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IPO da SpaceX tem números de outro mundo e se apoia em promessas

Publicado 10/06/2026 • 10:36 | Atualizado há 2 horas

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e negócios, com experiência nos principais veículos do Brasil e MBA pela FIA em parceria com a B3. Além de comandar esta coluna, é comentarista nos programas Agora e Real Time, nos quais analisa as principais movimentações do mercado.

Elon Musk em destaque

Foto: Matt Rourke/AP/Estadão Conteúdo

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Uma das aberturas de capital mais aguardadas dos últimos anos, a SpaceX promete gerar um abalo sísmico no mercado de capitais na sexta-feira, quando a companhia de Elon Musk fará seu IPO. A expectativa é levantar US$ 75 bilhões e elevar o valuation da empresa para US$ 1,75 trilhão.

Os números estratosféricos fogem da realidade do mercado. O maior IPO até agora levantou US$ 29,4 bilhões. Foi o caso da Saudi Aramco, que abriu seu capital na bolsa da Arábia Saudita em 2019. Na época, a companhia foi avaliada em US$ 1,7 trilhão.

Nos EUA, a maior abertura de capital em termos de valor captado foi da chinesa Alibaba. Em 2014, a companhia levantou US$ 21,8 bilhões em sua estreia na NYSE. A empresa foi avaliada em US$ 167,4 bilhões.

Para convencer investidores a comprarem as 555 milhões de ações por US$ 135 cada, Elon Musk preparou um prospecto de IPO que, bem ou mal, parece ser coisa de outro mundo. A consultoria Aurelion Research o classificou como “The Craziest IPO Ever Filed” (“O IPO mais louco já protocolado”, na tradução).

Os números não animam. Ainda que a SpaceX tenha reportado receita de US$ 18,7 bilhões em 2025, a companhia registrou prejuízo de US$ 4,9 bilhões no ano passado. Desde que Elon Musk fundou o negócio, em 2002, a SpaceX já queimou US$ 37 bilhões.

As perdas vêm do investimento da empresa em infraestrutura de inteligência artificial. A SpaceX queimou US$ 12,7 bilhões em 2025 e US$ 7,7 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026. Ao mesmo tempo, o segmento registrou perdas de US$ 6,4 bilhões em 2025 e de US$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

O investimento tem um objetivo claro: dominar o mercado de IA. A SpaceX avalia que seu mercado endereçável, somando as operações de internet via satélite, serviços de lançamento e data centers orbitais, alcance US$ 28,5 trilhões.

O que abastece o tanque são os ganhos que a companhia obtém com sua única operação realmente rentável: a Starlink. Hoje, o negócio de conectividade representa 61% da receita total da empresa. O número de clientes já ultrapassa a marca de 10 milhões.

As perdas acumuladas, no entanto, não parecem afetar a confiança do fundador da SpaceX. Musk quer um pacote de compensação que pode chegar a US$ 737 bilhões. O valor será pago caso a companhia atinja alguns objetivos ao longo dos próximos anos. Um deles, porém, é realmente coisa de outro mundo.

A primeira milestone será alcançar um valuation de US$ 7,5 trilhões. Para isso, a empresa terá que multiplicar seu valor de mercado pretendido no IPO por mais de quatro vezes. O mais difícil, porém, é o segundo objetivo: construir uma colônia permanente em Marte com pelo menos 1 milhão de habitantes.

Felizmente, Musk não precisa de dinheiro. A fortuna do fundador da SpaceX está estimada atualmente em US$ 793 bilhões. Musk detém 42% das ações da companhia de exploração espacial. Mesmo que não leve qualquer tijolo para Marte, já terá ganhado alguns trilhões de dólares com a valorização de sua participação na empresa.

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