CNBC

CNBCAliado de Trump, senador Lindsey Graham morre aos 71 anos

Fábrica de Mídia Fábrica de Mídia

Como o domínio do YouTube pressiona Netflix e Disney+ a mudar de estratégia

Publicado 12/07/2026 • 11:45 | Atualizado há 3 horas

Foto de Fábrica de Mídia

Fábrica de Mídia

Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Pixabay

A decisão de plataformas de vídeo por assinatura de voltar a experimentar formas de acesso gratuito, seja por períodos de degustação, episódios abertos ou planos com acesso limitado, reflete uma mudança importante no mercado de streaming. Durante anos, empresas como Netflix e Disney+ priorizaram o aumento da receita por assinante e reduziram incentivos gratuitos. No entanto, a disputa pela atenção do público tornou o YouTube um concorrente impossível de ignorar, levando serviços pagos a reavaliar suas estratégias de aquisição de usuários. 

O principal motivo dessa mudança está na dimensão do YouTube. Diferentemente dos serviços baseados exclusivamente em assinatura, a plataforma do Google reúne bilhões de usuários mensais e oferece um catálogo praticamente inesgotável de vídeos gratuitos. Além disso, o tempo de permanência dos usuários cresce continuamente graças à diversidade de formatos, que vai de vídeos longos a transmissões ao vivo e conteúdos curtos. Na prática, o YouTube disputa diretamente o tempo livre que antes era destinado quase exclusivamente a filmes e séries. 

Leia mais: Os segredos do sucesso de Minions após US$ 5 bilhões em bilheteria

Outro fator relevante é o aumento do custo para conquistar novos assinantes. Depois de anos de forte expansão, o mercado de streaming entrou em uma fase de maturidade em diversos países. Nesse cenário, convencer um consumidor a contratar mais um serviço tornou-se mais difícil. Oferecer um período gratuito reduz a barreira de entrada e permite que o usuário conheça o catálogo antes de decidir pela assinatura, aumentando as chances de conversão sem depender apenas de campanhas publicitárias. 

Ao mesmo tempo, Netflix e Disney+ enfrentam um ambiente mais competitivo do que no início da chamada guerra do streaming. Além da concorrência entre plataformas como HBO Max, Prime Video e Paramount+, existe uma disputa crescente com redes sociais e serviços de vídeo gratuito. O consumidor não compara apenas preços, mas também a facilidade de encontrar conteúdo interessante e o tempo disponível para consumir entretenimento. Nesse contexto, qualquer estratégia que aumente a experimentação do serviço pode representar uma vantagem competitiva. 

Também existe uma mudança no modelo de negócios do setor. Nos últimos anos, várias plataformas passaram a investir em planos com publicidade, buscando ampliar a base de usuários e criar novas fontes de receita. Essa lógica aproxima o streaming por assinatura do modelo tradicional da internet, no qual parte do público pode acessar conteúdo gratuitamente ou por um custo reduzido em troca da exibição de anúncios. Assim, iniciativas de degustação deixam de ser apenas uma ferramenta de marketing e passam a integrar estratégias mais amplas de monetização. 

Leia também: Caso CazéTV: Casas de apostas desafiam crise cambial e dominam investimentos em mídia esportiva

Por fim, a força do YouTube vai além da quantidade de usuários. A plataforma se consolidou como um ecossistema de entretenimento, informação e produção independente, oferecendo atualizações constantes e conteúdo praticamente infinito. Para serviços focados em produções premium, permitir que novos consumidores experimentem o catálogo pode ser uma forma eficiente de demonstrar o valor agregado de séries, filmes e eventos exclusivos. Mais do que disputar assinantes entre si, Netflix e Disney+ precisam disputar a atenção do público em um ambiente no qual o maior concorrente nem sempre cobra pela maior parte do conteúdo consumido. 

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Fábrica de Mídia