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CNBCOpenAI conclui venda de ações no valor de US$ 7 bilhões antes de possível IPO

Guilherme Carter

Rotação da curva de juros em julho: fechamento até 2028 e abertura a partir de 2029

Publicado 10/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas

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Guilherme Carter

Mestre pela FGV-EESP. Professor de Finanças na FGV. Coordenador dos programas de pós-graduação da B7 Business School. Managing Director da DataBay, fintech de inteligência de dados para o mercado de capitais. Presença constante na mídia sobre economia e gestão de patrimônio.

A renda fixa captou R$ 37,3 bilhões em julho, terceiro maior mês do ano, e acumula R$ 164,5 bilhões; os fundos de ações perderam mais R$ 4,1 bilhões e somam R$ 12,4 bilhões de resgate em sete meses; o estrangeiro voltou a comprar na B3, R$ 2,6 bilhões, após dois meses de venda. E a curva de juros fechou 20 pontos-base no trecho curto enquanto abria 17 no vértice de 2036. As duas curvas se cruzam em meados de setembro de 2028.

As três séries deste monitor têm, em julho, um elemento comum: a diferenciação por prazo. A indústria de fundos voltou a direcionar volume à renda fixa no mês em que a curva passou a projetar juros menores no horizonte próximo; na B3, o estrangeiro voltou ao lado comprador, em magnitude reduzida; e a estrutura a termo do DI fechou nos vértices curtos e abriu nos longos, cruzando a precificação de junho em setembro de 2028. Os vértices até 2028 recuaram entre 8 e 20 pontos-base; os de 2029 em diante subiram entre 2 e 17.

Fundos: R$ 37,3 bilhões para a renda fixa e segundo resgate consecutivo em ações

A captação de julho recompôs em escala a assimetria que o semestre já registrava. A renda fixa absorveu R$ 37,3 bilhões líquidos — atrás apenas de janeiro e fevereiro em todo o ano — e levou o acumulado a R$ 164,5 bilhões. A concentração é o dado relevante: junho e julho somam R$ 46,3 bilhões, quase o triplo do captado em março, abril e maio juntos (R$ 16,6 bilhões). O resgate de maio, tratado na edição anterior como evento pontual de liquidez, não teve continuidade; dois meses de captação crescente reforçam aquela leitura sem encerrá-la.

Os fundos de ações seguiram na direção oposta e aceleraram. O resgate de R$ 4,1 bilhões em julho vem logo após os R$ 4,3 bilhões de junho: os dois meses somam R$ 8,4 bilhões, mais do que todo o saldo negativo do primeiro semestre (R$ 8,3 bilhões). No ano, a classe acumula resgates de R$ 12,4 bilhões, com os dois últimos meses respondendo por 68% desse total.

Os multimercados registraram o único sinal invertido do mês: captação de R$ 4,2 bilhões, a primeira positiva desde janeiro, suficiente para virar o acumulado do ano de um resgate de R$ 3,3 bilhões para uma captação de R$ 834 milhões. A reversão do acumulado está medida; sua persistência não, porque uma observação mensal não permite distinguir realocação estrutural de recomposição tática de caixa.

Captação Líquida — Indústria de Fundos | jan a jul de 2026 (em R$ milhões)

EstratégiaJanFevMarAbrMaiJunJulAno
Ações-3.949-4.0301.3941.1431.456-4.318-4.078-12.384
Multimercado12.820-5.542-2.142-5.599-2.389-4744.160834
Renda Fixa44.34057.29011.79714.240-9.4348.96237.310164.506

Fonte: DataWatch — Plataforma DataBay | Elaboração para a CNBC

B3: retorno da compra estrangeira em escala reduzida

O fluxo estrangeiro trocou de sinal pela segunda vez no ano: R$ 2,6 bilhões de compra líquida em julho, depois de R$ 14,9 bilhões e R$ 7,8 bilhões de venda em maio e junho. A ordem de grandeza é pequena em relação à do próprio ano: o saldo de julho equivale a menos de um décimo do de janeiro (R$ 26,3 bilhões) e a cerca de um terço do que a categoria vendeu no mês anterior. No ano, o acumulado fica em R$ 36,4 bilhões, ainda o maior saldo positivo entre as categorias.

O Ibovespa encerrou o mês de julho aos 177.999 pontos, com alta de 3,47% no mês, acumulando uma valorização de 10,47% no ano. O retorno do fluxo estrangeiro, ainda que em magnitude reduzida, reforça a tese da edição anterior sobre a categoria atuar como o formador de preço marginal no mercado, especialmente diante da continuidade do movimento vendedor por parte do investidor doméstico.

Do lado doméstico, a configuração de junho — as quatro categorias locais simultaneamente compradoras — não se repetiu. O institucional voltou a vender R$ 5,4 bilhões e acumula R$ 40,0 bilhões negativos no ano, do lado vendedor em cinco dos sete meses. A pessoa física manteve-se compradora pelo quinto mês consecutivo, mas em desaceleração pronunciada: R$277 milhões, R$ 33 milhões, R$ 5,8 bilhões, R$ 3,2 bilhões e R$ 1,1 bilhão. As instituições financeiras compraram R$ 2,4 bilhões e viraram o acumulado anual para o campo positivo (R$ 459 milhões) pela primeira vez em 2026.

