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CNBCApple supera expectativas com lucro e receita puxados por serviços

Raphael Coraccini

Mercado dispara, e derrota do governo no Congresso pouco ou nada tem a ver com isso

Publicado 30/04/2026 • 21:04 | Atualizado há 1 hora

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

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Foto: Freepik

O Ibovespa voltou a registrar um resultado expressivo nesta quinta-feira (30), após uma sequência de quedas, ressuscitando leituras que tentam associar o desempenho da bolsa a fatores políticos domésticos. 

Entre elas, ganhou força a interpretação de que a recente derrota do governo no Congresso, com o veto à indicação de Jorge Messias, teria impulsionado o avanço do índice. A relação entre um ponto e outro parece frágil e ideológica porque desconsidera que movimentos semelhantes já vinham sendo observados em momentos anteriores, em condições bastante distintas do ponto de vista político. O recorde nominal mais recente do Ibovespa (próximo dos 200 mil pontos na cotação intradiária) foi atingido em um ambiente sem esse tipo de ruído institucional.

Naquele momento, assim como nesta quinta-feira (30), dois vetores se destacavam: a resiliência do Brasil diante da oscilação dos preços do petróleo e a percepção global de risco. Esses fatores estimularam fluxos para países produtores de commodities.

Nesse sentido, a alta observada no último dia útil de abril dialoga menos com eventos pontuais da política doméstica e mais com a continuidade de um ambiente externo mais favorável. O passado recente mostra isso. 

“A gente vê essa confiança no Brasil quando há um cenário trágico lá fora. Nesses movimentos, como o da guerra (no Irã), os investidores correm para os emergentes, e o Brasil hoje é um dos principais países nos quais o investidor procura alocar (capital)”, diz Talita Luiz, sócia-fundadora da Quattro Investimentos. 

A interpretação é a de que há uma mudança gradual na maneira de o investidor global ver o Brasil, não só como aquele país onde o dinheiro passa a noite e vai embora na manhã seguinte, mas como uma economia em crescimento mesmo diante de um cenário global adverso e — uma novidade, pensando no histórico brasileiro — com inflação controlada. 

Ao mesmo tempo, a especialista pondera que o cenário eleitoral pode, sim, reintroduzir volatilidade, especialmente à medida que o investidor passa a reavaliar riscos domésticos. Contudo, ela pondera que isso tem mais relação com os movimentos do mercado diante dos processos eleitorais como um todo do que propriamente com o desempenho dos atores envolvidos. 

O resultado da bolsa ao longo de 2026 mostra que há explicações mais profundas para o bom-humor, principalmente do capital global, para com os ativos brasileiros. “O investidor estrangeiro ingressou com força: o saldo líquido está positivo em R$ 60,7 bilhões até 28 de abril”, diz Einar Rivero, sócio da consultoria Elos Ayta, ao usar os últimos dados disponíveis sobre o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa de valores. 

Ele aponta uma pressão compradora consistente sobre ativos brasileiros, “especialmente ações”. Ao mesmo tempo, há uma perda de atratividade de posições dolarizadas ou atreladas ao exterior. “O Brasil sobe não apenas por fundamentos internos, mas por realocação global de capital”, arremata Rivero.

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