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No Rock in Rio, as marcas também são rockstars – e os números são superlativos, com R$ 3,36 bi movimentando a economia da cidade
Publicado 04/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 meses
Foto: Getty Images
“Se a vida começasse agora…”
Quando essa música começa a tocar, todo mundo já sabe: é hora de Rock in Rio. O maior festival do mundo volta à Cidade do Rock e promete reunir mais de 700 mil pessoas ao longo de sete dias de evento, entre 4 e 13 de setembro. E os números que cercam a edição de 2026 são repletos de superlativos, a começar pelo valor injetado na economia fluminense. Estudo da FGV projeta que o festival movimenta R$ 3,36 bilhões na cidade e gera quase 34 mil empregos temporários em setores como hotelaria, gastronomia, serviços e transportes. Para efeito de comparação, a edição de 2017 movimentou R$ 2,65 bilhões. O crescimento acompanha a consolidação de um modelo de negócio que Roberto Medina construiu ao longo de quatro décadas.
Medina imaginou um papel de destaque para as marcas que participassem do Rock in Rio. Em um conceito inovador, criou um festival em que “as marcas também são artistas”, com dezenas de formatos de ativação, estandes de diversos tamanhos e até palcos para shows exclusivos.
Com isso, o lucro não fica restrito à bilheteria. Medina afirma que metade da arrecadação do festival vem das marcas patrocinadoras. Isso explica a lógica das ativações. Na edição de 2026, haverá mais de 100 experiências de marcas espalhadas pela Cidade do Rock, um volume bem maior do que na edição anterior, em 2024. Vale patrocina a estreia do ECCO by LightWire; Heineken assina a montanha-russa; iFood está na torre de queda livre; TIM patrocina a tirolesa; Superbet leva o nome à roda-gigante Discovery; Latam envelopou uma aeronave inteira com a identidade do festival; Itaú segue como patrocinador máster, e a Volkswagen retorna pela sexta vez consecutiva, um relacionamento que atravessa mais de uma década de edições.
Cada marca, portanto, não paga para exibir seu logotipo em uma faixa ou em um telão. Ela compra protagonismo em uma experiência que o público nunca mais esquece. Essa é a diferença entre o patrocínio tradicional e o modelo Rock in Rio: a marca é compartilhada nas redes sociais do público e vira parte da narrativa do fã, não uma interrupção dela.
Do lado da bilheteria, os números também impressionam. O ingresso inteiro custa R$ 870, a meia-entrada, R$ 435, com parcelamento em até seis vezes sem juros, oito para clientes Itaú. As vendas cresceram 20% em relação à edição anterior, e 55% dos compradores vêm de fora do Rio de Janeiro. Somente durante os dias de festival, o comércio carioca já registrou faturamento 24% acima do período habitual em edições anteriores.
O festival também monetiza atenção fora da Cidade do Rock. São 400 produtos licenciados, de roupas a embalagens colecionáveis, e a distribuição de um milhão de brindes ao público ao longo dos sete dias, financiada pelos parceiros como parte do pacote de patrocínio. Cada peça se transforma em uma peça de mídia ambulante depois que o visitante volta para casa. Afinal, é um orgulho dizer que foi no Rock in Rio. Quem não se lembra do adesivo com o slogan “Rock in Rio: Eu fui”?
O resultado é um modelo híbrido raro no entretenimento brasileiro. Rock in Rio não vende apenas ingressos, nem apenas espaço publicitário. Vende participação em um fenômeno cultural que já demonstrou sua capacidade de gerar audiência, dados de consumo e afeto de marca em escala. Enquanto festivais menores dependem quase inteiramente da bilheteria para fechar a conta, a Rock World transformou o patrocínio em receita estrutural, replicável em Lisboa, Madri e Las Vegas. Faz tempo que o “Rock in Rio” não é apenas “in Rio”.
E os shows? Os shows são bem variados e, desde o início, nunca ficaram restritos ao rock, apesar do nome do festival. Difícil apontar os destaques em mais de 100 atrações, mas os óbvios a gente não pode esquecer: Foo Fighters, Elton John, Jamiroquai, Black Eyed Peas, Demi Lovato, Maroon 5, Twenty-One Pilots, entre outros. Há grandes artistas nacionais também, como Gilberto Gil, Capital Inicial, Criolo, Marina Sena, Ivete Sangalo, Alok, Barão Vermelho e Sepultura.
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