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Mondepars Inverno 2026 apresenta “Alda”: memória, produto e identidade

Publicado 31/05/2026 • 17:57 | Atualizado há 2 horas

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Danni Rudz

Danni Rudz é comunicadora, criadora de conteúdo, consultora de diversidade corporal e vivências raciais, palestrante, educadora e especialista em moda inclusiva.  Comentarista especialista no Times Brasil - Licenciado CNBC falando ao vivo de Mercado de Luxo e Lifestyle, todas as 6ª feiras. Membro Forbes BLK.

Reprodução / Instagram

A coleção “ALDA”, inspirada na avó de Sasha Meneghel, estilista da marca

Existe um momento na trajetória de toda marca de moda que é quando ela deixa de ser uma promessa interessante e, de fato, revela linguagem própria.

Na indústria, identidade não nasce pronta. Ela é construída com o tempo, por meio da construção e repetição de códigos, do refinamento de silhuetas, da insistência em determinados materiais, cores, proporções e escolhas criativas que, coleção após coleção, começam a formar reconhecimento.

E talvez tenha sido justamente isso que o desfile de inverno 2026 da Mondepars apresentou em São Paulo na ultima quarta-feira (27): uma marca que consolida sua própria voz.

Mais madura. Mais segura. Mais fluída. E igualmente desejada. A coleção “ALDA”, inspirada na avó de Sasha Meneghel, estilista da marca, mergulha em memória familiar, herança feminina e formação artística para construir seu último trabalho.

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Muito além da “marca da Sasha”

A coleção “ALDA”, inspirada na avó de Sasha, Alda Meneghel, mergulha em memória familiar, herança feminina e formação artística para criar um desfile muito maduro em Mondepars.

Alda não aparece apenas como homenagem afetiva. Ela surge como estrutura narrativa.

Foi artista, pintora, costureira, artesã e responsável pelos primeiros figurinos de Xuxa, incluindo códigos visuais que atravessaram gerações da cultura pop brasileira. Uma mulher criativa que transformava escassez em linguagem estética. E isso tivemos no desfile inteiro.

Os ombros levemente elevados, a austeridade das silhuetas inspiradas nos anos 1940, os laços, os nós, os casacos, quase como roupas herdadas de um pai ausente em tempos de guerra. Existe emoção ali, mas sem caricatura dramática. A coleção fala sobre memória sem precisar performar nostalgia.

O luxo silencioso encontra sotaque brasileiro

Uma característica da Mondepars é justamente o fato da marca não entregar uma brasilidade caricata ou esperada como “producao exportação”. Durante anos, parte da moda brasileira foi e ainda é, pressionada a performar:

  • tropicalidade;
  • exuberância;
  • regionalismo;
  • excesso de informação;
  • ou artesanalidade folclorizada.

A Mondepars segue outro caminho. Existe ali um diálogo mais próximo do chamado luxo silencioso contemporâneo:

  • alfaiataria refinada;
  • excelência de matéria-prima;
  • construção de silhueta;
  • sofisticação emocional;
  • e um minimalismo que encontra potência nos detalhes.

Mas sem perder completamente o olhar brasileiro. Pelo contrário, eleva nosso produto a uma qualidade premium. Isso aparece também na construção corporal da coleção. As formas acompanham o corpo sem rigidez excessiva, trazendo uma sensualidade mais natural e menos artificializada. Há ainda um amadurecimento evidente nas proporções. Os tecidos passam a construir movimento com mais intenção. Existe mais equilíbrio.

As peças que consolidaram o desfile

Entre os destaques da apresentação, as jaquetas de ombros levemente elevados talvez tenham sido os itens mais fortes da coleção. Existe precisão nelas. As peças de camurça vermelha também surgem como um dos momentos mais sofisticados do desfile, especialmente a jaqueta de chamois com lapela em couro, que sintetiza bem a ideia de um luxo tátil, silencioso e emocional.

Os tricôs sempre maduros e integrados à narrativa da coleção. Já os elementos em madeira, presentes em gravatas, estruturas de corpete, lapelas e luvas, ampliam um código visual que a marca já vinha construindo anteriormente. Peças que são a assinatura reconhecível da marca.

O tom específico de marrom apresentado na coleção também merece destaque. Ele praticamente se consolida como uma cor-identidade da Mondepars. E isso importa. Na moda, assinatura também se constrói por repetição, insistência e refinamento.

Moda como experiência

Outro ponto que aproxima a Mondepars de apresentações internacionais é a preocupação crescente com experiência e direção artística. O desfile contou com direção artística de João Lucas e foi apresentado com tecnologia Dolby Atmos, tornando-se o primeiro desfile brasileiro a utilizar esse tipo de sonoridade imersiva.

A cenografia recriava memórias da infância de Alda, enquanto a trilha e os elementos performáticos ajudavam a transformar a apresentação em narrativa emocional. Não era apenas uma sequência de looks na passarela. Existia roteiro. As grandes marcas internacionais entenderam há muito tempo que o desfile contemporâneo não vende apenas roupa. Ele vende universo, emoção, percepção cultural e desejo. E a
Mondepars mergulhou nesse propósito.

O Futuro

Existe algo extremamente positivo nisso tudo: honestidade.
A marca parece menos preocupada em criar “invencionices” para viralizar e mais interessada
em construir produto, linguagem e permanência.
E isso, sinceramente, já representa muito para a moda brasileira. E assegura a marca num
universo comparável a grandes maisons de renome que desfilam suas coleções em semanas
de moda internacionais
Porque o desfile de inverno 2026 não foi importante apenas para Sasha Meneghel. Foi
importante para um cenário nacional que há muito tempo busca marcas capazes de unir:

  • sofisticação;
  • narrativa;
  • qualidade;
  • identidade;
  • e ambição internacional sem perder autenticidade.

Esse é o momento Mondepars que emocionou a todos, não só pela história de herança familiar da estilista, mas por mostrar do que o Brasil é capaz no mercado de moda de luxo.

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Ficha Técnica
Diretora Criativa: Sasha Meneguel
Direção Artística: Joao Lucas
Styling: Pedro Sales
Beleza: Rodrigo Costa
Trilha Sonora: Carlos Bezerra
Transmissão: Sarça Tv Producao

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