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GPT-6 é lançado como o maior salto da inteligência artificial até hoje, mas fica para trás na hora dos testes comparativos
Publicado 04/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 04/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
OpenAI
OpenAI lança o GPT-6 chamando o modelo de maior avanço de IA já visto, só que o Astra perde para rivais no ranking mais importante do setor
Numa sala de teleconferência lotada de repórteres na quinta-feira (3), depois de meses de vazamentos, adiamentos e um codinome interno que a própria OpenAI evitava confirmar, o presidente da empresa, Greg Brockman, esperou o momento certo, deixou a plateia terminar de anotar os números que acabavam de aparecer na tela e soltou a frase que resumia a ambição do dia, "bem-vindo à era da AGI", sigla para inteligência artificial geral, o tipo de IA capaz de fazer qualquer tarefa intelectual que um humano faria, sem precisar ser treinada especificamente para ela.
Não era a primeira vez que alguém no Vale do Silício anunciava essa chegada, marco escorregadio que a indústria persegue e redefine conforme a conveniência, mas era a primeira vez que o número um da OpenAI dizia, sem cerimônia, que acreditava pessoalmente ter chegado lá. "Acho que pode ser sobre este modelo", completou, deixando para o público a tarefa de decidir se concordava.
O modelo em questão é o GPT-6 Astra, lançado nesta semana e apresentado pela OpenAI como o salto mais ambicioso desde o início da corrida por modelos de fronteira. E é aqui que a história de IA fica interessante, porque o discurso e a planilha de resultados não caminham exatamente de mãos dadas.
O Astra nasceu do maior treinamento já realizado pela OpenAI, rodado em mais de 100 mil GPUs no complexo Stargate, no Texas, e é o primeiro lançamento da empresa em que modelos anteriores tiveram participação relevante na supervisão do próprio treinamento.
O preço acompanha a ambição, 10 e 50 dólares por milhão de tokens, cerca de 2,5 vezes mais caro que o GPT-5.6 Sol, ainda que a OpenAI argumente que o modelo economiza tokens ao concluir tarefas em menos etapas. Diferente da geração anterior, que veio dividida em variantes batizadas de Sol, Terra e Luna, o Astra chega sozinho, acompanhado apenas de uma versão Pro, e o acesso começa restrito a clientes corporativos do programa Daybreak antes de se espalhar para assinantes Plus, Pro, Business e Enterprise nos próximos dias.
🔍 A tal AGI não tem um teste único que comprove sua chegada, o que explica por que cada empresa de tecnologia se sente livre para declará-la a seu modo, geralmente no dia em que lança um produto novo.
| GPT-5.6 Sol | GPT-6 Astra | |
| Preço de entrada por milhão de tokens |
US$ 4 | US$ 10 |
| Preço de saída por milhão de tokens |
US$ 20 | US$ 50 |
| Tamanho do treinamento GPUs usadas |
não revelado | +100 mil |
| Tempo médio por tarefa teste OSWorld 2.0 |
75 min | 40 min |
Nos números que a OpenAI escolheu destacar, Astra de fato impressiona, com 98,6% no ARC-AGI-3, um dos testes de raciocínio mais difíceis do mercado, 98% no FrontierMath T4 e a marca cheia no ExploitGym, avaliação voltada a encontrar falhas de segurança em sistemas protegidos. São vitrines pensadas para sustentar a narrativa da nova era, e cumprem bem esse papel.
O problema aparece quando se olha além da vitrine escolhida por Brockman. No Intelligence Index da Artificial Analysis, que soma dezenas de avaliações independentes para cravar uma nota geral de capacidade, Astra soma 61 pontos e fica atrás de um grupo que inclui o Claude Fable 5.1 e o Opus 5, da Anthropic, além do Muse Spark 1.3, da Meta.
Em codificação agêntica, terreno que a própria OpenAI escolheu como um dos pilares do lançamento, o Astra marcou 74,1% no teste DeepSWE, enquanto o modelo da Meta, lançado na mesma semana com bem menos alarde, chegou a 75,4%.
Não é um resultado ruim, longe disso. É só um resultado que não sustenta sozinho a frase que abriu a coletiva. Declarar a chegada da AGI enquanto o próprio modelo perde para pelo menos três concorrentes no ranking mais citado do setor de IA é o tipo de contradição que costuma render mais manchetes do que o anúncio original pretendia.
Enquanto os números de desempenho ocupavam os slides, um detalhe técnico recebeu bem menos atenção na apresentação. O Astra é o primeiro modelo da OpenAI que cruza o limiar "crítico" de capacidade cibernética dentro do próprio framework de segurança da empresa, o que na prática significa que ele consegue localizar e explorar vulnerabilidades desconhecidas em sistemas bem protegidos sem depender de instruções passo a passo de um humano.
Jakub Pachocki, cientista-chefe da companhia, admitiu que acompanhar o raciocínio do modelo ficou mais difícil, já que a técnica usada, batizada de recorrência opaca, torna a cadeia de pensamento menos legível para os próprios pesquisadores que deveriam fiscalizá-la.
A OpenAI reagiu limitando o acesso às capacidades cibernéticas mais avançadas a um grupo restrito de organizações no programa Daybreak Blue, focado em times de defesa digital. É uma resposta razoável, e serve de lembrete de que declarar a chegada da AGI em público e conter seus riscos mais afiados em particular são dois movimentos que nem sempre combinam.
A coincidência de calendário ajuda a entender o nervosismo em torno do lançamento. Na mesma semana, o senador Bernie Sanders se juntou ao deputado Greg Casar para apresentar um projeto de lei que proíbe o desenvolvimento de superinteligência artificial, com penalidades desenhadas nos moldes das leis que regulam armas nucleares. E, horas depois de Brockman decretar a nova era, ChatGPT, Claude e Grok saíram do ar ao mesmo tempo, vítimas de instabilidades que atingiram praticamente todos os grandes provedores de IA no mesmo dia, um lembrete pouco glamouroso de que a infraestrutura por trás da inteligência geral ainda tropeça nas mesmas coisas que qualquer serviço de nuvem.
Passado o barulho da coletiva, o que fica é um modelo genuinamente competente, caro, ainda pouco acessível e, por ora, longe de vencer sozinho a corrida que sua própria empresa insiste em declarar encerrada.
Leia outras colunas em AI-451.
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