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Testes com ‘superchip’ Vera Rubin, da Nvidia, mostram que ele é mesmo tudo o que promete

Publicado 24/07/2026 • 13:21 | Atualizado há 1 dia

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Allan Ravagnani

Repórter

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

NVIDIA Vera Rubin NVL72 on CoreWeave

Nvidia

NVIDIA Vera Rubin NVL72 on CoreWeave Demonstrates 10x More Tokens Per Megawatt Than Blackwell in Benchmark

Há pouco mais de um ano, empresas de tecnologia do mundo inteiro entraram na fila para comprar o Blackwell, o chip que prometia resolver o gargalo de processamento da inteligência artificial e que, por meses, foi tratado como o item mais cobiçado da economia global, disputado por hiperescaladores dispostos a assinar contratos bilionários antes mesmo de ver a peça funcionando numa sala fria de verdade.

Racks inteiros do GB200 NVL72 foram instalados às pressas, com data centers erguidos numa velocidade que os manuais de engenharia não recomdariam, só para garantir um lugar na fila da próxima onda de modelos de linguagem. Pois bem, essa fila mal andou e a Nvidia já está anunciando a fila seguinte, batizada de Rubin.

🔍 Hiperescalador é o nome que o mercado deu ao grupo restrito de empresas capazes de operar infraestrutura de computação em escala planetária, com data centers espalhados por dezenas de países e capacidade para atender milhões de clientes ao mesmo tempo. É um clube pequeno porque poucas companhias no mundo reúnem bolso e conhecimento técnico para brincar nesse tamanho: além da própria Alphabet, ele reúne basicamente a Microsoft, a Amazon e a Meta.

É preciso separar, porém, o que de fato aconteceu do que foi divulgado como se já fosse produto pronto na prateleira. Na terça-feira (21), quem publicou os primeiros números de desempenho do Vera Rubin NVL72 não foi a Nvidia, e sim a CoreWeave, uma nuvem especializada em GPU que é cliente da fabricante.

O teste rodou num rack de amostra de engenharia montado pela Dell, sem o cabeamento completo de rede que o produto final terá, e a própria SemiAnalysis, consultoria que analisou os números, registrou por escrito que não os verificou de forma independente.

A Nvidia prometeu submeter resultados auditados por um benchmark externo chamado InferenceX no terceiro trimestre deste ano. Racks de produção real, esses sim, começam a chegar a clientes como AWS, Google Cloud, Microsoft Azure e Oracle Cloud apenas no segundo semestre de 2026.

Rubin nasce da fusão de seis chips diferentes

Vale a pena parar um instante na etiqueta, porque ela confunde até quem cobre o setor todos os dias. Vera Rubin não é um chip. É o nome de uma plataforma inteira, batizada em homenagem à astrônoma americana Vera Rubin, cujas observações sobre a rotação de galáxias ajudaram a comprovar a existência da matéria escura.

Dentro dessa plataforma, "Rubin" é o nome específico da GPU, a peça que faz o trabalho pesado de processamento, enquanto "Vera" é o nome da CPU que a acompanha, sucessora da atual Grace. Uma GPU Rubin somada a uma CPU Vera forma o que a Nvidia chama de "Vera Rubin Superchip", e 72 dessas GPUs somadas a 36 dessas CPUs, ligadas em rede, formam o rack completo batizado de Vera Rubin NVL72, que é a unidade que os data centers efetivamente compram e instalam.

Cada um desses racks reúne, ao todo, seis chips diferentes trabalhando juntos: a CPU Vera, a GPU Rubin, o switch de rede NVLink 6, a placa de rede ConnectX-9, o processador de dados BlueField-4 e o switch Ethernet Spectrum-6, todos ligados por uma interconexão que sozinha entrega 260 terabytes por segundo de banda de escala.

A GPU Rubin é fabricada pela taiwanesa TSMC num processo de 3 nanômetros e carrega 336 bilhões de transistores numa única peça, quase 60% a mais do que a geração Blackwell. A Nvidia chama esse tipo de projeto de "co-design extremo", em que as seis peças são desenhadas juntas desde o início, como se fossem um único órgão, em vez de compradas separadamente e encaixadas depois.

🔍 TCO, ou custo total de propriedade, é a conta que soma tudo que uma empresa gasta para operar um equipamento ao longo da vida útil dele, não só o preço de compra. Inclui eletricidade, refrigeração, manutenção e o próprio ritmo de troca por peças mais novas, e é essa conta, não o preço do chip isolado, que decide se um data center dá lucro.

O problema de quem comprou a geração anterior

A ironia é cruel para quem correu para montar infraestrutura em Blackwell nos últimos doze meses, mas o tamanho dela depende de qual comparação se usa. O número mais chamativo, dez vezes mais tokens processados por megawatt, aparece quando o Rubin é comparado a uma versão do GB200 de 2025, rodando um software um ano mais velho do que o que qualquer empresa usa hoje.

A própria SemiAnalysis refez a conta usando o Blackwell atualizado de julho de 2026 como referência, a vantagem cai para algo em torno de três vezes no meio da curva de desempenho, chegando a cerca de cinco vezes apenas no limite extremo em que o Blackwell mal consegue mais entregar respostas rápidas o bastante.

O teste também rodou o DeepSeek R1, um modelo chinês lançado em janeiro de 2025 e hoje considerado defasado, o que torna a comparação ainda mais favorável ao Rubin do que seria com um modelo atual.

Mesmo com esse desconto, a vantagem é real e deve crescer, já que o software do Rubin ainda está no começo do amadurecimento, o mesmo caminho percorrido pelo Blackwell no ano passado. Isso significa que o equipamento que ainda está sendo pago, financiado e depreciado nos balanços dos hiperescaladores corre o risco real de nascer como a opção mais cara e mais lenta da prateleira, ainda que não pelas dez vezes que circularam nos primeiros gráficos.

Nenhum preço oficial ainda, e ninguém quer ficar de fora

A Nvidia não divulgou tabela de preços do Rubin, as usual, mas o histórico de lançamentos recentes sugere um ágio de 30% a 50% sobre o valor cobrado hoje por um rack Blackwell completo, pelo menos enquanto a oferta for curta.

Ainda assim, a fila deve se repetir.

Nenhuma empresa que disputa a liderança em inteligência artificial pode se dar ao luxo de ficar rodando a geração anterior enquanto o concorrente processa dez vezes mais por megawatt gasto, e é exatamente esse medo, mais do que qualquer especificação técnica no folheto, que continua movendo a engrenagem bilionária por trás de cada anúncio da Nvidia.

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Divulgação: Nvidia

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