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Raphael Coraccini

Ministério da Fazenda assume protagonismo no combate ao crime organizado e governo tenta voltar canhão do caso Master para adversários 

Publicado 07/05/2026 • 19:30 | Atualizado há 12 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ministério da Fazenda

Calcanhar de Aquiles de projetos de esquerda, a segurança pública deve estar, mais uma vez, no centro do debate eleitoral em 2026. Nesse contexto, o governo tenta lançar mão de novas cartas para convencer a população de que algo inédito está sendo feito no combate ao crime organizado — especialmente no âmbito das operações Carbono Oculto e Compliance Zero. Esta última teve, nesta quinta-feira (07), mais um desdobramento, que coloca o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira -- um dos mais proeminentes adversários do executivo federal -- no centro do escândalo.

Nesse cenário, o Ministério da Fazenda, liderado por Dario Durigan — e que teve Fernando Haddad à frente desde o início do governo até março de 2026 —, passou a assumir, em diversos momentos, o papel de porta-voz do combate ao crime organizado, ocupando um espaço que caberia, em primeiro plano, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, de Wellington César Lima e Silva. 

O primeiro movimento da Fazenda nesse sentido ocorreu com a elaboração do projeto de lei que instituiu a taxação de fundos exclusivos e offshore, no início do segundo trimestre de 2023. A proposta previa alíquotas entre 15% e 20% sobre os rendimentos de fundos exclusivos ou fechados, além de uma cobrança progressiva de até 22,5% para fundos offshore. Mais do que o impacto arrecadatório, a medida ampliou o escrutínio sobre o mercado de fundos, especialmente sobre os fundos de fundos (FoFs), que, em alguns casos, criavam camadas adicionais de proteção para golpistas, fraudadores e operadores de esquemas de lavagem de dinheiro.

A partir daí, foram criadas condições para identificar inconsistências dentro do mercado financeiro, permitindo um olhar mais rigoroso sobre movimentações suspeitas. Em 2025, foi deflagrada a operação Carbono Oculto, que revelou ao público um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado que utilizava estruturas que iam de postos de combustíveis a gestoras de recursos, como a Reag.

Além disso, a atuação da Receita Federal — órgão subordinado ao Ministério da Fazenda — contribuiu para alcançar articulações em níveis mais elevados da cadeia do crime organizado, envolvendo nomes como Mohamad Hussein, Roberto Augusto Leme (Beto Louco) e Camila Cristina de Moura, esta última diretora financeira da BK, fintech apontada como o “banco” da organização criminosa.

Segundo homem da Fazenda na primeira metade do governo Lula 3, Gabriel Galípolo vetou a operação de compra do Master via BRB cinco meses depois de assumir a presidência do Banco Central, em 2025, depois de recebidas as denúncias da diretoria de Fiscalização do BC sobre a falta de lastro nos ativos do Master e as evidências de fraude na carteira de ativos do banco de Daniel Vorcaro, vendidas ao BRB por mais de R$ 12 bilhões. 

Fora do âmbito econômico, os órgãos de investigação — como a Polícia Federal e o Ministério Público — tiveram papel central no desmantelamento dos esquemas e no aprofundamento das apurações, que ainda estão em curso. Em fevereiro de 2026, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reuniu-se com Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, para alinhar o estreitamento da cooperação entre os órgãos na continuidade das operações.

Pouco tempo depois, uma nova fase da Compliance Zero levou à prisão de Daniel Lopes Monteiro, apontado como responsável pela estrutura jurídica e financeira que dava aparência de legalidade às fraudes e auxiliava na lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, o esquema incluía operações de transferência de imóveis que somam R$ 146 milhões em benefício de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

A atuação conjunta entre PF e Receita se estendeu a outras operações de grande monta, como a Mare Liberum, voltada ao combate à corrupção na alfândega do Porto do Rio. De acordo com as autoridades, o esquema movimentou R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre 2021 e 2026 e envolvia o pagamento de dezenas de milhões de reais em propinas por importadores e despachantes a funcionários públicos.

Diante da dificuldade de convencer a população de que a situação econômica do país melhorou — refletida nos índices de reprovação do governo, que incluem avaliações negativas sobre a qualidade de vida —, a estratégia deve ser intensificar o discurso de combate ao crime organizado. Nesse contexto, o papel do Ministério da Fazenda na investigação de crimes de colarinho branco surge como tentativa de colocar a segurança pública no centro do debate eleitoral.

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