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CNBCLula vence eleição presidencial histórica no Brasil; Bolsonaro se recusa a reconhecer a derrota

Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

Medo e delírio na Faria Lima

Publicado 26/10/2026 • 13:24 | Atualizado há 14 minutos

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e com experiência nos principais veículos do Brasil. Além de comandar esta coluna, é analista de mercado nos principais programas do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.

Era pouco mais de 19h de domingo (25) quando investidores começaram a se movimentar nos grupos de WhatsApp voltados para o mercado financeiro. O clima, naquele momento, era de esperança na vitória de Flávio Bolsonaro contra Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial.

Havia, sim, um sentimento de receio. Mercados preditivos, que antes apontavam 80% das apostas na vitória de Flávio, agora mostravam um cenário mais equilibrado. A mudança no horário de fechamento das urnas também causava incômodo — ainda que alguns investidores ponderassem que o pedido de adiamento havia sido feito pelos dois lados.

“Não vai adiantar nada, Flávio ainda vai ganhar por milhões de votos”, disse um.

“Vamos ganhar”, disse outro.

Por volta das 19h45, quando Flávio passou à frente na apuração, o clima era semelhante ao observado nos vídeos gravados no QG do candidato. Festa.

“Viramos, acabou!!!”

“Agora é só esperar os votos do Sudeste”.

“Se depender do Sul, estaremos eleitos!”

O mercado, que havia comprado a vitória de Flávio e apostado em um rali da Bolsa, ansiava pelo fim da apuração. Mais do que isso, esperava pelo pregão seguinte, com resultados positivos e números verdes que brilhariam como esmeraldas nos terminais.

O otimismo durou pouco. Em menos de 15 minutos, a diferença entre os dois candidatos já começava a diminuir. Lula ameaçava virar o jogo, e o sentimento de festa dava lugar à desconfiança.

“Vai ser apertado, 1 milhão de votos talvez”, escreveu um membro do grupo.

A expectativa de resultados mais favoráveis a Flávio no Sudeste não se concretizava. Lula recuperava votos na região. Foram quase 5 milhões de votos a mais para o petista no segundo turno, contra menos de 2 milhões para o candidato do PL. Lula cresceu 24,95% na região, ante uma alta de 7,81% de Flávio.

No Rio de Janeiro, um dos principais colégios eleitorais do país e berço político de Flávio, o resultado final mostraria Lula com crescimento de 23,62% em relação ao primeiro turno. O presidente terminaria com 4,65 milhões de votos. Flávio, por sua vez, teria 5,16 milhões, alta de apenas 4,07% entre os dois pleitos.

O medo se intensificava à medida que Lula abria vantagem sobre Flávio nas urnas. Os resultados em São Paulo e Minas Gerais eram frustrantes. Antes mesmo do fim da apuração, investidores já entendiam que a disputa estava encerrada.

“Amanhã vai ter circuit breaker”, disse um.

“O que eu faço?”, perguntou outro.

“Vende tudo assim que abrir”, sugeriu um terceiro.

Naquele momento, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, já precificava uma queda superior a 15%. Terminaria o domingo recuando mais de 19%. Um sinal claro do que estaria por vir no pregão seguinte.

Mas o dia ainda não havia acabado. Nas horas seguintes, o medo ainda daria lugar ao delírio.

“Ouvi que o Nordeste está com cédulas físicas”, escreveu um.

“E se essa eleição for anulada?”, perguntou outro.

“Fraude”, disse mais um.

As justificativas eram várias. A principal era a de que a eleição havia sido manchada pelo adiamento do fechamento das urnas. O discurso foi reforçado por Flávio, que não aceitou a derrota e afirmou que solicitaria a anulação da eleição, e por personagens da direita, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

A medida era tratada com parcialidade. Isso porque Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a ampliação do horário de votação, é visto pela ala bolsonarista como um aliado de Lula. Indicado pelo petista ao cargo no STF, Zanin atuou na defesa do então ex-presidente a partir de 2013, durante os desdobramentos da Operação Lava Jato.

O problema, porém, é que Kassio Nunes Marques, ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também endossou a decisão de Zanin, como mostra a cronologia abaixo:

13h22: campanha do PT pede a extensão do horário de votação devido a problemas na oferta de transporte público na Bahia.

13h54: pedido chega ao gabinete do ministro Nunes Marques.

15h27: campanha de Flávio Bolsonaro também solicita a ampliação do horário de votação em razão das chuvas que afetaram eleitores em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

16h29: PT apresenta ao STF novo pedido para estender o horário de votação.

16h33: caso é distribuído ao ministro Zanin.

17h: decisão de Zanin pela prorrogação do horário de votação é divulgada.

17h49: Nunes Marques assina ofício orientando as seções eleitorais a permanecerem abertas.

A segunda-feira chegou, e os números cor de esmeralda deram lugar a outra paleta de cores. Bem diferente. O vermelho. O escarlate que não remete a um rubi, mas que, aos olhos da Faria Lima, se completa com as cores da bandeira do presidente eleito.

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