor, mas dependente de política pública

O especialista reconhece o potencial, mas aponta o risco de o Brasil desperdiçá-lo por falta de estrutura. O ecossistema de fintechs brasileiro é citado como exemplo do que o país pode produzir quando combina criatividade com escala: o Pix, os bancos digitais e as grandes plataformas de pagamento já incomodam empresas financeiras americanas e colocam o Brasil à frente em aplicações de IA no setor.

O problema, segundo Nobre, é que inovação pontual não basta. “A gente precisa trabalhar políticas públicas, infraestrutura tecnológica, soberania tecnológica e desenvolvimento de modelos de IA nacionais”, disse o especialista, que usa a China como referência de como conectar governo, grandes empresas, startups e universidades num ecossistema coeso.

Data centers atraem capital, mas deixam pouca riqueza

Um dos temas que deve ganhar espaço no Web Summit é a expansão de data centers na América Latina. Nobre alerta, porém, que esse modelo tem um histórico de gerar pouco retorno para os países que hospedam essas estruturas.

“Data centers consomem muita energia, muitos recursos e empregam pouca gente. Deixam pouca riqueza para o país que hospeda”, avaliou o especialista, sinalizando que a atração desse tipo de investimento precisa vir acompanhada de contrapartidas mais concretas para a economia local.

Vitrine ou ecossistema de verdade

O Web Summit Rio reúne 14 trilhas temáticas nesta edição, com a inteligência artificial atravessando praticamente todas elas, da produtividade à governança, da mídia à educação. A presença de Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para soberania tecnológica, segurança e democracia, adiciona peso ao debate regulatório.

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Para Nobre, o evento só terá valor real se o que for discutido nos palcos virar política e investimento estruturado fora deles. “O desafio vai ser dar continuidade de forma estruturada para que se torne um ambiente propício a investimento e não só pontuais em algumas startups”, concluiu o especialista.

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