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Naming rights do Allianz Parque darão ao Nubank mídia paga por concorrentes

Publicado 12/04/2026 • 18:09 | Atualizado há 12 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Foto: Divulgação

A aquisição dos naming rights do Allianz Parque pelo Nubank vai muito além de uma simples troca de marca em uma arena esportiva. Trata-se de um movimento estratégico que reposiciona o banco digital em um dos espaços de maior visibilidade do entretenimento na América Latina. Ao assumir o controle do nome de um local que concentra grandes shows, eventos corporativos e partidas de futebol, a empresa passa a ocupar um território simbólico de enorme circulação de público e mídia.

O valor estimado do contrato, avaliado em cerca de US$ 10 milhões anuais até 2034, indica que o Nubank enxergou um potencial de exposição que supera o modelo tradicional de publicidade. Diferentemente de campanhas pontuais, o naming rights garante presença contínua em ingressos, transmissões, redes sociais e cobertura jornalística. Isso transforma o estádio em uma plataforma permanente de branding, com impacto direto na lembrança de marca.

Porém, o aspecto mais peculiar da operação está em um efeito colateral pouco óbvio: a exposição indireta em ações de concorrentes. Como o Allianz Parque se consolidou como o principal palco de shows do país, diversas instituições financeiras patrocinam turnês, festivais e eventos realizados no local. Dessa forma, bancos concorrentes acabam promovendo experiências, ativações e campanhas que inevitavelmente mencionam o nome da arena, agora associado ao Nubank. Não será uma surpresa se, casualmente, o local passar a ser creditado como Estádio do Palmeiras.

Esse fenômeno cria uma dinâmica rara no mercado publicitário. Ao patrocinar um show no estádio, um banco tradicional pode investir milhões em marketing, mas ainda assim reforçar, ainda que involuntariamente, a marca de um concorrente. O nome da arena aparece em peças promocionais, anúncios, posts em redes sociais e até na cobertura da imprensa, funcionando como uma espécie de “mídia cruzada” que beneficia o detentor dos naming rights.

Além disso, o histórico recente do espaço reforça o acerto da aposta. O estádio liderou a venda de ingressos para shows na América do Sul entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Esse volume de eventos garante uma frequência constante de exposição, atingindo públicos diversos e ampliando o alcance da marca para além do universo financeiro. A arena deixa de ser apenas um estádio e se consolida como um hub cultural de grande escala.

Por fim, a escolha do nome por votação popular adiciona um componente de engajamento que potencializa ainda mais a estratégia. Ao envolver o público na decisão entre Nubank Parque, Parque Nubank ou Nubank Arena, o banco transforma o rebranding em um evento participativo, e colabora para que o novo nome do estádio vire tendência e seja facilmente assimilado, da mesma forma que o Allianz Parque foi abraçado pela população desde 2013.

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