ALERTA DE MERCADO:

Bolsa encerra no vermelho; Ibovespa emenda 11ª queda com pressão do mercado

CNBC

CNBCApple reformula taxas da App Store da Europa para resolver disputa sobre pagamentos

Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

Aporte na Cosan deixa a situação da Raízen mais indefinida

Publicado 29/09/2025 • 11:07 | Atualizado há 11 meses

Foto de Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e com experiência nos principais veículos do Brasil. Além de comandar esta coluna, é analista de mercado nos principais programas do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.

Negócio de até US$ 1,5 bilhão: quem são os compradores dos ativos da Raízen

Foto: divulgação/Raízen

Negócio de até US$ 1,5 bilhão: quem são os compradores dos ativos da Raízen

A Cosan anunciou na última semana um aporte bilionário de investidores institucionais. A cifra é alta e os investidores são pesados: R$ 10 bilhões injetados por BTG Pactual, Perfin e Aguassanta (family office de Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan).

Se por um lado a injeção de capital ajuda a aliviar a pressão sobre a alavancagem da companhia, por outro, o aporte coloca em xeque o futuro da Raízen – joint-venture criada pela Cosan em parceria com a Shell e que também busca dinheiro no mercado.

Isso porque o capital levantado pela Cosan não será destinado a capitalizar a Raízen. A controladora já informou que os recursos irão reforçar sua própria estrutura de capital. Ao fim do segundo trimestre, a Cosan registrava dívida líquida de R$ 17,5 bilhões, com alavancagem próxima de 3,4 vezes a geração de caixa.

Com o aporte, a Cosan consegue limpar quase 60% de sua dívida. O movimento de captação também vai permitir que a empresa reduza sua despesa financeira anual com a holding.

No caso da Raízen, os números não são nada triviais. A dívida líquida da companhia somava cerca de R$ 49,2 bilhões no mesmo período, com alavancagem em torno de 4,5 vezes.

O aporte na Cosan coloca a Raízen em compasso de espera. É pouco provável que o BTG Pactual – que vinha sendo especulado como potencial investidor na Raízen – coloque mais dinheiro na mesa após ter entrado no capital da holding.

No que diz respeito a uma captação, restam ainda algumas opções. A japonesa Mitsubishi, sócia minoritária na Raízen, poderia ampliar sua posição. 

Outros potenciais investidores estratégicos, como fundos soberanos árabes ou canadenses, também são cogitados, embora a janela de mercado não ajude: o setor sucroenergético enfrenta margens pressionadas, e a percepção de risco sobre a companhia está elevada.

Além de buscar por capital externo, a Raízen também adotou um plano de enxugar o negócio. Em março, a companhia contratou o banco americano JPMorgan para auxiliá-la na negociação de venda de ativos, principalmente na Argentina.

Até julho, contando os ativos também no Brasil, a empresa já tinha liberado R$ 2,7 bilhões em desinvestimentos. A tendência é de que essa cifra aumente até o fim do ano.

No ano, as ações da Cosan acumulam queda de 22%. A desvalorização, no entanto, acelerou após o aporte: as ações cedidas aos investidores tiveram desconto agressivo. O preço fechado foi de R$ 5,00 por ação, enquanto os papéis beiravam R$ 8,00 no mercado.

Já os papéis da Raízen amargam perda de 50% em 2025. A queda está ligada à frustração de investidores com a desalavancagem lenta, à dificuldade em monetizar ativos de energia renovável e ao ambiente de juros altos, que pressiona empresas muito endividadas.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Rodrigo Loureiro