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Longevidade produtiva: como aproveitar a experiência 60+

Publicado 13/04/2026 • 11:00 | Atualizado há 2 horas

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Gilmara Espino

A economia prateada já é um dos movimentos mais relevantes do nosso tempo. Gilmara Espino acompanha de perto o mercado 60+ e traz, semanalmente, tendências e casos práticos que revelam como esse fenômeno está abrindo novas frentes de negócio.

Para a CEO da Talento Sênior, Juliana Ramalho, esse é o perfil do trabalhador da economia prateada: experiente, seletivo e produtivo

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Para a CEO da Talento Sênior, Juliana Ramalho, esse é o perfil do trabalhador da economia prateada: experiente, seletivo e produtivo

Com o envelhecimento da população e o avanço da economia prateada, empresas começam a perceber que profissionais 60+ podem contribuir para o aumento da produtividade.

Por Gilmara Espino

Existe mesmo uma hora certa de deixar o mercado de trabalho? Para muita gente, a aposentadoria ainda funciona como um interruptor: um dia se trabalha, no outro não. Mas, a vida produtiva raramente termina nessa data.

À medida que envelhecem, muitos profissionais relatam subutilização, perda de propósito e exclusão crescente, mesmo que o sentimento de produtividade e a experiência ainda estejam lá. Por outro lado, empresas lidam com equipes jovens ainda em formação, baixa tolerância à pressão e dificuldade de dialogar com um consumidor que também envelhece. As duas pontas se complementam. Ainda assim, seguem desconectadas. 

Mesmo quando existe interesse dos dois lados, o modelo tradicional CLT não ajuda. Empresas hesitam em contratar profissionais maduros pelo custo de benefícios, especialmente o de saúde e, também, por preconceito. Esquecem que quem acumulou décadas de experiência já não busca o mesmo que antes. A “agenda prateada” valoriza, cada vez mais, autonomia e flexibilidade.

Há uma parcela da população que conseguiu poupar ao longo da vida para o próprio envelhecimento. Ao sair do emprego tradicional, não abandona a ambição. Redefine o que a ambição significava.

É o caso de Maria Lucia Pontes Capelo Vides, ex-superintendente do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo (SP). Por decisão própria e depois de mais de 40 anos na instituição, ela decidiu ser mais dona de seu próprio tempo, escolhendo como e onde aplicar décadas de experiência em gestão de organizações complexas.

“Levo comigo aprendizados, valores e experiências que permanecem vivos e seguem orientando minhas escolhas", diz. 

Para a CEO da Talento Sênior, Juliana Ramalho, esse é o perfil do trabalhador da economia prateada: experiente, seletivo e produtivo. “Esses profissionais aceleram a inovação e conseguem trazer para as empresas talento sob demanda, aumento da eficiência e profissionalização da gestão, com impacto direto no crescimento sustentável”, destaca.

Leia também: Canetas emagrecedoras e o debate sobre longevidade: poderiam ir além da perda de peso?

A Talento Sênior é uma das marcas que vem apostando nas oportunidades deste novo mercado. Por meio do modelo Talent as a Service (talento como serviço, na traduação literal), a empresa facilita o acesso à força de trabalho 45+ de forma pontual, sem o custo e a rigidez da contratação tradicional. 

Com o mesmo propósito, a Maturi nasceu em 2015 como uma plataforma de conexão. Hoje, ampliou sua oferta para capacitar profissionais, treinar lideranças e certificar boas práticas. Já conectou mais de 1.100 empresas parceiras e possui mais de 260 mil profissionais em sua base. A lógica é simples: preparar o profissional, transformar a cultura organizacional, depois conectar.

Em outro exemplo, o InovaSenior foca em engenheiros 60+, usando inteligência artificial para conectar repertório técnico acumulado a empresas e instituições que enfrentam escassez real de mão de obra qualificada.

O que essas três iniciativas revelam, cada uma ao seu modo, é que as novas oportunidades de negócio nesse mercado já têm endereço: plataformas de conexão, modelos de trabalho por projeto, consultorias de transformação cultural e educação contínua. Iniciativas distintas convergindo para o mesmo argumento: a longevidade é uma força econômica real, não uma tendência a observar de longe. É uma mudança que já começou a redesenhar o mercado.

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