Fluxo de Investimentos na B3 | jan a jul de 2026 (em R$ milhões)

PeríodoEstrangeiroInstitucionalPFIFOutros
Janeiro26.314-17.538-3.571-4.686-518
Fevereiro15.396-12.788-2.7351.649-1.522
Março11.656-9.949277-4.7682.785
Abril3.179-9.445334.9881.197
Maio-14.91013.3295.821-1.529-2.711
Junho-7.7861.7893.1552.368473
Julho2.558-5.3671.1322.438-761
No ano36.406-39.9704.112459-1.056

Fonte: dados da B3 elaborados pela equipe DataBay | DataWatch — Plataforma DataBay

Curva de juros: a rotação em torno de setembro de 2028

Entre a precificação de junho e a curva atual, a estrutura a termo girou em torno de um ponto intermediário, em vez de se deslocar em paralelo. O trecho curto recuou 20 pontos-base; o vértice de janeiro de 2027 fechou 16 e o de janeiro de 2028, 8. A partir desse ponto, o sinal se inverte: 2029 abre 2 pontos-base, 2030 abre 5, 2032 abre 10 e 2036 abre 17. O eixo da rotação está em meados de setembro de 2028, ponto em que as duas curvas se cruzam — configuração distinta da registrada na edição anterior, quando todos os vértices haviam fechado.

O fechamento do trecho curto corresponde a reprecificação de ciclo, com lastro em decisão e em dado: o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14% ao ano, e a inflação em doze meses desacelerou para cerca de 4,5%. A curva atual atinge seu mínimo em 13,75% já no início de 2027, ante um piso de 13,86% alcançado apenas em dezembro de 2027 na precificação de junho. A flexibilização projetada é, portanto, cerca de 12 pontos-base mais profunda, e seu piso ocorre cerca de onze meses antes.

A abertura do trecho longo não comporta a mesma explicação. Nenhuma decisão de política monetária alcança 2032 ou 2036: o que se move ali é o juro tratado como de equilíbrio, somado ao prêmio exigido para carregá-lo. Esse patamar terminal saiu de cerca de 14,26% em junho para cerca de 14,42% na curva atual — 16 pontos-base num trecho que a Selic não visita. O movimento se classifica como abertura de prêmio, e não como reprecificação de ciclo, e ocorreu no mesmo mês em que o trecho curto se moveu em sentido contrário.

VérticeCurva atual (%)Curva em jun/26 (%)Variação (bps)
Curto prazo (ago/26)13,9014,10-20
Jan/202713,7513,91-16
Jan/202813,7813,86-8
Jan/202914,0314,01+2
Jan/203014,2014,15+5
Jan/203214,3614,26+10
Jan/203614,4114,24+17

Fonte: DataWatch — Plataforma DataBay | Elaboração para a CNBC.

A contrapartida da abertura longa está nas contas domésticas: déficit nominal em torno de 10% do PIB, dívida bruta do governo geral em 81,9% do PIB e custo implícito da dívida em cerca de 13,2%, contra crescimento nominal projetado em torno de 8,5%. Um diferencial dessa ordem entre custo e crescimento exige superávit primário próximo de 3,5% do PIB apenas para estabilizar a razão dívida/PIB — patamar que o primário corrente não alcança. O conjunto é compatível com a hipótese de que o prêmio hoje precificado se refira ao regime fiscal do próximo ciclo, mas compatibilidade não estabelece a relação, e a série mensal não permite testá-la.

O que fica sob observação até o fim do ano

A agenda do segundo semestre impõe um teste contínuo sobre as premissas hoje embutidas nos preços dos ativos. A variável primária é a estabilidade do eixo de rotação da estrutura a termo. Um deslocamento temporal deste ponto de cruzamento indicará, na prática, se a expansão do prêmio de risco fiscal começa a contaminar o horizonte relevante da política monetária. Simultaneamente, o trecho curto atuará como o termômetro exato da flexibilização residual de cerca de 25 pontos-base; a confirmação ou reprecificação dessa assimetria se dará na liquidez dos vértices curtos a cada decisão do Copom, suplantando a retórica dos comunicados oficiais.

Sob a ótica dos fluxos, a resiliência do capital estrangeiro na B3 testará a hipótese de uma realocação estrutural frente a um mero ajuste tático de posições iniciado em maio. Paralelamente, a consolidação do calendário eleitoral testará a capacidade dos vértices longos de precificar o regime fiscal do próximo ciclo governamental. Adicionalmente, a virada no fluxo dos fundos multimercados demandará observação longitudinal para validar se estamos diante de um pivô estratégico ou de um manejo pontual de liquidez. Em finanças aplicadas, a modelagem dessas dinâmicas não comporta adivinhação; exige quantificação rigorosa.

O propósito deste monitoramento é mitigar a assimetria informacional. A convergência entre o comportamento da indústria de fundos, a microestrutura de fluxos na B3 e a modelagem da curva de juros continuará sendo auditada de forma sistemática pelo DataWatch, a plataforma de inteligência de mercado da DataBay. Em um trimestre em que a curva de juros já impôs uma separação nítida entre o que é ciclo de política monetária e o que é prêmio de risco estrutural, a diferença entre capturar o movimento ou ser penalizado por ele resume-se, estritamente, à precisão e à tempestividade da medição empírica.

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